A união de sete importantes associações médicas, entre elas a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), conduz ações ainda mais inclusivas e abrangentes em 2025 com a campanha Outubro Rosa. As iniciativas visam ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama, contempladas agora pela recomendação do Ministério da Saúde, aliada às indicações das entidades médicas, para a realização da mamografia a partir dos 40 anos de idade.

A mobilização mais uma vez une Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Federação Brasileira das Associações de Ginecologia Obstetrícia (Febrasgo).

De acordo com Tufi Hassan, presidente da SBM, a ação conjunta tem o propósito de direcionar esforços para ampliar a prevenção, o acesso a exames e atendimento e também combater a desinformação sobre o câncer de mama a partir do movimento Juntos Somos Mais Fortes. 

O projeto Outubro Rosa 2025, colocado em curso pela união e a força de sete das mais importantes sociedades médicas do Brasil, reforça que o câncer de mama tem cura se for diagnosticado precocemente. ‘Juntos somos mais fortes’ para enfrentar de forma eficiente uma doença que tanto sofrimento traz às mulheres brasileiras e suas famílias”, finaliza Tufi Hassan.

Juntamente com o enfrentamento da doença, as ações da campanha visam combater as fake news por meio de informações confiáveis, disponibilizadas no site juntossomosmaisfortes.org.br. Desde o ano passado, o site tem prestado um serviço inestimável de esclarecimento à população brasileira.

A ação coordenada pelas entidades médicas conta com a participação dos personagens da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. A proposta, segundo o presidente da SBM, é expandir a abrangência das informações, envolvendo, principalmente, o público jovem.

Ação é inspirada no Departamento de Saúde Inclusiva da SBM

Este ano, o projeto Outubro Rosa reflete a ampliação de seu alcance também no slogan da campanha: “Juntos somos mais fortes – para todos”. Essa amplitude, segundo Tufi Hassan, tem como inspiração a criação de um departamento na SBM voltado à inclusão, reforçando o compromisso da entidade em aprimorar a atenção para toda a população, agora com um olhar especial às pessoas com deficiência.

Se em 2024, alicerçamos nossas ações na campanha ‘Juntos somos mais fortes’, este ano, com o lançamento do Departamento de Saúde Inclusiva, o slogan do Outubro Rosa vai ganhar ainda mais relevância: ‘Juntos somos mais fortes – para todos’”, completa.

Segundo ele, o Departamento de Saúde Inclusiva surge com o propósito de garantir que a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama sejam acessíveis a todas as mulheres, independentemente de suas condições físicas, sensoriais e cognitivas.

A SBM, que já é pioneira por agregar outras seis associações no projeto Outubro Rosa, agora também inova e se destaca como primeira sociedade médica do País a criar um departamento dedicado à inclusão, reforçando o seu compromisso em ampliar a atenção para toda a população, agora com um olhar especial às pessoas com deficiência”, afirma Tufi Hassan.

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Ampliação do acesso à cirurgia reparadora da mama

A perspectiva da campanha Outubro Rosa 2025 de expandir o acesso ao tratamento do câncer de mama é contemplada por várias iniciativas. Uma delas tem o respaldo da Lei nº 15.171/2025, que passa a vigorar a partir de novembro. A nova regra amplia o direito das mulheres de recorrerem ao SUS (Sistema Único de Saúde) e também à saúde suplementar, que engloba o atendimento por operadoras e planos privados, para realizar cirurgia reparadora de mama.

De 74 mil mulheres submetidas à mastectomia no SUS, apenas 20% passam pela reconstrução mamária. A demanda, embora considerada expressiva, seja pela aceitação da própria paciente em se submeter ao procedimento ou por condições de disponibilidade para a realização da cirurgia, encontra hoje um panorama melhor que no passado, segundo Tufi Hassan.

Além da atuação das sociedades médicas para que os direitos das mulheres sobre cirurgias reparadoras de mama sejam ampliados por meio de leis, a Sociedade Brasileira de Mastologia é pioneira no Estado de São Paulo em cursos hands on de formação em cirurgia oncoplástica de reconstrução mamária.

Atualmente, a SBM promove o aprimoramento da cirurgia mamária oncoplástica com cursos em Goiânia, Jaú e Salvador, bem como por meio da Jornada Brasileira de Oncoplastia, realizada anualmente, e de parcerias com instituições internacionais.

O Brasil, aliás, é modelo de sucesso de treinamento e preparação de cirurgiões de mama em técnicas oncoplásticas, pois 50% dos mastologistas brasileiros já realizam estas cirurgias. É o que revela um estudo realizado entre os mastologistas afiliados da SBM e publicado na Annals of Surgical Oncology (ASO).

Comparativamente, a Sociedade Americana de Cirurgiões de Mama constatou que apenas 10% de seus membros realizam mamoplastia redutora ou simetrização contralateral. Levantamento canadense revelou resultados semelhantes.

Luta por maior disponibilidade de medicamentos

Com a participação da SBM, um estudo revela diferenças no tratamento do câncer de mama oferecido no SUS e pela saúde suplementar. A pesquisa mostra nos dois sistemas de saúde o impacto do acesso ao trastuzumabe, medicamento essencial para pacientes com câncer de mama HER2+, subtipo particularmente agressivo associado a altas taxas de mortalidade.

O levantamento indica a importância e a urgência de equiparar a acessibilidade a esta droga, que combinada com a quimioterapia no tratamento neoadjuvante aumenta a taxa de resposta patológica completa, ou seja, a eliminação total do tumor.

No Brasil, aproximadamente 75% da população depende de tratamento no SUS. O trastuzumabe passou a fazer parte do rol de medicamentos para tratar o câncer de mama HER2+ em julho de 2012 e começou a ser distribuídos em hospitais públicos em janeiro de 2013.

Além do trastuzumabe combinado com a quimioterapia, outro medicamento, chamado pertuzumabe, também aprovado para tratamento de câncer de mama HER2+, continua amplamente indisponível no SUS. Neste sentido, o Outubro Rosa é uma oportunidade, segundo o presidente da SBM, para a ampliação do acesso aos medicamentos, especialmente na rede pública de saúde.

Triplo-negativo

câncer de mama triplo-negativo, que representa um alto índice de mortalidade no Brasil, especialmente entre mulheres jovens, é tema de investigação científica por especialistas da SBM, com a participação de pesquisadores de várias universidades e hospitais brasileiros, sinalizando a necessidade de acesso e tratamento mais rápido para as pacientes da rede pública de saúde, com melhores resultados. O levantamento também dimensiona os custos do tratamento no SUS.

Diferentemente de outros tipos de câncer de mama, esta forma agressiva da doença não responde a terapias hormonais, tornando a quimioterapia a principal opção de tratamento. Entre as novas drogas há o pembrolizumabe, imunoterapia usada especificamente para o tripo-negativo, mas que ainda não está disponível no SUS.

De acordo com o estudo, o custo do tratamento no SUS aumenta conforme o câncer triplo-negativo avança. Para uma paciente em estágio inicial (I), o gasto médio mensal com quimioterapia é de US$ 101,87 (cerca de R$ 570), enquanto para uma mulher com câncer avançado (estágio IV), o valor sobe para US$ 314,77 (cerca de R$ 1.760) na primeira linha de tratamento e pode ser ainda maior em fases mais avançadas. No total, o SUS pode gastar mais de US$ 625 mil por paciente que precisa tratar a doença em estágio avançado.

Saiba mais sobre o Departamento de Saúde Inclusiva da SBM

Pioneira, nova divisão da SBM pretende ampliar o acesso a consultas, diagnósticos e tratamentos a PCDs, incentivar pesquisas, parcerias estratégicas e contribuir para delinear políticas públicas de saúde

As mulheres representam mais da metade das pessoas com deficiência no Brasil, revela o Censo 2022.  De 14,4 milhões de pessoas com deficiência (PCD) no Brasil, 8,3 milhões são mulheres. Com base em dados de 2019, o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) destaca ainda que 4,9 milhões são surdas, o que exemplifica uma condição importante para o atendimento dessa população nos serviços públicos e privados de saúde.

As barreiras de comunicação enfrentadas por essa população, as dificuldades de acessibilidade a consultas, diagnósticos e tratamentos, associadas à falta de preparo para acolhimento nos serviços de saúde relacionados ao câncer de mama, motivaram a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) a criar, de forma pioneira no País, um departamento voltado à inclusão. A data escolhida para o lançamento do Departamento foi o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21 de setembro).

De acordo com a mastologista Mônica Travassos, vice-presidente da SBM – Região Sudeste e responsável pelo Departamento de Saúde Inclusiva, a iniciativa traz consigo a urgência de um olhar integral à população. “Se quisermos mudar a realidade do câncer de mama no País, precisamos dar passos acertados em busca de uma transformação na abordagem da saúde, de forma que ciência, cuidado humano e responsabilidade social caminhem juntos”, afirma.

Com o propósito de garantir que a prevenção, o diagnóstico e o tratamento do câncer de mama sejam acessíveis a todas as mulheres, independentemente de suas condições físicas, sensoriais e cognitivas, o Departamento de Saúde Inclusiva da SBM elenca diversos objetivos.

Um deles, direcionado a mastologistas, prevê a capacitação dos especialistas para uma atuação empática e inclusiva. Pesquisas sobre o impacto do câncer de mama em pessoas com deficiência também devem ser incentivadas pelo novo departamento. Ao mesmo tempo que pretende integrar organizações e especialistas em inclusão à iniciativa da SBM, a expectativa é de que o trabalho inspire também outras sociedades médicas para a importância da inclusão.

As ações do Departamento de Saúde Inclusiva preveem a realização de campanhas acessíveis em libras, audiodescrição, sempre priorizando a linguagem simples. Nos congressos promovidos pela Sociedade Brasileira de Mastologia, painéis sobre inclusão devem ganhar destaque. Nas parcerias estratégicas, a SBM vai buscar a cooperação de entidades atuantes em direito de pessoas com deficiência.

De forma ainda mais abrangente, acreditamos que as iniciativas e os propósitos do novo departamento da SBM possam contribuir para delinear políticas públicas que ampliem a prevenção e o tratamento do câncer de mama para um grande número de pessoas com deficiência que tantos obstáculos enfrentam para ter direito à saúde”, conclui a mastologista Mônica Travassos.

Jornada Paulista de Mastologia abre espaço para ONGs

Encontro reúne em São Paulo especialistas brasileiros e convidados internacionais em torno de atualizações, diretrizes e novas pesquisas científicas sobre o câncer de mama

De 1º a 4 de outubro de 2025, São Paulo será palco da 21ª Jornada Paulista de Mastologia, um dos maiores e mais influentes eventos da especialidade na América Latina. Organizada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), por meio da SBM Regional São Paulo, a Jornada marca a abertura do Outubro Rosa e reunirá mais de 1.500 especialistas do Brasil e do exterior para discutir avanços, diretrizes e pesquisas sobre o câncer de mama.

Neste ano, a Jornada inova ao abrir espaço para ONGs e entidades sociais que atuam na conscientização, no diagnóstico precoce e acesso ao tratamento. A integração da sociedade civil à programação amplia o impacto do evento e reforça o papel da mastologia além dos consultórios e centros de pesquisa.

O evento terá palestras, mesas-redondas e debates com nomes de destaque da mastologia internacional, incluindo convidados dos Estados Unidos, Escócia, Espanha, Itália e Argentina, tanto presencialmente quanto on-line. A SBM segue firme no investimento em pesquisa, formação técnica e políticas públicas que promovam inovação, acessibilidade e qualidade nos tratamentos.

Queremos transformar avanços científicos em benefícios reais para a população”, ressalta o presidente da Regional São Paulo, Eduardo Carvalho Pessoa. “O combate ao câncer de mama exige ação contínua, responsabilidade social e comprometimento com cada paciente.”

Fonte: SBM

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