O Carnaval de Rua do Rio de Janeiro é cada vez mais diverso, inclusivo e, sobretudo, sem estigmas de qualquer natureza. Além da saúde mental, puxada por blocos como Tá Pirando, Pirado, Pirou!, Loucura Suburbana e Zona Mental, como mostramos aqui, bloquinhos e blocões também abraçam outras causas, como a saúde em geral da população, o Sistema Único de Saúde (SUS), a inclusão de pessoas com deficiência e a luta anticapacitista; a preservação do meio ambiente e até a prática de esportes de aventura, que faz bem à saúde.
O Portal ViDA & Ação selecionou alguns blocos conhecidos – outros nem tanto – que têm a ver com a nossa proposta de mais saúde, bem-estar e atitude sustentável. Como O SUS Resiste, Eu Não, O Remédio é o Samba, Orquestra Voadora, Sargento Pimenta, Senta Que eu Empurro, Cata-Latas do Grajaú e Só o Cume Interessa. Confira mais detalhes abaixo:
Só o Cume Interessa – O bloco reúne cerca de 300 foliões, no bucólico bairro da Urca, na zona sul do Rio de Janeiro. Criado por um grupo de montanhistas que só querem saber do cume, o bloco desfila na Urca, conhecida não somente porque o rei Roberto Carlos mora lá e pelo bondinho do Pão de Açúcar, mas pelas belas trilhas do local. O bloco desfila neste sábado (3), das 10 às 16h, com concentração na Praça General Tibúrcio.

O SUS Resiste, Eu Não — Ainda para celebrar a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), uma referência mundial no atendimento à população, que provou sua força e resistência sobretudo na pandemia da Covid-19, um grupo de foliões sai todos os anos pelas ruas do Leme, na Zona Sul da cidade. A concentração do bloco O SUS resiste, Eu Não começa neste sábado (3), às 13h, na Praça Almirante Júlio de Noronha.
Senta Que eu Empurro – E como o Carnaval é para todos, o Senta Que Eu Empurro tem como missão dar visibilidade e integrar as pessoas com deficiência (PCDs) – muitas delas, cadeirantes – de maneira divertida, promovendo alegria e autoestima, além de quebrar preconceitos. O bloco foi fundado em 2008 por PCDs no bairro do Catete, reúne cerca de 1 mil pessoas e se concentra na sexta-feira de Carnaval, dia 9, das 14 às 22 horas, no Largo do Machado.
Cata-Latas do Grajaú – O bloco anima seu bairro de origem com muito samba no Carnaval. O bloco tem a intenção de difundir a preservação do meio ambiente e respeito por meio de enredos autorais. Criado em 2011, o Cata-Latas reúne cerca de 500 foliões, que se concentram na Praça Nobel 14, no Grajaú, neste domingo (4), das 16 às 22 horas.
O Remédio é o Samba – Todo mundo sabe – ou ao menos deveria saber – que samba cura. Então, nada mais autêntico – e verdadeiro – que o bloco O Remédio é o Samba, fundado em 2000 por médicos e amantes do samba de raiz, especialmente integrantes da Velha Guarda da Mangueira e do Salgueiro. O grupo sempre coloca em sua camisa temas relacionados à saúde da população. A concentração é na Avenida Atlântica 3.246, em Copacabana, no sábado, dia 10 de fevereiro, às 16h. O público estimado é de 5 mil foliões.
Sargento Pimenta – Gigante do Carnaval de Rua do Rio, que arrasta 80 mil foliões, segundo a Riotur, ou meio milhão de pessoas, segundo seus organizadores, com sua emblemática trilha dos Beatles em ritmo de samba também promove um Carnaval inclusivo no Aterro do Flamengo. Além de manter intérpretes de Libras em seu trio, o Sargento Pimenta abre espaço acessível para pessoas com deficiência auditiva, visual, física, intelectual ou múltipla e seus acompanhantes.
Imperdível para quem é fã dos Beatles, o bloco foi fundado em 2011 e seu nome é uma referência ao álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, e o repertório é formado principalmente por versões de canções da banda de rock britânica, interpretadas com arranjos de samba, marcha, maracatu e outros ritmos brasileiros. Até o Príncipe Harry, quando veio solteiro ao Brasil em 2017, não resistiu e caiu no samba. Como muitos outros blocos, o Sargento Pimenta fica parado, na altura do número 75 da Avenida Infante Dom Henrique, na Glória, na segunda-feira de Carnaval, dia 12, das 8 às 12h.
Orquestra Voadora – Pioneira na defesa da causa das pessoas com deficiência (PCDs) no Carnaval carioca, a Orquestra Voadora, em seu tradicional desfile na terça-feira de Carnaval, no Aterro do Flamengo, traz desde 2018 e sua Ala PcD, com 30 integrantes. O bloco criado em 2008 tem intérprete em Libras e audiodescrição – ambas de forma adaptada à realidade do carnaval de rua, e o reconhecimento prévio do espaço com descrição pormenorizada do local e do trajeto. Saiba mais aqui.
O bloco acumula mais de 12 anos de pista e como diz, ‘’sem escalas’’! Com voo panorâmico e movido a muita alegria — melhor combustível para ocupar e festejar a rua como um espaço democrático – a Orquestra Voadora faz dos seus batuques, percussão e metais, uma linda viagem com composições próprias e grandes clássicos da música mundial, misturando samba, rock, pop, funk, maracatu e afrobeat como propulsão para seus voos, passando pelas maiores capitais do país e da Europa. O bloco domina o Aterro do Flamengo no dia 13/2, das 13 às 19h, com concentração na altura da Rua Infante Dom Henrique 735 e percurso até o Museu de Arte Moderna (MAM), na Glória.
Irreverência e bom humor dão o tom dos blocos
Só o Cume Interessa, que sai na Urca, é um dos blocos cariocas que exploram trocadilhos nos nomes, para a diversão de seus seguidores. Há pérolas como o Põe na Quentinha, criado pelo fotógrafo Berg Silva, especializado em gastronomia, que morreu em 2022 e se apresenta no Baródromo, no bairro do Maracanã; e o impagável Já Comi Pior Pagando, ironicamente um bloquinho bem família tijucana, criado por donos de um restaurante no tradicional bairro da Zona Norte.
Tem ainda Butano na Bureta, Balança Meu Catete, Chroma Aqui Na Minha Mão, Pinto Sarado e muitos outros de nomes engraçados, alguns mais novinhos, outros com décadas de história, como os clássicos Rola Preguiçosa – Tarda, Mas Não Falha, que desfila há 30 anos em Ipanema, e Vai Tomar no Grajaú, no bairro de mesmo nome. Vale tudo para chamar a atenção e fazer a alegria dos cariocas e visitantes da cidade.

Confira a agenda de blocos de rua deste final de semana:
Veja abaixo a programação dos blocos de rua do Rio para este final de semana. E se você ainda não se decidiu, não tem problema. O site Carnaval de Rua, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, traz uma agenda detalhada dos principais blocos da cidade. O aplicativo Partiu Bloquimmm permite encontrar os blocos oficiais por geolocalização. O app está disponível em todas as plataformas digitais.
Com informações do site Blocos de Rua e do aplicativo Partiu Bloquimmm