Diabetes avança no Brasil: entenda sobre prevenção e cuidados

Em 2030, Brasil deverá ter 21,5 milhões de diabéticos. Endocrinologista, nutrólogo e farmacêutico esclarecem sobre cuidados com a doença

Adesão ao tratamento, consulta regular a profissionais de saúde e busca por informações são fundamentais para cuidado da doença (Foto: Istock)
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O Brasil é o primeiro na América Latina e o quinto país em incidência de diabetes no mundo – perde apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, atualmente 16,8 milhões de brasileiros, entre 20 e 79 anos, têm a doença.

Projeções do último Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF), de 2021, mostram que a estimativa da incidência da doença em 2030 chega a 21,5 milhões de brasileiros.

Segundo a instituição, nos últimos dez anos, houve um aumento de 26,61% no número de pacientes diabéticos no país. O estudo aponta que há uma previsão de que esse número possa aumentar para 643 milhões em 2030 e 784 milhões em 2045, mundialmente.

A crescente incidência de diabetes é impulsionada por uma complexa interação de fatores socioeconômicos, demográficos, ambientais, genéticos e, em grande parte, devido ao aumento do diabetes tipo 2 e dos fatores de risco relacionados, que incluem padrões alimentares com predomínio de carboidratos refinados, açúcares, gordura saturada e ultraprocessados, além do sedentarismo.

O Dia Nacional do Diabetes (26 de junho) chama atenção para a conscientização e a prevenção da doença. De hoje até o próximo domingo (2/7), o Portal ViDA & Ação divulgará uma série de conteúdos sobre o tema.

O que é diabetes e quais os tipos da doença?

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que é responsável pela regulação da glicemia. A falta de insulina e/ou da incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos nos casos onde há resistência à ação do hormônio (resistência insulínica) é que define o Diabetes Mellitus (DM).

“Ter picos (elevações) e vales (reduções) fora da faixa adequada é prejudicial à saúde. Nesse cenário, manter a glicemia (glicose que circula no sangue), em valores dentro de uma faixa metabolicamente saudável, é um desafio diário. Sabe-se que ao alcançar essa meta, é possível prevenir o diabetes tipo 2, além de alterações cardiovasculares e outras doenças crônicas”, afirma  médico nutrólogo Eduardo Rauen.

A endocrinologista Luiza Esteves, que atua nos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba, afirma que ao elevar as taxas de glicemia, o diabetes causa inflamações nos vasos sanguíneos do corpo e problemas em órgãos nobres, como o coração e os rins. Ela esclarece que as duas principais formas de manifestação da doença são os tipos 1 e 2.

“O tipo 1 se manifesta geralmente na infância ou adolescência, e, em casos raros, pode ser diagnosticado em adultos também. Ela é sempre tratada com insulina e medicamentos para ajudar a controlar os níveis sanguíneos de glicose. Já o tipo 2 ocorre em adultos de meia idade e idosos e está associado a hábitos alimentares ruins ao longo da vida, o que resulta em resistência à insulina e deficiência em sua secreção. Geralmente é tratado com medicamentos orais ou também com insulina”, explica.

Atenção à alimentação e exercícios físicos

Exame de glicose (Foto: Artem Podrez / Pexels)

Um dos fundadores da Liti Saúde, healthtech que atua no tratamento do sobrepeso e da obesidade -, o médico nutrólogo Eduardo Rauen diz que a alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas são benéficas para prevenir o diabetes e a progressão da doença. Ele explica que a glicose é obtida por meio da alimentação e tem como uma das funções, fornecer energia.

“Ao absorver a glicose, ela atingirá a corrente sanguínea para depois ser distribuída para o seu destino final – os órgãos e os tecidos do corpo – onde exercerá a sua função energética. Portanto, estabelecer hábitos alimentares que proporcionem qualidade e quantidades adequadas de nutrientes é essencial”, ressalta.

Segundo Rauen, uma alimentação com fibras, frutas, vegetais, proteínas, carboidratos integrais e gorduras insaturadas (azeite, oleaginosas e abacate), de forma geral, é uma excelente sugestão. “Por outro lado, evitar alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares e em gorduras saturadas é o recomendado quando pensamos em evitar oscilações no nível de glicose sanguínea”, pondera.

Além dessas orientações gerais, priorizar o consumo de proteínas e de fibras ao longo do dia auxilia na redução do índice glicêmico da refeição e o impacto sobre a sua glicemia será menor, consequentemente. “O ideal é seguir uma estratégia alimentar individualizada, prescrita por um profissional de saúde capacitado, de acordo com as necessidades do seu corpo e com as particularidades do seu dia a dia”, comenta o especialista.

Por que a atividade física faz bem aos diabéticos?

Quanto à atividade física, os benefícios estão relacionados à melhora da sensibilidade à ação da insulina, melhora do percentual de gordura corporal (o excesso é fator de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2), o aumento da massa muscular (a massa muscular é metabolicamente ativa e consome glicose como fonte de energia). No contexto geral, a combinação de exercícios aeróbicos e o treinamento de força serão benéficos para a melhora da saúde e do bem-estar.

Exercícios aeróbicos: aumentam a frequência cardíaca e melhoram a capacidade cardiovascular. Caminhada, corrida, ciclismo, natação e dança são ótimas opções. Recomenda-se 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa, distribuídos ao longo dos dias.

Treinamento de força: o treinamento de resistência, como levantamento de pesos, ajuda a construir músculos e aumenta o metabolismo basal, o que auxilia na manutenção do peso saudável e na regulação dos níveis de açúcar no sangue. Procure realizar exercícios de força pelo menos duas vezes por semana, trabalhando todos os principais grupos musculares.

“Com a orientação de profissionais de saúde capacitados, é possível implementar estratégias individualizadas que contribuam para a prevenção do diabetes e a melhoria da qualidade de vida”, ressalta Eduardo Rauen.

Diabetes e a importância dos horários corretos dos medicamentos

O diabetes requer cuidados contínuos e um tratamento adequado. Além das mudanças no estilo de vida, como adotar uma dieta saudável e praticar exercícios físicos regularmente, o tratamento medicamentoso desempenha um papel fundamental no controle dessa condição.

O farmacêutico Danilo Pinheiro Stahelin, da Prati-Donaduzzi, aponta para a importância de seguir corretamente as orientações médicas quanto à  administração dos medicamentos para diabetes, com atenção especial aos horários corretos.

“Às vezes, as pessoas esquecem de tomar conforme as instruções do médico e, caso isso ocorra com frequência, pode haver uma piora significativa no controle glicêmico. Sendo assim, a recomendação é consultar o seu médico e discutir a melhor ação a ser tomada nessa situação, como mudar horários ou até mesmo o tipo da medicação”, alerta o farmacêutico.

Além disso, a conservação adequada dos medicamentos para diabetes é fundamental para o sucesso do tratamento. Esses medicamentos desempenham um papel muito importante no controle dos níveis de glicose e na prevenção de complicações associadas à doença. O farmacêutico reforça que as formas adequadas de conservar os medicamentos estão em destaque nas bulas.

“Quanto aos medicamentos destinados ao diabetes, alguns são termolábeis, como as insulinas, que devem ser mantidas em geladeiras, em temperatura de 2º a 8º graus, distante do congelador. Outros, como a metformina, por serem comprimidos, devem ser armazenados em temperatura ambiente, entre 15º e 30ºC, longe de sol e umidade.”

Diabetes: avanços médicos proporcionam mais qualidade de vida

Com um impacto significativo na saúde e no bem-estar das pessoas, medidas preventivas e de controle desempenham um papel essencial na redução e prevenção das complicações do diabetes. A endocrinologista Luiza Esteves destaca que, comparando com o passado, os avanços médicos têm proporcionado uma melhor qualidade de vida para os pacientes diabéticos.

“No decorrer dos anos, o tratamento e a gestão da doença deram passos expressivos. Hoje, temos tratamentos mais modernos, que estão cada vez mais avançados e são aliados à tecnologia. Com isso, conseguimos não só melhorar o controle da glicemia, mas também obter benefícios na proteção cardiovascular e até mesmo na perda de peso”, conta.

Com conscientização sobre a necessidade de prevenção, diagnóstico e tratamento adequado, o diabetes pode ser controlado. “Quando o diabetes é diagnosticado, o tratamento deve ser iniciado de imediato e regular. É fundamental aderir ao tratamento medicamentoso, e claro, ter uma equipe ou um profissional médico de confiança, além de procurar informações sobre a doença”, conclui a endocrinologista.

Com Assessorias

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