Causas, sinais e prevenção: dá para evitar o parto prematuro?

Mudanças na secreção vaginal, pressão pélvica, dor lombar, cólica com ou sem diarreia podem ser sinais de trabalho de parto precoce

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Normalmente, espera-se que uma gestação dure 9 meses, o que varia entre um período de 37 a 42 semanas , mas nem sempre essa é a realidade. Bebês que nascem antes de 37 semanas de gestação são chamados de prematuros. Já a prematuridade extrema ocorre quando o bebê nasce com menos de 28 semanas de gestação, enquanto a prematuridade tardia acontece entre 34 e 36 semanas e seis dias. No entanto, todos os casos podem gerar complicações.

“Além do risco alto de mortalidade, crianças que nascem precocemente podem ter dificuldades no desenvolvimento digestivo, respiratório, de linguagem e do desenvolvimento global”, pontua Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa/SP, membro da Febrasgo e especialista em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein.

O nascimento prematuro se tornou a principal causa de mortes infantis, representando um em cada cinco de todos os óbitos notificados antes dos 5 anos. Além disso, uma série de sequelas podem durar por toda a vida, provocando atrasos no desenvolvimento do bebê que nasce prematuramente, tornando-o mais propenso a ter problemas respiratórios, neurológicos, visuais, cardíacos e digestivos, por exemplo.

Complicações enfrentadas por bebês prematuros

O nascimento precoce pode desencadear uma série de condições que afetam não apenas a saúde da mãe, mas também a do bebê. O parto fora de hora pode causar doenças respiratórias, hemorragias cerebrais, infecções, problemas pulmonares e hepáticos. Sobre as complicações de longo prazo, estão possíveis sequelas neurológicas, respiratórias e outros problemas metabólicos, renais e cardíacos.

Entre as dificuldades enfrentadas pelos bebês prematuros e os cuidados especiais que eles necessitam, os recém-nascidos pré-termo extremos exigem cuidados especiais em sala de parto, suporte ventilatório devido à imaturidade do sistema respiratório e nutrição parenteral, além de outros cuidados na UTI Neonatal.

O pediatra Heloísio dos Reis, do hospital Mater Dei Santa Clara, em Uberlândia (MG), enfatizou que a alta hospitalar ocorre quando o bebê apresenta controle da temperatura corporal, aceita a dieta e não necessita de oxigênio suplementar. O acompanhamento médico regular a longo prazo é crucial para avaliar o crescimento e desenvolvimento do bebê.

“O nascimento de um bebê prematuro é um evento preocupante para os pais”, observou o Dr. Heloisio. Ele destacou a importância da equipe da UTI Neonatal em compreender e apoiar os pais, permitindo que participem dos cuidados ao filho e recebam orientações seguras.

Fatores de risco para o parto prematuro

O tema ganha ainda mais força durante o Novembro Roxo, marcado pelo Dia Mundial da Prematuridade (17), através da divulgação de iniciativas e atividades que promovem partos mais seguros. A ONG Prematuridade.com, como membro da Rede Mundial de Prematuridade (World Prematurity Network), une-se todo ano aos esforços globais da EFCNI e da March of Dimes para promover a campanha.

“”Outros fatores podem levar ao parto prematuro: ausência do pré-natal, fumo, álcool, drogas, estresse, sangramento vaginal, diabetes gestacional, obesidade, baixo peso, distúrbios de coagulação e gestações muito próximas (menos de 6 a 9 meses entre o nascimento de um bebê e ficar grávida novamente)”, explica Carlos Moraes.

A prematuridade ocorre por uma série de motivos, incluindo o estilo de vida da mãe, condições de saúde, estresse materno, acesso à assistência médica adequada, infecções durante a gestação e complicações como pressão alta ou pré-eclâmpsia. Também são considerados fatores de risco gestação múltipla, insuficiência istmocervical, rotura prematura de membranas.

“Fatores relacionados ao estilo de vida atual, em que as mulheres optam pela maternidade mais tarde, após os 35 anos, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a ampliação do uso de métodos como a fertilização in vitro – que favorece gestações gemelares, consideradas de alto risco –, podem contribuir para o aumento gradual dos casos de prematuridade no país”, observa Heloisio dos Reis, pediatra do hospital Mater Dei Santa Clara, em Uberlândia.

Principais causas do prematuro

Sintomas como contrações a cada 10 minutos ou mais, mudanças na secreção vaginal, pressão pélvica, dor lombar, cólicas menstruais, cólica abdominal com ou sem diarreia podem ser sinais de trabalho de parto precoce. As principais causas são:

– Bolsa rota/ruptura prematura de membrana (RUPREME ou ROPREMA)

– Hipertensão crônica

– Pré-eclâmpsia

– Síndrome de Hellp

– Insuficiência istmo-cervical

– Descolamento prematuro da placenta

– Placenta prévia

– Malformações uterinas

– Infecções uterinas

– Gestação múltipla

– Malformações fetais

Prevenção começa no pré-natal

Embora alguns casos de nascimento prematuro sejam inevitáveis, muitos podem ser prevenidos. Os especialistas alertam sobre a importância da realização correta do pré-natal, para prevenir e identificar doenças precocemente.

“A prevenção da prematuridade se inicia antes mesmo da gestação, com o planejamento familiar adequado, seguido do acompanhamento pré-natal, garantindo o bom desenvolvimento da gravidez, a saúde materna e um parto bem-sucedido”, diz Carlos Moraes.

Sobre a prevenção, o Dr. Heloisio destacou a importância do pré-natal adequado, controle do estresse materno e a conscientização sobre as causas que podem levar à prematuridade. No entanto, ele enfatizou que, em alguns casos, é difícil prever e evitar totalmente esse desafio.

Para Anatalia Lopes de Oliveira Basile, coordenadora geral do Programa Parto Seguro, uma iniciativa do Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, muitos óbitos neonatais podem ser evitados a partir do pré-natal qualificado.

“Infelizmente, muitos bebês acabam chegando mais cedo, o que pode gerar impactos negativos, dependendo da situação.  Sabemos que existem muitas variáveis que podem afetar a gravidez, e que não dependem somente desse serviço. Entretanto, é possível, muitas vezes, identificar, a partir dele, tanto os problemas maternos como os fetais, facilitando possíveis tratamentos e aumentando as chances de uma melhor qualidade de vida da mãe e recém-nascido”, destaca a Dra. Anatalia.

Pré-natal deve começar ainda no primeiro trimestre da gravidez

É somente a partir do pré-natal que é possível o encaminhamento da gestante para serviços qualificados, considerando fatores de risco e morbidades presentes na gestação. O acompanhamento adequado de pré-natal, realização de todos os exames necessários e tratamentos de infecções e doenças são algumas formas de diminuir as chances de se ter um parto prematuro e até reduzir a mortalidade.

De acordo com superintendente de Unidades Próprias e Pré-Hospitalares da SES-RJ, a obstetra Penélope Saldanha, é importante que o pré-natal seja realizado ainda no primeiro trimestre da gestação para poder identificar precocemente os fatores que podem levar a ocorrência de uma prematuridade.

“Um parto antecipado pode acontecer espontaneamente ou por conta de indicações ou complicações tanto maternas quanto fetais. Ainda durante o pré-natal é essencial identificar infecções e cuidar da saúde odontológica. Além disso, temos o exame de ultrassonografia e os cuidados para as mulheres que são hipertensas e diabéticas”,  afirma.

A neonatologista Erika Yashiro, coordenadora do São Luiz Campinas, também reforça que a prevenção da prematuridade começa com cuidados pré-natais de qualidade. “É essencial realizar todas as consultas e exames previstos para este período, tomar as vacinas necessárias e adotar hábitos de vida mais saudáveis”, orienta Dra Erika.

Outro aspecto importante da prevenção da prematuridade é a conscientização sobre as complicações médicas que podem levar a partos prematuros. “Identificar esses fatores precocemente e receber o tratamento adequado é crucial”, alerta.

Erika também enfatiza a importância de um estilo de vida saudável para as mulheres, destacando a necessidade de uma alimentação equilibrada, prática regular de exercícios de orientação médica e prevenção do consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas. Tais medidas são fundamentais na redução do risco de parto prematuro.

Como prevenir o parto prematuro

Algumas medidas simples podem evitar que o bebê nasça antes do tempo. São elas:

– Assim que o resultado der positivo, avise seu médico imediatamente. Quanto antes o pré-natal for iniciado, melhor para a mãe e para o desenvolvimento do feto.

– Revele ao médico o seu histórico de saúde. Doenças crônicas e reações alérgicas que você já apresentou, história familiar, assim como o histórico de saúde do pai do bebê.

– Mantenha-se numa faixa de peso adequada. Converse com o obstetra e, se preciso, faça acompanhamento com nutricionista.

– Evite bebidas alcoólicas. Durante a gestação, o álcool pode ter efeitos bastante nocivos para a criança, incluindo retardo mental, dificuldades de aprendizagem, defeitos na face e problemas de desenvolvimento.

– Não fume. O cigarro aumenta chances de parto prematuro, do bebê nascer com baixo peso e da morbimortalidade dos recém-nascidos.

– Não se automedique. Mesmo que seja uma simples dor de cabeça ou um enjoo, consulte seu médico para saber o que pode tomar.

– Se não houver restrições, faça atividade física. De preferência, com acompanhamento profissional.

– Mantenha seu calendário de vacinação atualizado. Converse com seu obstetra sobre o assunto, pois algumas vacinas são contraindicadas na gravidez, enquanto outras necessitam de reforço.

– Não se esqueça do ácido fólico e da vitamina B12. Eles evitam que o bebê desenvolva malformações e danos no sistema nervoso. O consumo do ácido fólico deve ser iniciado antes mesmo da concepção do bebê.

– Esteja alerta para sangramentos e observe líquidos e secreções vaginais.

Com Assessorias

 

 

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