De olho em novas epidemias, Rio ganha centro de inteligência

Doenças como Covid, dengue e Zika serão monitoradas, assim como coberturas vacinais e taxas de nascimentos e mortes

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Com a pandemia do novo coronavírus sob controle em todo o Estado do Rio de Janeiro, a capital sai na frente para aliar tecnologia a políticas públicas de prevenção a novas doenças que podem abalar a população carioca e pressionar o Sistema Único de Saúde. Aliando análise de dados epidemiológicos e tecnologia da informação, a Prefeitura do Rio acaba de lançar o Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE), projeto pioneiro no país de monitoramento e avaliação do cenário epidemiológico.

A partir do acompanhamento de doenças de importância para a saúde pública e epidemiologia, como a covid-19 e as arboviroses, e outras informações como os dados vitais (mortalidade e nascimentos) e coberturas vacinais, as análises produzidas pelo CIE permitirão a detecção precoce de alterações no perfil epidemiológico da cidade e, consequentemente, a antecipação das ações de resposta de atenção em saúde, vigilância e controle de doenças. Com isso, será possível ajustar as políticas locais de apoio à gestão do SUS com mais assertividade e prepará-las melhor para o enfrentamento de eventuais emergências de saúde pública.

Consolidando-se como uma robusta ferramenta de acompanhamento epidemiológico da cidade, um dos principais produtos do CIE é o Observatório Epidemiológico EpiRio, que estará no ar com acesso liberado ao público a partir desta segunda-feira (28), a partir do link svs.rio.br/epirio. A plataforma reúne diferentes painéis de monitoramento, como arboviroses (dengue e chikungunya), nascimentos e mortalidade, coberturas vacinais, doenças de notificação compulsória e o de covid-19, já existente e muito utilizado durante a pandemia.

Para a elaboração de cada um dos painéis, o EpiRio utiliza tecnologias diferentes e uma série de bases de dados, tornando-os interativos e permitindo que o usuário faça seleções de acordo com a pesquisa planejada. Outras características de destaque são a transparência, a facilidade de uso, estar disponível 24h por dia e constantemente atualizado, além de apresentar a série histórica dos dados de anos anteriores, entre outros detalhes.

Como funcionará o Centro de Inteligência Epidemiológica

Integrado ao Centro de Operações do Rio (COR), o CIE atuará no acompanhamento de diferentes indicadores de saúde pública na capital, e as informações, disponibilizadas de forma acessível e transparente a toda a população, irão auxiliar na tomada de decisões estratégicas da Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-Rio). O CIE está sendo implantado pela Superintendência de Vigilância em Saúde da SMS e contou com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas.

“O CIE nasce a partir da experiência de sucesso do Centro de Operações de Emergência de Covid-19 (COE Covid-19) no Rio. Com o conhecimento analítico e prático adquirido, pudemos expandir para um projeto que abraça outros pontos de atenção no cenário epidemiológico do Rio de Janeiro e que se destaca pelo teor de inovação: nenhuma outra cidade no Brasil tem uma estrutura como essa. O CIE é ainda mais uma das metas do Plano Estratégico 2021-2024 da atual gestão que já estamos entregando”, pontua o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.

O fato de ser integrado ao Centro de Operações é mais um indicativo da importância do projeto do CIE. O objetivo é contribuir com o COR, agregando informações epidemiológicas como uma pauta estratégica que deve deve interagir com os demais órgãos da gestão. A ampliação de diferentes fontes de dados, para além da área de saúde, se destaca cada vez mais na produção de informações estratégicas para a cidade.

“O CIE une a epidemiologia e a tecnologia para a disseminação de informação para a população, além de apoiar a tomada de decisão dos gestores. Um dos seus principais produtos, o Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio (EpiRio), funcionará como uma grande plataforma tecnológica, intuitiva e de fácil acesso, concentrando grande volume de informações em um portal de referência de transparência para os cariocas”, aponta o superintendente de Vigilância em Saúde do Rio e idealizador do CIE, Márcio Garcia.

A estrutura de técnicos do CIE é composta por cerca de 20 profissionais dedicados exclusivamente ao polo, além de contar com a contribuição de outros 300 de toda a rede de Vigilância do Município do Rio. Para o processo de tirar o projeto do CIE do papel, a cooperação com a OPAS/OMS foi fundamental, com a doação de equipamentos de informática de ponta e de alta capacidade de processamento de dados, além de recursos tecnológicos audiovisuais.

Qualificação profissional e informação de qualidade

O terceiro pilar do CIE é o seu núcleo de qualificação, que tem como foco a capacitação e aprimoramento técnico de profissionais da saúde internos e externos da SMS-Rio. Para os profissionais da rede municipal de saúde, está disponível Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS Nível Fundamental (Episus Fundamental Rio). Em 2021, foram três turmas formadas – mesmo número que espera-se formar este ano. Até o fim da atual gestão, em 2024, serão mais 350 profissionais capacitados nessa modalidade.

O CIE também está elaborando, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um curso de Especialização em Vigilância em Saúde com Ênfase em Epidemiologia, que tem previsão de lançamento em agosto deste ano. Além disso, voltado para os profissionais da rede municipal de saúde e para o público em geral, há ainda o projeto “Papo de Vigilância em Saúde” que, em formato de lives de debates, visa levar conhecimento e informações atualizadas sobre temas relevantes de saúde pública, com convidados discutindo e compartilhando experiências

Da SMS-Rio, com Redação

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