Como se explica no cérebro o desejo irresistível de tomar café

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Estou há exatos três meses sem tomar uma gota de café sequer, uma restrição imposta por ordem médica, para tratar uma gastrite. Nunca tinha imaginado o quanto a bebida me fazia falta, até ser torturada diariamente pelos colegas de redação com aquele cheirinho simplesmente irresistível. Confesso, cortar o café da rotina diária é uma medida devastadora, mas necessária. Afinal, a cafeína é considerada um dos principais agressores do estômago.

Mas, afinal, o café realmente faz mal à saúde? Em que situações? E quando pode ser um aliado? Centenas de estudos ao redor do mundo buscam desvendar os mistérios, poderes e riscos dessa bebida que há milhões de ano seduz tantas pessoas. Conheço amigos que são, literalmente, viciados! Mas o que faz do café esta bebida tão encantadora, repleta de fãs?

Neste 24 de maio, quando se celebra o Dia Nacional do Café, o Blog Vida e Ação destaca um estudo  realizado por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) que investiga, por meio de ressonância magnética, como o cérebro se comporta com esse intenso estímulo olfativo.  Para Silvia Oigman, pesquisadora do Idor, o segredo do café pode estar na riqueza de seus compostos voláteis (que se dissipam no ar) que podem ter centenas de nuances olfato-gustativas atraentes para a grande maioria das pessoas.

“O café é uma potência em aromas! Ele contém mais de mil compostos voláteis, nunca vistos em nenhuma outra espécie vegetal. Um café de boa qualidade, processado corretamente, possui diversas notas sensoriais como chocolate, caramelo, nozes… O cheiro e o sabor são muito atraentes e são um dos grandes responsáveis pelo seu consumo”, explica a neurocientista.

Para Silvia, um bom café é uma explosão sensorial para quem o degusta. Isso porque o aroma de café ativa fortemente regiões importantes no cérebro, responsáveis pela sensação de prazer e bem-estar. Ela lidera um grupo de pesquisadores que investiga, por meio de ressonância magnética, como o cérebro se comporta com esse intenso estímulo olfativo.

De acordo com a neurocientista, o café pode gerar mais do que simplesmente bem-estar físico e emocional. Segundo Marcelo Cossenza, pesquisador do Idor e da Universidade Federal Fluminense – UFF, um de seus compostos mais famosos, a cafeína, possui uma série de efeitos benéficos para o corpo e para o cérebro.

“A cafeína possui uma série de efeitos benéficos para o corpo e para o cérebro, favorecendo a funcionalidade cognitiva, melhorando a percepção, reduzindo a fatiga, melhorando a consolidação da memória, prevenindo a depressão, reduzindo a diabetes do tipo 2 e até reduzindo os sintomas associados à doença de Parkinson. Além disso, ela é muito conhecida por suas propriedades analgésicas e termogênicas, sendo muito utilizada pela indústria farmacêutica”,  explica Cossenza.

“Com tantos benefícios para o corpo e para a mente, seja pelo aroma, pelo gosto ou pela saúde, o que não falta são motivos para se entregar a um bom café”, destaca a neurocientista

História e curiosidades

Conta a lenda que, há mais de mil anos, um pastor da Etiópia notou que suas cabras ficavam mais despertas e dispostas ao saborear o fruto avermelhado de alguns arbustos da região. A observação foi compartilhada com um monge amigo, que decidiu experimentar o poder dos frutos, criando uma bebida a partir de sua infusão. A nova bebida o ajudava a resistir ao sono durante suas longas horas de leitura e oração. Logo a descoberta se espalhou por entre os monastérios islâmicos do Yemen, popularizando a bebida e seu uso.

Mas foi na Arábia que o café ganhou seu nome e começou a ganhar sua fama. Foram os árabes que tiveram a ideia de torrar os grãos antes de transformá-los em bebida. A partir de 1615, o café começou a ser saboreado no continente europeu, levado por viajantes constantes do oriente médio. Ali, a bebida encantou italianos, franceses e alemães, mas foram os holandeses os primeiros a conseguir cultivar a planta naquele continente. Dali para que o café pudesse conquistar o mundo, foi um pulo.

Hoje o café e o chá são as bebidas mais consumidas mundialmente, perdendo apenas para água. De acordo com a Organização Internacional do Café (ICO, na sigla em inglês) cerca de 2 bilhões de xícaras de café são consumidos diariamente no mundo. O Brasil é o maior produtor e exportador de café, responsável por 32% da produção mundial e é o segundo maior consumidor, com um consumo anual de 4,90kg ou 81 litros/per capita, perdendo apenas para os EUA.

Fonte: Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino – IDOR, com redação

 

 

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