Casos de Alzheimer devem triplicar até 2050 no mundo

‘Nunca é muito cedo, nunca é muito tarde’ é o tema da campanha pelo Dia Mundial do Alzheimer este ano. Conheça os fatores de risco

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Forma mais comum de demência neurodegenerativa, a Doença de Alzheimer atinge cerca de 35 milhões em todo o mundo, majoritariamente em pessoas idosas. Com o crescente envelhecimento da população, a enfermidade tende a se tornar cada vez mais comum. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca uma tendência preocupante de aumento nos diagnósticos, atribuída ao envelhecimento da população. Projeções da Alzheimer’s Disease International indicam que esses números podem chegar a 74,7 milhões em 2030 e 131,5 milhões em 2050.

Segundo o Ministério da Saúde, ela afeta mais os idosos, sendo responsável por mais da metade dos casos de demência na população com mais de 65 anos. A pasta divulgou recentemente que atualmente cerca de 100 mil casos de Alzheimer são diagnosticados por ano no Brasil. A pesquisa ainda revela que mais de 1,2 milhão de brasileiros sofrem de Alzheimer e mais de 2,3 milhões apresentam algum tipo de prejuízo cognitivo.  Além disso, estima-se que mais de 70% das pessoas idosas que vivem com demência não são diagnosticadas.

Setembro também é o Mês Mundial da Doença de Alzheimer, uma campanha internacional da Alzheimer’s Disease International (ADI) para aumentar a conscientização sobre a demência e desafiar o estigma. Neste ano, o tema da campanha Setembro Lilás“Nunca é muito cedo, nunca é muito tarde” – enfatiza os fatores de risco associados com a demência para mostrar a importância em retardar e prevenir o início da doença, uma vez que o número de pessoas com Alzheimer deve quase triplicar até 2050.

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É possível prevenir o Alzheimer?

A incidência cada vez maior vem também aumentando o conhecimento da doença, que não tem cura e a pergunta mais comum é: é possível prevenir o Alzheimer?

“As causas da doença não são 100% conhecidas e há um componente genético importante nas chances de desenvolver a doença. Porém, já se sabe que a adoção de certos hábitos ao longo da vida e o acompanhamento de índices de saúde influenciam, em muito, o aparecimento da doença”, explica a médica endocrinologista Alessandra Rascovski, idealizadora da iniciativa ‘Cérebro em Ação’.

Os fatores que podem reduzir o risco de demência são manter um estilo de vida saudável; dormir bem; consumir menos álcool; não fumar; fazer exames auditivos regulares e, se for necessário, usar aparelhos auditivos; evitar ferimentos graves na cabeça; e garantir o acesso à educação para as crianças, com uma boa nutrição e exercícios físicos regulares.

Muitos fatores de risco também estão associados às desigualdades sociais e econômicas. Os principais fatores de risco da doença são a idade, o histórico familiar e a baixa escolaridade.

Os principais fatores que afetam a incidência da doença

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), que contou com a participação de 9.412 pessoas de diferentes regiões, níveis socioeconômicos e etnias, com idade média de 63 anos, revelou os 12 fatores de risco mais associados ao desenvolvimento de demência no Brasil. Estima-se que cerca de 2 milhões vivam com demências — o Alzheimer corresponde à maior parcela. Para 2050, a projeção é de que esse número chegue a cerca de 6 milhões de pessoas — um aumento de 200%.

Hipertensão. Manter a pressão arterial controlada é fundamental e é considerado um dos mais importantes fatores para prevenir a doença, mas não só ela: diversas complicações cardíacas podem ser evitadas, além de casos de AVC. “O ideal é sempre ter uma medição de até 13 por 9”, explica a especialista. Quem já tem a doença, que também tem causas genéticas, deve usar medicação diária para controlar os índices.

Estilo de vida. Controlar o peso e manter um estilo saudável, com a prática de exercícios físicos, não fumar e consumir bebida de forma moderada, são fundamentais: a obesidade, o tabagismo, o alcoolismo e o sedentarismo também são causas importantes nas chances de desenvolver a doença. “A gente vê que são fatores ligados à saúde como um todo e faz sentido: o cérebro não está alheio à saúde do resto do corpo”, comenta Alessandra Rascovski.

Bem estar. Depressão e isolamento social são outras das possíveis causas para aumento nas chances de desenvolver a doença. “A gente sabe que a pandemia fez com que esses índices aumentassem muito por conta das medidas sanitárias. Mas é importante que as pessoas retomem seus contatos sociais, mesmo que aos poucos, e busquem acompanhamento psicológico e ajuda, caso tenham dificuldade. Somos seres sociais e precisamos estar em contato para vivermos com bem estar”, afirma a médica.

Contexto socioeconômico. O nível de escolaridade é considerado o principal fator para a doença. O estímulo ao cérebro e o aprendizado são ferramentas fundamentais para a saúde do órgão. Outro fator de contexto social é a poluição do ar, também apontada como de risco para o Alzheimer. “Países em desenvolvimento, como o Brasil, tem uma população mais vulnerável a esses fatores. A falta de equidade no acesso aos serviços com certeza atrapalha a saúde da população e é um fator que precisa de atenção dos governos”, ressalta.

Diabetes. Doença multifatorial das mais incidentes em todo o mundo, o diabetes também influencia o cérebro, inclusive nas chances de desenvolvimento do Alzheimer. Segundo a especialista, “aqui entra a fórmula de controle de peso e alimentação saudável. Para quem já foi diagnosticado, o uso correto e controlado da medicação contribui para um melhor manejo da doença”.

Multifatores. A pesquisa também encontrou mais dois fatores que influenciam no desenvolvimento da doença: a Perda auditiva e o Trauma Craniano. “Nesse caso, além de sempre ir ao oftalmologista para manter a saúde auditiva em dia, são causas mais longe do controle. O trauma normalmente acontece por conta de acidentes”, pontua a médica Alessandra Rascovski.

Agenda Positiva

Cristo Redentor e Congresso recebem iluminação roxa

Para celebrar o Dia Mundial e também o Dia Nacional de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer, neste sábado, dia 23, acontece a quinta edição do Cérebro em Ação, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, das 10h às 16h. Durante o evento, os participantes poderão realizar avaliações e medições de taxas como glicemia e pressão arterial, entre outros exames, para que possam conhecer como anda a sua saúde.

Esse serviço – batizado de “Circuito Cerebral” – será uma grande inovação desta edição, aponta a especialista. Além disso, durante todo o dia serão promovidas atividades físicas, meditação, dança circular, música como terapia, yoga e muito mais.

“São estandes onde os participantes poderão compreender melhor o caminho da prevenção e realizar avaliações como aferimento de pressão, bioimpedância, avaliação com otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos, medição de glicemia e outras dinâmicas, pontuando seus desempenhos e resultados”, explica a médica endocrinologista Alessandra Rascovski, idealizadora da iniciativa ‘Cérebro em Ação’.

Para marcar a data, o Palácio do Congresso Nacional, em Brasília, recebe iluminação na cor lilás, no período de 21 a 23 de setembro. No Rio de Janeiro, para marcar a data, o monumento ao Cristo Redentor será iluminado na cor roxa nesta quinta-feira, 21 de setembro, das 22h às 23h.

“O Cristo Redentor, ao longo dos anos, promove iluminações especiais. Mais uma vez sensibilizamos o olhar de toda a sociedade para uma questão importante de cidadania e saúde. É fundamental o acompanhamento diário, com muito carinho, da pessoa com Alzheimer”, diz o reitor do Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor, Padre Omar.

O objetivo da ação é mostrar a importância do diagnóstico e tratamento desse transtorno neurodegenerativo progressivo que se manifesta por deterioração cognitiva e da memória, comprometendo as atividades da vida diária e provocando alterações comportamentais.

Com Assessorias

 

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