Osteoporose: consequências vão além da dor e das fraturas

Deformidades, redução da mobilidade e até depressão acometem pessoas com osteoporose. Não há sintomas visíveis até que ocorra uma fratura

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Caracterizada pelo aumento da porosidade dos ossos, levando a um enfraquecimento que os torna mais propensos a fraturas, a osteoporose é um problema de saúde significativo no Brasil, especialmente entre mulheres na pós-menopausa e idosos. Por ser uma doença que pode avançar sem sintomas, até que tenha consequências mais graves, acredita-se que, dos cerca de 10 a 15 milhões de brasileiros que convivem com a doença, apenas 20% foram diagnosticados.

Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens a partir dos 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida, sendo que acima de 70 anos essa taxa de 50% afeta ambos os sexos.  Os impactos das fraturas causadas pelo enfraquecimento ósseo provocados pela osteoporose são alarmantes.

A Abrasso estima que até 24% dos pacientes morrem um ano após sofrerem fraturar no quadril e que 40% desses pacientes precisam de ajuda para se locomover e ainda 33% dos pacientes com fratura de quadril ficam totalmente dependentes ou em casa de repouso no ano seguinte à fratura. As fraturas no quadril causadas pela doença possuem um índice de óbito de 20% por conta de tromboembolismo pulmonar ou sangramento.

A fim de conscientizar as pessoas sobre os riscos da osteoporose e importância de se prevenir e diagnosticar precocemente para evitar seu agravamento, foram instituídos o Dia Mundial e o Dia Nacional da Osteoporose, celebrados em 20 de outubro. A data alerta para a adoção de cuidados relacionados com essa que é uma doença silenciosa.

“Não há sintomas. O osso vai ficando fraco até que ocorra uma fratura”, explica o reumatologista Leandro Parmigiani, do Hospital Edmundo Vasconcelos. No entanto, com o avanço da doença, além da fratura, começam a ocorrer inúmeras complicações que impactam severamente a qualidade de vida dos pacientes.  Segundo ele, a osteoporose pode oferecer consequências graves que vão além das fraturas.

“O risco de ocorrer uma nova fratura nestas pessoas é maior. Há pacientes que persistem com dor no local da fratura, deformidades, redução de mobilidade, dificuldade de locomoção e depressão”, destaca o especialista.

Por que a doença atinge mais as mulheres na menopausa?

osteoporose é uma doença provocada pela perda progressiva da densidade da massa óssea, tornando os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Combater os fatores mais importantes que causam a doença é o melhor caminho para garantir ossos mais fortes e saudáveis.

A maior causa da doença está associada à deficiência de estrogênio, que ocorre após a menopausa, atingindo principalmente às mulheres. Por isso a osteoporose é mais comum no público feminino, devido à redução de hormônios com o fim dos ciclos menstruais. Mas esse não é o único fator.

“O histórico familiar da doença, a existência de fraturas prévias, tabagismo, estatura baixa, pouco peso, doenças osteometabólicas, má nutrição ou absorção dos alimentos, uso de alguns medicamentos, ingestão excessiva de álcool e sedentarismo estão entre alguns dos fatores de risco ligados à doença”, explica Leandro Parmigiani.

Conheça os dois tipos de osteoporose

Há dois tipos de osteoporose: a primaria e a secundária. A primaria se subdivide em duas: a osteoporose primaria tipo 1 é mais prevalente em mulheres após a menopausa, fase da vida feminina em que há redução significativa dos níveis de estrógeno, principal hormônio feminino. Além disso, o envelhecimento também é uma das causas mais prevalentes para a osteoporose primaria tipo 2, que se manifesta com o a falta de reservas de cálcio.

Já a osteoporose secundária está associada a insuficiência renal crônica, hipertireoidismo, uso de medicamentos como corticoides, doenças hepáticas e inflamatórias intestinais e artrite reumatoide.

Segundo Marcia Veloso, reumatologista do Centro de Saúde da Mulher da Unidade Campo Belo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a osteoporose inicialmente não incomoda as pessoas. Dessa forma, a ausência de dor pode prejudicar o diagnóstico precoce.

Geralmente, os incômodos surgem com a fratura dos ossos, que pode ocorrer de forma espontânea ou em decorrência de traumas. Nesse contexto, as fraturas de costelas, punho, úmero e colo do fêmur são as mais comuns e dolorosas, afirma a especialista.

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Dor crônica é um dos sintomas da osteoporose

De acordo com Diego Fonseca, endocrinologista do Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM), pessoas com a doença podem apresentar dor crônica, especialmente na coluna vertebral, quadris e punhos; postura encurvada e perda de altura, que levam a uma perda considerável da mobilidade e independência para realizar tarefas do dia a dia, além do risco aumentado de morte.

“Além de aumentar as chances de fraturas com traumas, a osteoporose pode levar a fraturas por fragilidade como, por exemplo, de quadril, que apresentam quase 30% de mortalidade em até 1 ano após o evento”, destaca o médico.

O especialista explica que as alterações hormonais que acometem as mulheres, especialmente na menopausa, estão entre as causas de perda óssea neste grupo. Além disso, também podem causar a doença uma dieta pobre em cálcio e vitamina D, bem como a manutenção de hábitos de vida não saudáveis, como o consumo excessivo de álcool, alimentação desequilibrada, sedentarismo e fumo.

“O envelhecimento da população e fatores genéticos também são responsáveis por ampliar as chances de desenvolver o problema. Por isso, é fundamental realizar o acompanhamento médico periódico, sobretudo quando há histórico familiar”, reforça Dr. Fonseca.

Fazem parte do grupo de risco, ainda, portadores de outras doenças endócrinas, como diabetes ou hiperparatireoidismo ou demais problemas como a doença celíaca, colite, doença de Crohn, artrite reumatoide, hemofilia, talassemia ou insuficiência renal, entre outras.

Densitometria óssea permite o diagnóstico

Segundo Leandro Parmigiani, para prevenção da doença é essencial que haja uma mudança no estilo de vida, com uma alimentação rica em cálcio, sol diário para absorção da vitamina D, prática de exercícios físicos com carga como a musculação, controle de doenças existentes e evitar o tabagismo e o excesso de álcool.

O diagnóstico da doença acontece a partir da realização da densitometria óssea, por meio de exames laboratoriais e na presença ou não de fraturas ósseas observadas pelo raio-X, além de uma análise da história clínica do paciente.

O especialista do Cejam frisa a importância de uma atuação preventiva para evitar o desenvolvimento da doença ou seu avanço. O rastreamento da osteoporose é realizado através de densitometria óssea, radiografias, exames de urina e sangue e através do FRAX, uma ferramenta que auxilia o médico na decisão de tratamento mesmo na ausência de densitometria óssea.

Tratamento medicamentoso com reumatologista

Para o tratamento da doença, Leandro ressalta que a primeira medida é identificar a causa e tratar da doença de base. No caso da osteoporose pós-menopausa, o objetivo é evitar a perda de massa óssea e evitar fraturas.

“Há medicamentos disponíveis que conseguem reduzir a reabsorção óssea como os bisfosfonatos. Também existem opções para aumentar a formação e remodelamento ósseo, como a teriparatida e romosozumabe. Todos os tratamentos têm suas indicações e contraindicações, por isso é importante consultar um reumatologista nesta decisão e acompanhamento”, avalia o especialista.

Aqueles que já possuem baixa densidade óssea ou histórico de fraturas devem buscar auxílio médico para que o tratamento seja iniciado o quanto antes, evitando novas fraturas.

“O tratamento da osteopenia, fase inicial da osteoporose, inclui medidas medicamentosas e não medicamentosas, sempre integrando atividades físicas, como musculação e caminhadas, que contribuem para o aumento e preservação da massa óssea, além de suplementação de minerais e vitaminas”, esclarece.

Segundo Marcia Veloso, o tratamento é individualizado, além de poder ser complementado com a prescrição de medicamentos ou até mesmo pela realização de cirurgias, que ocorrem nos casos de fraturas no punho, quadril e próximo ao osso do braço, conhecido como úmero, dependendo da gravidade do caso.

Além disso, as especialidades de fisioterapia e nutrição, devem trabalhar em conjunto com a reumatologia e a ortopedia para auxiliar na reabilitação dos pacientes e na prevenção de novas fraturas.

Prevenção com mudança no estilo de vida

Consumir alimentos que favorecer o ganho de massa óssea é uma das principais recomendações. Dr. Fonseca orienta a ingestão de cálcio através de uma dieta rica em leites e derivados, como iogurtes e queijos; outros alimentos com boa concentração de cálcio e vitamina D, como sardinha, castanha-do-pará, ovos e repolho, além de verduras escuras, como espinafre, couve e brócolis.

O endocrinologista orienta que, quando o paciente apresentar níveis baixos de vitamina D, deverá incluir em sua rotina cerca de 15-30 minutos de exposição moderada ao sol, preferencialmente antes das 10h ou após as 16h; e, quando necessário, a reposição oral dessa vitamina.

A prática regular e adequada de exercícios físicos de resistência e impacto, como atividades aeróbicas e musculação, é também uma das principais formas de prevenção e de tratamento da osteoporose. Outro ponto importante, é evitar o consumo excessivo de bebida alcoólica e abandonar o tabagismo.

Cuidados devem começar ainda na infância

Para a prevenção e diagnóstico precoce da osteoporose é interessante que as pessoas busquem ajuda médica para avaliar seu quadro clínico, como a realização de exames de rotina para checar a dosagem de vitamina D e como está o cálcio no sangue e urina, independentemente de sua faixa etária.

Embora seja um doença relacionada à maturidade, osteoporose deve começar a ser prevenida ainda na infância, com a formação de uma boa reserva óssea, o que só é possível com a manutenção dos lácteos na dieta das crianças e dos adolescentes, já que se constituem na principal fonte de cálcio.

Por isso, os ensinamentos sobre os cuidados com a saúde devem ocorrer ainda na primeira infância. A adoção de uma dieta balanceada desde a infância, até para as pessoas com faixa etária mais avançada é fundamental.

“Em qualquer fase da vida, mais precisamente na fase inicial, as crianças que realizarem uma dieta saudável composta por elementos oriundos do cálcio, por exemplo, terão um desfecho melhor na vida adulta sobre problemas relacionados a fraturas ósseas”, disse a dra Márcia.

Dicas para um ambiente seguro e prevenir quedas

Manter espaços entre os móveis para garantir melhor circulação;

Aumentar a iluminação dos ambientes e assim, evitar se locomover em locais escuros;

Procurar sentar-se para colocar e retirar vestimentas, como calças, meias e sapatos;

Eliminar tapetes dos ambientes;

Nos banheiros, pisos antiderrapante, barras de apoio e vaso sanitário elevado são fundamentais;

Colocar proteção nas quinas dos móveis;

Manter os objetos na altura das mãos;

Utilizar calçados com solado antiderrapante.

Com Assessorias

 

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