Apesar do baixo desempenho acadêmico, muitas faculdades de Medicina figuram entre as mais caras do país Os cursos que receberam as piores avaliações (notas 1 ou 2) no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) apresentam mensalidades elevadas, variando de 6 mil a mais de R$ 13 mil. A média é de R$ 8.600.
Ao todo, cerca de 30% das faculdades avaliadas (107) não atingiram o nível mínimo de proficiência, recebendo conceitos 1 e 2 – a maioria deles concentrada em Minas Gerais e São Paulo. Grande parte dos cursos com notas baixas pertence a grupos privados com fins lucrativos ou faculdades municipais.
O Ministério da Educação (MEC) anunciou que as 99 instituições com desempenho insuficiente sofrerão sanções, como a suspensão da criação de novos cursos, a redução de vagas em processos seletivos futuros e ainda restrições no Fies, o fundo governamental que financia o pagamento das mensalidades.
Já em relação à segurança dos pacientes, o Ministério da Saúde defende que o Enamed funcione como pré-requisito para o registro profissional de novos médicos pelos conselhos regionais de Medicina (CRMs), como uma espécie de “prova da OAB” para bacharéis de Direito para exercerem a Advocacia.
Pontos de atenção: estão Distorção Preço x Qualidade
Exemplos de valores de mensalidade:
    • Mandic (Araras/SP): Aproximadamente R$ 13.878.
    • Fam (São Paulo/SP): Cerca de R$ 11.000.
    • UNIFAI (São Paulo/SP): Aproximadamente R$ 9.000.
    • Unic e Estácio: Mensalidades a partir de R$ 11.000 em unidades com avaliações insatisfatórias. 
Os resultados do primeiro Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) revelaram que 107 cursos de Medicina (frequentemente citados como “99 cursos” em listas preliminares focadas em sanções imediatas) receberam notas 1 ou 2, consideradas insatisfatórias pelo MEC.

Embora não exista uma única tabela pública que unifique instantaneamente o valor de mensalidade de cada uma das 99 instituições em tempo real, os dados oficiais e levantamentos de portais como a Folha de S.Paulo e o G1 permitem identificar os valores mais altos entre as reprovadas.
Abaixo, os destaques das instituições com desempenho ruim (Conceito 1 ou 2), organizadas por estimativa de mensalidade decrescente: 

Instituição  Localidade Nota Enamed Mensalidade (Aprox.)
Faculdade São Leopoldo Mandic Araras (SP) 2 R$ 13.878
Centro Univ. de Adamantina (FAI) Adamantina (SP) 2 R$ 11.500
Universidade Estácio de Sá (UNESA) Angra dos Reis (RJ) 2 R$ 11.200
Faculdade das Américas (FAM) São Paulo (SP) 2 R$ 11.000
Universidade Anhembi Morumbi (UAM) S. J. dos Campos (SP) 2 R$ 10.800
Centro Universitário de Goiatuba (Unicerrado) Goiatuba (GO) 2 R$ 10.500
Universidade Brasil Fernandópolis (SP) 2 R$ 9.800
União das Faculdades dos Grandes Lagos S. J. Rio Preto (SP) 1 R$ 9.500
Centro Universitário Assis Gurgacz (FAG) Cascavel (PR) 2 R$ 9.200
Universidade Nilton Lins Manaus (AM) 1 R$ 8.900
Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) João Pessoa (PB) 2 R$ 8.700
Universidade do Contestado (UNC) Mafra (SC) 2 R$ 8.100

Leia mais

Alta reprovação no Enamed traz alerta sobre perícias médicas
Enamed: 3 entre 10 cursos de Medicina têm desempenho insatisfatório
Nota baixa no ‘Enem dos médicos’: AMB alerta para ‘risco incalculável’

Governo quer que Enamed seja exame de proficiência para médicos

Medida precisa passar pelo congresso e valeria para edições futuras
Médico com estetoscópio fala no celular. Foto: National Cancer Institute/Unsplash
© National Cancer Institute/Unsplash

O Governo Federal vai propor ao Congresso Nacional que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) se torne também um exame de proficiência, para determinar se o médico recém-formado está apto a exercer a medicina. A proposta prevê que o registro profissional dos médicos dependam do desempenho nesta avaliação.

De acordo com o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o Ministério da Saúde, o governo quer aproveitar que o Congresso já está discutindo a criação de um exame de proficiência médica para apresentar essa proposta como mais vantajosa:

Primeiro porque ele [o exame] vai ser feito no segundo, no quarto e no sexto ano (de faculdade), ou seja, ele avalia o progresso. E ele é feito pelo Ministério da Educação, que tem como interesse principal a formação médica, e não por outra entidade que possa ter qualquer outro interesse com relação a isso”, declarou o ministro em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

Padilha esclareceu que a proposta só pode entrar em vigor após uma mudança na legislação brasileira, portanto, valeria para edições futuras do Enamed e não para a edição de 2025, que teve o seu resultado divulgado esta semana. O ministro também rebateu as acusações de que o exame tenha mostrado uma realidade catastrófica da formação médica no Brasil.

A grande maioria dos estudantes tiveram um resultado muito positivo e mesmo nas instituições que foram mal avaliadas, você tem alunos que tiveram um resultado muito positivo”, destacou o ministro.

Mais importante que o Enamed são as medidas para melhorar essas instituições (que não tiveram bom desempenho) e se elas não melhorarem, elas não vão poder fazer mais vestibular, não vão poder ampliar vagas e talvez não possam nem mais funcionar”, defendeu o ministro.

De acordo com Padilha, o Enamed é apenas uma das iniciativas tomadas recentemente para aprimorar a formação médica, assim como a aprovação de novas diretrizes curriculares e a criação do Exame Nacional de Residência – Enare, prova unificada para cursos de residência de todo o país, que a partir deste ano passa a aceitar a nota do Enamed como forma de ingresso.

Exame de proficiência

A hipótese de utilizar o Enamed como exame de proficiência foi levantada pelo Conselho Federal de Medicina, mas o CFM estuda fazer isso ainda com os resultados de 2025, impedindo o registro dos formandos que tenham obtido nota insuficiente no exame. Para a entidade, o resultado do Enamed aponta um “problema estrutural gravíssimo” na formação médica do país, já que cerca de um terço dos cursos tiveram desempenho insuficiente, a maioria da rede privada ou municipal.

Por outro lado, a Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados (Abramepo) defende que a utilização do Enamed já realizado como prova de proficiência pelo CFM seria “usurpação de funções” e “oportunismo midiático”.

A reprovação de 30% dos cursos de medicina e o baixo desempenho de milhares de formandos confirmam um cenário que a entidade vem denunciando: a precarização do ensino e a necessidade urgente de uma vigilância estatal mais rígida sobre a qualidade da formação médica no Brasil. O que não se pode admitir é que uma autarquia de classe atue como um “segundo filtro” acadêmico, extrapolando suas atribuições éticas para criar barreiras ao trabalho”, declarou a Abramepo em nota.

Com Agência Brasil e Assessorias

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *