O monitoramento da Mpox voltou a ganhar prioridade na agenda de saúde pública brasileira neste primeiro bimestre de 2026. De acordo com o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde, o país já contabiliza 88 casos confirmados da doença desde o início do ano. Embora o volume de notificações acenda um sinal de alerta, as autoridades reforçam que, até o momento, a maioria dos pacientes apresenta quadros leves a moderados, sem o registro de óbitos em território nacional este ano.
A preocupação global foi amplificada nesta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que confirmou o surgimento de uma nova variante recombinante (uma mistura dos clados Ib e IIb). A cepa já foi identificada no Reino Unido e na Índia, o que levanta discussões sobre a capacidade de mutação do vírus e a necessidade de vigilância genômica constante para entender os riscos de disseminação internacional.
Concentração de casos e disparidades nos dados estaduais
O estado de São Paulo lidera as estatísticas nacionais com a maioria das notificações. Segundo os dados federais, são 62 registros em solo paulista, concentrados principalmente na capital (31 casos), mas com ocorrências espalhadas por municípios como Campinas, Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes.
Entretanto, há divergências pontuais entre os órgãos: a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP) reporta 50 casos confirmados, um número ligeiramente inferior ao balanço do Ministério. No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) confirmou 11 casos até o dia 24 de fevereiro, destacando que o volume é inferior ao registrado no mesmo período de 2024, quando houve 92 confirmações.
Outros estados com registros em 2026 incluem:
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Rondônia: 4 casos
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Minas Gerais: 3 casos
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Rio Grande do Sul: 2 casos
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Paraná: 1 caso
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Distrito Federal: 1 caso
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Sintomas, transmissão e formas de prevenção
A Mpox é causada pelo vírus Monkeypox e sua transmissão ocorre principalmente pelo contato pessoal próximo com lesões de pele, fluidos corporais ou gotículas respiratórias. O sintoma mais característico é a erupção cutânea — feridas que se assemelham a bolhas e podem atingir rosto, mãos, pés e áreas genitais.
Principais sinais:
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Febre e calafrios;
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Dor de cabeça e dores musculares;
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Gânglios inchados (ínguas);
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Apatia e cansaço extremo.
Para evitar a contaminação, o Ministério da Saúde recomenda evitar o contato direto com pessoas que apresentem sintomas e não compartilhar objetos de uso pessoal, como toalhas e lençóis. A higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel continua sendo uma barreira eficaz.
Em caso de suspeita, a orientação é o isolamento imediato e a busca por uma unidade de saúde para diagnóstico laboratorial. No Rio de Janeiro, informações detalhadas podem ser consultadas no painel Monitora RJ, da Secretaria de Estado de Saúde.
Entenda a importância da abordagem One Health
A recorrência de surtos de Mpox e o surgimento de variantes reforçam a necessidade da aplicação do conceito de One Health (Saúde Única). Esta visão integrada reconhece que a saúde humana está intrinsecamente conectada à saúde animal e ao equilíbrio do meio ambiente.
Sendo a Mpox uma zoonose viral (transmitida de animais para humanos), a degradação ambiental e a proximidade crescente entre populações humanas e animais silvestres facilitam o “transbordamento” (spillover) de vírus. Combater a crise climática e preservar ecossistemas são estratégias fundamentais para prevenir que novas variantes ou doenças emergentes se tornem ameaças globais.




