Cresce 11% ao ano a procura por produtos naturais e orgânicos no Brasil

Grandes feiras apresentam novidades esta semana em São Paulo. Conceito ESG dita tendência que preserva a saúde do planeta e do consumidor

Procura por produtos naturais aumenta em supermercados e lojas especializadas (Foto: Bio Mundo)
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A pandemia de covid-19, que obrigou o mundo inteiro a ficar em casa, fez muitos brasileiros adotarem novos hábitos e estimulou a venda de alimentos saudáveis. O Brasil já ocupa a quarta posição entre os maiores consumidores mundiais de produtos naturais. O setor vive alta e cresce 11% ao ano, ante 2,5% das comidas tradicionais.

De olho nesse mar de gente que vem procurando se alimentar de forma mais equilibrada e respeitando o meio ambiente, duas feiras de produtos orgânicos e naturais, conhecidas nacional e internacionalmente, ajudam a potencializar este mercado, refletindo as mudanças nos hábitos de consumo do brasileiro.

São Paulo sedia entre quarta-feira e sábado, dias 14 e 17 de junho, a 17ª edição da Bio Brazil Fair / Biofach América Latina e da Natural Tech, que apresentam as principais tendências e novidades do setor e servem de inspiração para quem aposta no bem-estar, na qualidade de vida e na sustentabilidade.

São mais de 700 marcas, apresentando 1.400 lançamentos a cerca de 40 mil visitantes, entre produtores, varejistas, profissionais das diversas áreas da saúde, nutrição, esportes, entre outras do mercado da saudabilidade.

ESG na prática 

O mote deste ano é como o universo natural e orgânico tem contribuído para colocar em prática no Brasil o badalado conceito de ESG (Environmental, Social and Governance – em português,  sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa), ao gerar novos negócios que promovem o desenvolvimento econômico, a inclusão social e o respeito ao meio ambiente.

Diversidade em alimentos, moda, cosméticos e produtos de higiene orgânicos são o foco da Bio Brazil Fair / Biofach América Latina, que traz tendências e conteúdos relevantes para fornecedores, entidades, produtores, entidades educacionais, órgãos governamentais e consumidor final.

Já a NaturalTech apresenta novidades em produtos naturais, integrais, probióticos, fitoterápicos, tratamentos complementares, nutrição esportiva e estética, entre outros. Chefs de cozinha, gastrônomos, nutricionistas e outros profissionais enxergam no segmento uma oportunidade de crescimento.

“Temos visto cada vez mais marcas apostando em propósitos de construir um mundo melhor. Estas são feiras voltadas para negócios, lançamentos, conteúdos, veganos e não veganos, ou seja, totalmente inclusivas e com o propósito de deixar um legado positivo para o nosso planeta”, comenta Valeska Oliveira, executiva da Francal Feiras, organizadora dos eventos.

‘Lugar de médico é na cozinha’

A programação conta com uma série de atividades durante os quatro dias, como o 14º Seminário SVB Veganismo em Foco. Mudanças climáticas e a produção de alimentos, alimentação vegana na prevenção de doenças, protagonismo vegetal nos pratos, relação custo-benefício da alimentação vegana e inovação de produtos na gastronomia plant-based são alguns dos assuntos que serão tratados.

A abertura do seminário fica a cargo de Alberto Peribanez, médico e autor dos livros “Lugar de Médico é na Cozinha” e “Cirurgia Verde”. O especialista discorrerá sobre a integração entre natureza, pequenos produtores, agentes de saúde e a erradicação da doença crônica.

Outro destaque é o seminário Orgulho em Nutrir, voltado para estudantes e profissionais da nutrição, para atualizar, apresentar cenários e fomentar discussões a respeito das principais tendências de alimentação saudável, tais como dieta planetária e alimentos e bebidas plant-based.

Está previsto o lançamento da pesquisa “O consumidor brasileiro e o mercado de alimentos plant-based”, do GFI, e do estudo “Bebidas plant-based industrializadas”, do Instituto Tecnológico de Alimentos (ITA).

Consumo de orgânicos e comida  vegana

Já o 17º Fórum Internacional da Produção Orgânica e Sustentável reunirá especialistas e produtores para falar de temas como bioinsumos, políticas públicas para o movimento orgânico e contribuições da agricultura orgânica para a produção sustentável.

Na oportunidade, será lançada a pesquisa “Panorama do consumo de orgânicos no Brasil 2022”. Conduzido pela Organis, o estudo promete trazer tendências, dados exclusivos e projeções de mercado do setor de orgânicos no país.

Para os apaixonados por comida saborosa e saudável, os eventos trazem o Festival da Cozinha Vegana, que reúnem chefs e suas criações. Já o Talk & Taste Orgânico, outra atração gastronômica, prepara receitas orgânicas e experiências com sabores do Brasil para serem degustadas pelos participantes.

Outra atração é voltada para dermatologistas: o 4º Painel de Saúde, Bem-estar e Beleza vai falar sobre os benefícios e oportunidades que a cosmética natural pode proporcionar e estabelecer uma relação entre estética e alimentação.

Ações sustentáveis: Selo Viva Verde e Kit Zero Lixo

Entre as ações de sustentabilidade, destaque para o Selo Viva Verde, campanha que conscientiza e engaja expositores a adotarem ações que reduzam, a cada edição, a quantidade de lixo e resíduos de seus estandes.

Outra novidade é a parceria com Greener para o cálculo e compensação de carbono do evento, gestão de resíduos in loco e a ação Kit Zero Lixo, que incentiva o visitante a trazer de casa seu kit e colaborar na redução de lixo e resíduos durante as feiras.

No segmento mercadológico, acontece ainda a Maratona do Lojista, série de palestras e mentorias para auxiliar o público presente a montar um negócio de produtos naturais do zero, além da tradicional Rodada de Negócios.

Os eventos são realizados, simultaneamente, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. As datas e horários específicos de cada atração e todos os demais conteúdos podem ser conferidos no link.

Mercado em ascensão

O Brasil é considerado um dos mercados mais promissores para a venda de produtos naturais, movimentando em média US$ 35 bilhões (algo em torno de R$ 181,6 bilhões) e alcançando o quarto posto no ranking global dos países que mais vendem alimentos e bebidas saudáveis, de acordo com estudo recente da consultoria Euromonitor International.  

Um exemplo é a marca Bio Mundo, nascida em Brasília. Somente no primeiro trimestre de 2023, a rede – que já tem 150 lojas espalhadas em 18 estados em apenas 7 anos de história – alcançou a marca de R$ 52 milhões em faturamento, o equivalente a 20% em relação ao ano anterior. A marca também registrou crescimento de 15% no número de clientes em nível nacional.

O mercado de suplementos alimentares também é promissor. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) aponta que o consumo desses produtos aumentou 10% em cinco anos. No último ano de pesquisa, 59% dos lares brasileiros possuíam pelo menos uma pessoa consumindo suplementos alimentares.

Além disso, 72% dos brasileiros aumentaram os cuidados com a alimentação nos últimos tempos. Das pessoas que consomem os suplementos alimentares, 85% utilizam esses produtos buscando benefícios para a saúde, enquanto 69% deles aliam esse consumo à prática de atividades físicas.

Com informações da Francal Feiras e da Bio Mundo

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