Aumenta interesse dos brasileiros por veganismo

46% dos brasileiros já deixam de comer carne por vontade própria pelo menos uma vez por semana, apontou pesquisa Ipec

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Considerado antes como um lifestyle de nicho, associado sempre a tribos urbanas, hoje o veganismo aumenta a cada dia e se firma entre a população. Hoje, no Brasil, como no resto do mundo, vem crescendo o número de adeptos do vegetarianismo e do veganismo e cada vez mais pessoas estão adotando esse processo na maneira de se alimentar e viver. Também aumenta o contingente depessoas que estão reduzindo os alimentos de origem animal no dia a dia, os chamados flexitarianos.

Ainda há poucos dados que demonstram com exatidão a quantidade de veganos no país. Mas um levantamento da Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec – ex-Ibope) em 2021 mostrou que 46% dos brasileiros já deixam de comer carne por vontade própria pelo menos uma vez por semana. O estudo mais recente sobre o tema, realizado pelo Ibope Inteligência em 2018, revela que 14% dos brasileiros se declaram vegetarianos. Esse número representa um aumento de 75% em relação ao mesmo levantamento feito em 2012.

Em questões como saúde e meio ambiente, estudos científicos comprovam os riscos do consumo de carne e a relação deste hábito com casos de câncer e problemas cardiovasculares. Da mesma forma, estudos internacionais revelam que a produção de carne e laticínios é responsável por 60% das emissões de gases do efeito estufa da agropecuária.

“Em relação à saúde, estudos comprovam que uma alimentação vegana, sem nada de origem animal, é segura e mais do que isso, é benéfica à saúde e está associada à maior longevidade, principalmente porque a dieta sem nada de origem animal não inclui os lácteos e ovos, grandes fontes de gorduras saturadas e colesterol da dieta, gorduras essas diretamente associada ao desenvolvimento das principais doenças crônicas não transmissíveis como as cardiovasculares, diabetes e obesidade que são as maiores causas de morte precoce no mundo”, complementa Alessandra Luglio, nutricionista e consultora da marca.

O Dia Mundial do Veganismo, em 1 de novembro,  surgiu em 1994, durante as comemorações dos 50 anos da fundação inglesa The Vegan Society, instituição vegana mais antiga do mundo e responsável pela oficialização do termo “vegan”.  “Hoje, o veganismo por meio de uma nova relação com os animais impacta em outras questões importantes da nossa vida”, diz Ricardo Laurino, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Fundada em 2003, a entidade é criadora do Selo Vegano, programa que concede certificação confiável a produtos de diversos ramos, e celebra a data destacando o avanço do movimento pelo não consumo de carnes e produtos de origem animal, apontando o aumento progressivo de brasileiros que têm aderido a esse estilo de vida.

Respeito pela vida animal, conscientização ambiental e busca por uma alimentação saudável e livre de riscos são os principais argumentos que pautam a existência do movimento vegano, que tem adquirido cada vez mais adeptos. Isso tem provocado um impacto socioeconômico positivo, com o surgimento de novos mercados especializados, que atendam esse público desde a alimentação até a vestimenta, passando por produtos cosméticos, de higiene, farmacêuticos e diversos itens produzidos sem nada de origem animal.

“Entendemos que a conscientização e a decisão por deixar de consumir produtos de origem animal é um processo lento, que enfrenta fatores culturais, hábitos e conceitos arraigados, e essa mudança acontece aos poucos. Mas, percebemos que muitas pessoas têm diminuído o consumo de carne e já fazem questão de adquirir produtos que não tenham sido testados em animais”, diz Laurino.

Entenda o conceito de veganismo

O termo vegano foi criado em 1944 por um grupo de vegetarianos que rompeu com a Sociedade Vegetariana de Leicester, na Inglaterra. Com a separação, o grupo criou a Sociedade Vegana, que escolheu não consumir laticínios, ovos ou quaisquer outros produtos de origem animal, além de abster-se de carne, assim como os adeptos do vegetarianismo.

Com o tempo, o veganismo cresceu não apenas como um tipo de dieta, mas como um estilo de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade animal por meio do não consumo de alimentos, roupas, cosméticos, remédios ou calçados com qualquer traço de origem animal.

Para o veganismo todos os animais são criaturas sencientes – que sentem dor, prazer, medo, entre outros sentimentos – e os mesmos têm direito a vida e à liberdade. Os veganos também se opõem ao estresse psicológico e físico que os animais podem suportar como resultado das práticas agrícolas modernas.

Dessa forma, eles são contra o uso de gaiolas, moagem de pintinhos machos vivos pela indústria de ovos, agressão a patos e gansos para a produção de foie gras, confinamento animal para a produção de ovos, carne e leite, entre outras práticas exploratórias.

Nesse estilo de vida não há nenhum tipo de produto ou alimento de origem animal ou seus derivados. O ideal vegano pressupõe que durante a vida o indivíduo deve excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade.

O veganismo não se resume apenas a uma dieta. Os veganos não apoiam ou investem recursos em nada que envolva sofrimento, inclusive de outros seres humanos. Circos com animais, roupas com peles de animais – incluindo couro –, rodeios, cosméticos e produtos de higiene testados em animais, produtos sabidamente produzidos por trabalhadores em condições desumanas e tantos outros itens estão fora da vida de uma pessoa vegana.

Crescimento no mercado até 2030

Empresas de todos os portes, estabelecimentos e conteúdos em redes sociais estão cada vez mais divulgando e criando produtos para esse público consumidor, o que tem tornado o veganismo mais visível, além de baratear os custos dos alimentos especializados, o que facilita a adaptação para os novos veganos.

Um estudo da Allied Market Research aponta que o mercado vegano foi avaliado em US$ 19,7 bilhões em 2020, apresentando expectativa de crescimento para mais de US$ 36,3 bilhões até 2030. Um levantamento encomendado pela CNN Brasil ao Ministério da Economia aponta que nos últimos 10 anos aumentou em 500% o número de empresas abertas com o termo “vegano” no nome.

“Várias marcas são conscientes e vendem alimentos de qualidade comprovada. Vale uma avaliação criteriosa e prestar atenção sempre aos rótulos obrigatórios”, explica Edgard Calfat, cofundador e sócio da foodtech Mahta. Ele indica que, preferencialmente, a dieta vegana deve ser composta por alimentos integrais frescos, frutas, verduras e legumes, se possível, orgânicos e comprados direto do produtor.

Max Petrucci, sócio fundador da Mahta, ressalta que “não devemos apenas olhar para a parte alimentar, mas para todas as cadeias produtivas que estão atuantes no mercado com a proposta vegana. O veganismo deve ser “de verdade” e não apenas uma moda passageira. Com um pouco de boa vontade, pesquisa e foco nas vítimas (os animais), qualquer pessoa pode se tornar vegana. Não há limitação de classe social, gênero ou idade. Basta que haja informação e vontade”, conclui.

A preocupação com a sustentabilidade do planeta, os benefícios comprovados de uma dieta vegana para a saúde, e o crescimento de conteúdos em redes sociais tornando o veganismo mais visível estimularam a Verdali a criar uma ampla linha de proteínas plant-based com várias opções para atender tanto veganos e vegetarianos, quanto flexitarianos e pessoas que querem reduzir o consumo de proteínas de origem animal.

Com Assessorias

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