As mudanças no dia a dia das crianças durante as férias escolares combinam uma rotina mais livre, com novas atividades e menor supervisão direta, trazendo desafios para os pais e responsáveis.

Calor, férias, piscina, praia e muita diversão. O verão é, sem dúvida, a estação preferida das crianças em todo o país. Mas, junto com a alegria, esse período também concentra alguns dos principais riscos à saúde e à segurança infantil, muitos deles evitáveis com medidas simples no dia a dia.

Paulo Telles, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que as férias mudam completamente a rotina das crianças, que passam mais tempo ao ar livre, expostas ao sol, à água e a situações que exigem atenção constante dos adultos. “É uma época em que as crianças estão mais livres, mais ativas e mais expostas. Por isso, a vigilância precisa ser ainda maior, especialmente em ambientes como piscinas, praias, parquinhos e viagens”, alerta.

cuidados essenciais com a saúde das crianças nas férias

Pediatra alerta para riscos como desidratação, queimaduras solares e acidentes domésticos

Com a chegada das férias escolares e das altas temperaturas, aumentam os passeios, as viagens e as atividades ao ar livre. Nesse período, as crianças ficam mais expostas a riscos como desidratação, insolação e infecções virais. Uma pesquisa indexada no PubMed aponta que períodos de calor intenso afetam especialmente crianças menores de nove anos. O estudo mostra que um aumento de 5 °C na temperatura pode aumentar as internações em até 4,6%.

A médica pediatra do Departamento de Saúde Escolar dos colégios da Rede Positivo, Andrea Dambroski, reforça que atenção e prevenção são fundamentais. “Durante as férias, é preciso redobrar os cuidados e a supervisão das crianças, tanto em ambientes externos quanto dentro de casa”, alerta a especialista. A seguir, ela lista os principais riscos e indica cuidados para garantir férias mais seguras:

1. Desidratação
Manter a hidratação adequada é essencial, especialmente porque crianças pequenas perdem mais líquido pelo suor e, muitas vezes, esquecem de beber água enquanto brincam. “É importante oferecer água com frequência, mesmo que a criança não peça”, orienta a pediatra.

Sinais como urina escura, sonolência, lábios secos ou diminuição das micções podem indicar desidratação. Em casos de vômitos ou diarreia, o soro de reidratação oral pode ser utilizado em pequenas quantidades várias vezes ao dia. Se houver olhos fundos, apatia ou redução significativa da urina, é necessário buscar atendimento médico.

2. Insolação
A insolação é mais comum em dias muito quentes, especialmente após longos períodos de exposição solar. “Os responsáveis devem estar atentos aos riscos da exposição excessiva ao sol, principalmente sem a proteção adequada”, destaca a médica. A recomendação é evitar o sol entre 10h e 16h e aplicar o protetor solar pelo menos 30 minutos antes da exposição.

Roupas leves, chapéu, pausas na sombra e moderação nas atividades físicas contribuem para a prevenção. Em casos de pele muito quente, vômitos persistentes, confusão mental ou desmaios, o atendimento deve ser imediato.

3. Queimaduras de sol
A fotoproteção diária é indispensável no verão. As queimaduras solares, além de causarem dor, podem provocar bolhas e aumentar o risco de câncer de pele. Bebês menores de seis meses devem ser protegidos principalmente com sombra, roupas adequadas e chapéu. Para crianças maiores, o protetor solar deve ser indicado para a faixa etária, com FPS acima de 30, e reaplicado a cada duas horas ou após entrar na água.

“O uso do protetor solar deve sempre seguir orientação médica, pois existem produtos específicos para cada idade, o que reduz o risco de alergias e reações adversas”, explica a médica.

4. Gastroenterites e vírus respiratórios
O calor e os ambientes coletivos favorecem a circulação de vírus gastrointestinais e respiratórios. Lavar as mãos com frequência, manter os ambientes arejados e evitar contato próximo com pessoas doentes são medidas essenciais de cuidado com a saúde.

Durante viagens e passeios, o consumo de alimentos fora de casa aumenta. Por isso, é importante escolher estabelecimentos confiáveis, priorizar alimentos bem cozidos e evitar aqueles que exigem refrigeração constante, como laticínios e ovos. “Manter uma alimentação equilibrada fora de casa exige planejamento, incluindo lanches nutritivos e boa hidratação”, orienta a pediatra.

Antes de viajar, também é recomendável revisar a caderneta de vacinação da criança. Vacinas em dia ajudam a reduzir as complicações de doenças comuns no verão. Em viagens internacionais, é importante verificar as recomendações específicas do destino.

5. Acidentes em casa
Traumas, queimaduras, quedas, afogamentos e ingestão de substâncias tóxicas estão entre os acidentes mais comuns durante as férias, e muitos deles podem ser evitados. Medidas simples incluem proteger as tomadas; manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance; instalar telas em janelas e sacadas; evitar o manuseio de líquidos quentes perto das crianças; virar os cabos das panelas para dentro do fogão; manter baldes, tanques e vasos sanitários fechados; e nunca deixar a criança sem supervisão de um adulto.

Quando buscar atendimento médico?
Os responsáveis devem procurar atendimento sempre que a criança apresentar vômitos persistentes, diarreia com sangue, dificuldade para respirar, febre alta que não cede, prostração, convulsões ou sinais de desidratação intensa. “Nessas situações, manter a calma e acionar o serviço de emergência quanto antes é fundamental”, reforça a especialista.

 

Afogamento segue como um dos maiores perigos

Entre os riscos mais graves do verão está o afogamento, que continua sendo uma das principais causas de morte acidental na infância. “Criança na piscina ou no mar precisa de supervisão o tempo todo. Boias e coletes ajudam, mas não substituem um adulto atento. O celular e o consumo de bebida alcoólica são grandes vilões nesse momento”, reforça o pediatra.

Em embarcações, o uso de colete salva-vidas é indispensável, independentemente da idade da criança ou da distância percorrida.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil dão dicas e recomendações simples de cuidados para evitar acidentes em casa ou em outros lugares, durante esta época que começa em meados de dezembro e vai até fevereiro, variando em cada estado e município.

“A gente tem aí esse desafio de entreter as crianças e ocupá-las no período de férias. As famílias acabam entrando em programações onde os pais tiram também suas férias e propõem alguma atividade extra para as crianças. Então, o primeiro desafio é o local onde serão realizadas essas novas atividades para ir ocupando as crianças e para elas se divertirem”, destacou o pediatra e alergista do Hospital Santa Catarina – Paulista, Josemar Lídio de Matos.

De acordo com Matos, a primeira dica é estar atento se os locais escolhidos para a brincadeira oferecem o mínimo de segurança.

“Se vai a um parquinho diferente, é preciso ver se é um parquinho em que os brinquedos estão conservados, são seguros, se tem um piso que absorve impacto em caso de queda. Se, eventualmente, a família frequentar clubes, hotéis, deve-se averiguar se oferecem sistemas de segurança, como rede nas janelas, proteção de piscinas para que os pequenos não caiam, se a área da piscina está isolada”.

Riscos

Segundo o pediatra, os riscos devem ser medidos conforme a idade da criança. Em crianças de até 3 anos de idade, os principais riscos podem estar até mesmo dentro de casa, como o risco de queda.

“É a queda do sofá, é a queda da cama. A família viaja para uma casa e aí, na hora de dormir, não vai ter o berço da criança. Ela dorme em uma cama mais alta, cai e bate a cabeça. São os traumas”.

Josemar Lídio de Matos cita também os riscos de queimaduras: “O bebê vai lá, puxa alguma coisa, puxa uma panela quente, puxa um prato que está com algo que acabou de sair do forno”.

Às queimaduras, segue-se o risco de intoxicação por ingestão de produtos de limpeza, por exemplo, que não deveriam estar ao alcance da criança.

O pediatra explica que quando se trata de crianças maiores, os mecanismos de trauma são resultantes da própria energia das crianças que se expõem a riscos de queda, por exemplo, ao andar em aparelhos sobre rodas, como bicicletas, skates e patins.

Lídio de Matos recomenda aos pais que fiquem atentos e garantam equipamentos de proteção como capacete, cotoveleiras e joelheiras adequados à idade da criança: “E sempre sob supervisão de um adulto”.

Ao alugar uma residência para passar as férias, os pais têm que verificar se os brinquedos que eventualmente estejam nessa casa são apropriados para a criança e se contêm peças pequenas que oferecem risco de engasgo, por exemplo.

“Se tiver um playground, deve-se verificar que brinquedos são aqueles, se estão bem conservados, se não têm risco de a criança escorregar, de o brinquedo quebrar enquanto ela estiver brincando e cair”.

O pediatra também alerta para os riscos de afogamento em locais com piscina ou praia. Nesse sentido, ele recomenda checar se há proteção sobre a piscina e que os pequenos não acessem esses locais sem supervisão de um adulto.

A pediatra Patricia Rolli, que também trabalha no Hospital Santa Catarina, chama a atenção para a importância de os pais estarem atentos, já que basta um segundo de distração para um potencial risco aos pequenos.

“O acidente acontece em segundos. Basta um instante de desatenção para que a criança fique em perigo”.

Diálogo

Para as crianças maiores, a orientação do pediatra Lídio de Matos é que os pais estimulem sempre o diálogo. Assim, ao programar um passeio no shopping, por exemplo, é importante explicar para os pequenos os riscos de se perder dos pais, e como proceder nessas situações: procurar um adulto confiável, explicar a situação e pedir ajuda. “Esse hábito cotidiano deve ser posto em prática nas férias, porque é uma coisa que foge da rotina.”

“Quando os adultos seguem regras de segurança no trânsito e na hora do lazer, as crianças reproduzem esse comportamento naturalmente. Ensinar como agir em situações de risco, como pedir ajuda, reconhecer perigos e memorizar números de emergência, também contribui para uma rotina mais segura”, lembra a pediatra Patricia Rolli.

Como as crianças vão fazer atividades diferentes das habituais e, muitas vezes, em locais diferentes, os pais já devem incutir nos filhos algumas regras de segurança. “Por exemplo, a família chegou na praia. Deve-se ensinar a criança a entender as sinalizações dos guarda-vidas sobre o mar. E o adulto também não pode desobedecer a placa. Isso ajuda bastante. É o adulto dando o exemplo”, salientou Josemar de Matos.

Outra recomendação é dar dicas de localização para a criança, pedir que não se distancie muito do local escolhido e mostrar pontos de referência claros.

Uma dica da pediatra Patrícia Rolli é escolher roupas chamativas para as crianças ao se frequentar locais com muita gente. “Uma criança com uma roupa em um tom pastel meio que se apaga na água, na areia. É muito mais difícil de o adulto localizar à distância, de estar monitorando o tempo inteiro onde está essa criança”. Daí, a importância de sempre usar cores bem fortes e chamativas nas crianças, para que elas estejam sempre no radar do adulto responsável.

 com cuidado: o que os pais precisam saber antes de levar as crianças à piscina ou praia

O endócrino pediatra Miguel Liberato aponta escolhas que aumentam a proteção e ajudam a prevenir afogamentos e crianças perdidas.

 

Você sabia que a escolha do biquíni, maiô ou sunga pode influenciar diretamente na segurança das crianças durante os dias de verão? O endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato explica que a atenção a cores e acessórios é fundamental para evitar afogamentos e facilitar a localização dos pequenos. “Trajes em tons vibrantes, como vermelho, amarelo e laranja, tornam a criança mais visível em ambientes aquáticos, ajudando a identificá-la rapidamente”, destaca.

Além disso, o especialista ressalta que novidades tecnológicas, como roupas com QR Code com a inscrição “Me Encontre”, podem ser muito úteis em emergências, permitindo acesso rápido aos dados dos pais e aumentando a proteção das crianças durante o lazer. “Evite cores que se confundam com a água, como azul claro, verde ou cinza, pois elas dificultam enxergar a criança”, acrescenta.

Quanto aos acessórios de flutuação, o Dr. Miguel recomenda o uso de flutuadores infantis que sustentam braços e corpo, impedindo que a criança vire ou se solte na água. “Boias de cintura ou com encaixe para as pernas podem virar ou furar, enquanto as de braço podem se deslocar, deixando a criança insegura. O flutuador infantil é mais seguro, ajusta-se ao tamanho da criança e garante maior estabilidade”, explica o médico.

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