O tempo é o recurso mais valioso na oncologia. No Brasil, onde o sistema de saúde muitas vezes enfrenta gargalos que retardam exames e biópsias, cada dia de espera pesa não apenas no prognóstico clínico, mas no estado emocional de quem recebe o diagnóstico.

Um estudo publicado pelo prestigiado British Medical Journal (BMJ) corrobora essa urgência: atrasos de apenas um mês no início do tratamento podem aumentar o risco de morte em até 13%.

Para a professora paulistana Celina Ferreira de Farias Carvalho, de 56 anos, essa “corrida contra o tempo” teve um desfecho de superação, graças à combinação de autopercepção corporal e uma rede de assistência ágil.

Sintomas silenciosos e o choque do diagnóstico

A jornada de Celina começou com sinais que muitos poderiam ignorar: constipação e sensação de estufamento abdominal. Embora parecessem leves, a persistência dos sintomas a acendeu um alerta. “Já fazia algum tempo que eu vinha acompanhando casos semelhantes, como o da cantora Preta Gil. Decidi me organizar para consultar um especialista”, conta a professora.

Após uma consulta com a médica do trabalho, Celina foi encaminhada para uma colonoscopia. O exame revelou seis pólipos. Enquanto cinco foram removidos durante o procedimento, o último, por seu tamanho, exigia uma intervenção cirúrgica imediata sob suspeita de malignidade.

O impacto emocional foi instantâneo. “Fiquei profundamente preocupada e quase entrei em depressão. Naquele momento, não podia contar para ninguém, nem para minha filha ou familiares, para não gerar preocupação extra”, relembra. O silêncio, comum a muitos pacientes que temem o peso da palavra “câncer”, foi quebrado pelo acolhimento da equipe de saúde.

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A importância da jornada assistencial coordenada

A agilidade na marcação da cirurgia e dos exames complementares foi o divisor de águas. O laudo pós-cirúrgico confirmou o que se temia: neoplasia maligna do cólon. No entanto, como a retirada do tumor ocorreu de forma célere, as chances de cura foram maximizadas.

Segundo Leandro Veloso, diretor médico da Croma Oncologia, onde Celina foi atendida, o grande desafio da área não é apenas o acesso à tecnologia, mas o tempo de chegada até ela. “Tempo, em oncologia, significa vida. O objetivo é que o paciente não se perca em burocracias. A jornada deve ser imediata e estruturada”, explica o especialista.

Para Celina, o diferencial foi não ter que lidar com a organização logística sozinha em um momento de fragilidade. “Eu não tinha condições psicológicas para lidar com toda a organização. Recebi um cuidado genuíno. A cada consulta, saía mais confiante e fortalecida”, diz ela.

Mensagem de superação

Hoje, Celina segue em acompanhamento periódico, com a tranquilidade de quem venceu a etapa mais crítica. Para quem acaba de receber um diagnóstico positivo, ela deixa um conselho baseado em sua própria vitória:

Não tenha medo de buscar ajuda e de se cercar de profissionais de confiança. Permita-se sentir, mas também se apoiar em quem pode caminhar ao seu lado. Você não está sozinho nessa jornada.”

Confira abaixo o relato de Celina na íntegra:

“Quando recebi o diagnóstico, quase entrei em depressão”

Quando recebi o diagnóstico de um possível câncer no intestino, fiquei profundamente preocupada e quase entrei em depressão. Naquele momento, não podia contar para ninguém, nem para minha filha, familiares ou amigas para não gerar preocupação extra. Já fazia algum tempo que eu vinha acompanhando casos semelhantes, como o da cantora Preta Gil.

Apesar de não apresentar sintomas graves, apenas constipação e sensação de estufamento abdominal, decidi me organizar para consultar um médico especialista. Durante uma consulta com a médica do trabalho, Dra. Daniela, compartilhei minha preocupação e imediatamente me deu a guia para o exame de colonoscopia.

No exame, foram encontrados seis pólipos: cinco foram removidos na hora, mas o último, maior, causou certa preocupação. O especialista orientou que a cirurgia fosse realizada o quanto antes. A partir daí, iniciou-se toda a mobilização com a equipe médica da empresa onde trabalho, que foi essencial para viabilizar o procedimento.

Eu não tinha condições psicológicas para lidar com toda a organização sozinha. Por meio dessa equipe maravilhosa, fui encaminhada à Croma Oncologia, que fez toda a diferença no meu tratamento. Desde o primeiro contato por telefone com a enfermeira responsável, passando pelo atendimento atencioso dos colaboradores da recepção, até o acompanhamento dos médicos especialistas, especialmente o Dr. Ivan e o Dr. Antônio, junto com toda a equipe, senti um cuidado genuíno e acolhedor a cada passo.

Durante as consultas, os médicos realizavam uma anamnese detalhada para compreender melhor meu histórico familiar e minha saúde. As consultas eram longas, justamente pelo cuidado em conhecer cada detalhe da minha vida. Fiquei muito clara a sensação de que ali eu não era apenas mais uma paciente, eu era a paciente, com atenção e dedicação exclusivas. A cada consulta, saia mais confiante e fortalecida, com a sensação de que estava exatamente no lugar certo e que tudo daria certo. Esse apoio fez toda a diferença na minha jornada.

A agilidade em todos os processos fez uma enorme diferença no meu tratamento, desde consultas e exames até a cirurgia. A equipe estava sempre atenta, inclusive indicando a unidade mais próxima e o melhor trajeto para chegar à clínica. Após a conclusão do laudo pós-cirúrgico, que indicou “189 – Neoplasia maligna do cólon, não especificada”, todos os procedimentos foram ainda mais rápidos, garantindo que eu recebesse o cuidado necessário sem demora.

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