Desde o dia 16 de julho, o ator, produtor e empreendedor social Fábio Almeida Mateus, de 46 anos, trava uma luta pela vida. Após sofrer uma fratura do fêmur, o ator, que tem diabetes, contraiu uma pneumonia no ambiente hospitalar, fazendo um quadro de sepse (infecção generalizada), e seu estado é gravíssimo. Não bastasse o drama, a família teve que enfrentar uma batalha judicial com a Unimed Rio para conseguir a transferência do Hospital Evangélico, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, já que a unidade não dispõe de todo o aparato técnico e humano de que ele precisa.

Procurada para esclarecimentos, a assessoria de imprensa da Unimed Rio ficou de enviar um posicionamento sobre a situação de Fábio Mateus à Redação do Portal ViDA & Ação, o que não ocorreu até o momento. Mas, horas após a reportagem, ainda na noite de terça-feira (29), foi oferecida a transferência para o Hospital Norte D´Or, em Cascadura. Segundo a família, assim que chegou à instituição, Fábio foi submetido a diversos exames e está reagindo ao tratamento – ele precisa controlar o quadro de infecção para conseguir operar a perna fraturada.

Fábio Mateus Almeida é representante da categoria profissional dos artistas no Conselho Nacional de Comunicação Social do Senado Federal, pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos do Rio de Janeiro (Sated-RJ). Apaixonado pelas artes cênicas, é fundador e coordenador geral da Escola de Cinema Encontrarte Audiovisual, na Baixada Fluminense. Seu quadro de saúde vem mobilizando a classe artística na região e também centenas de amigos que já realizaram campanhas para doação de sangue e se reúnem diariamente para orações por sua recuperação.

Fábio Mateus Almeida é idealizador do Encontrarte, principal evento de teatro da Baixada Fluminense (Foto: Linkedin Fabio Almeida)

No dia 16 de julho, o ator sofreu uma queda de um tablado onde fazia uma filmagem, durante show em Queimados, e fraturou o fêmur. Levado para o Hospital Evangélico, no Rio, Fábio foi internado inicialmente na enfermaria. Mas seu quadro se agravou e no dia 19 de julho ele foi transferido para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde permaneceu internado até a noite de 27 de julho, correndo risco de morte.  No CTI da unidade, o ator acabou contraindo uma infecção hospitalar, contra a qual tem lutado há mais de um mês.

Entenda o imbróglio com a Unimed Rio

O problema com a Unimed Rio começou, conforme publicado nesta terça-feira (29) pelo jornal Extra, quando Fábio precisou aguardar dois dias pela liberação de uma cirurgia de fêmur e autorização para compra do material que seria utilizado no procedimento.

A situação se agravou, e a operadora se recusou a transferir o paciente para o Hospital da Unimed, na Barra da Tijuca, por “não ter cobertura contratual porque não consta no rol da ANS como obrigatório”, diz a nota.

A família conseguiu reverter uma decisão inicial, favorável à Unimed Rio, sob pena de multa de R$ 1 mil por dia de descumprimento. Mas a operadora não cumpriu. Na decisão mais recente, a Unimed Rio deve cumprir a liminar que determina a transferência sob pena de multa de R$ 10 mil por dia.

“No caso em exame, se faz necessária uma ponderação entre os valores constitucionais envolvidos, ou seja, a dignidade da pessoa humana e o direito à vida e à saúde, de um lado, e o direito patrimonial, de outro. E, indubitavelmente, o primeiro deve prevalecer”, diz o documento.

Falta infraestrutura para atender o caso

De acordo com a jornalista Bernadete Travassos, esposa de Fábio, o Hospital Evangélico não contava com a infraestrutura necessária para atender à complexidade do caso, conforme avaliação dos médicos contratados pela família que o assistem.

“O Hospital Evangélico não tem condições (de manter Fábio internado), teria que ter um nefrologista e um endocrinologista para equilibrar as taxas dele. Contratei uma médica intensivista (Camila Drummond) e um infectologista (Izidoro Flumighan), que também é professor na PUC, para acompanharem ele. Os dois fizeram laudos recomendando a necessidade de transferência”, conta Bernadete. 

Amigo da família, o médico nefrologista e professor da Uerj e Estácio, Edison Souza, também visitou Fábio diversas vezes, principalmente quando estava em coma induzido, acompanhando de perto o processo de diálise, ao qual ele foi submetido e segue fazendo, agora de modo intermitente.

“Continuamos colocando liminar após liminar, mesmo com Unimed Rio se negando a transferir Fábio para o Hospital da Unimed Rio ou para unidade com recursos terapêuticos equivalentes, como Hospital São Lucas, em Copacabana, Casa de Saúde São José, no Humaitá, Clinica São Vicente, na Gavea, e Hospital Quinta D’Or, em São Cristóvão. São os que têm os recursos disponíveis em UTI que Fábio necessita. Estamos nessa luta desde domingo e vamos conseguir”, escreveu ela.

‘Amigos do Fábio’: grupo acompanha diariamente evolução de Fábio

No grupo ‘Amigos do Fábio’, no whatsapp, a jornalista Bernadete Travassos mantém informados sobre o quadro do ator, diariamente, mais de uma centena de amigos e familiares, sempre com muita fé e otimismo. O grupo tem promovido orações diárias, coletivas e individuais, e até jejum dos membros, em benefício da melhora de Fábio.

“Seus sinais vitais estavam estáveis, apenas com a temperatura um pouco baixa. Continua no respirador que ele comanda quando necessita. Alguns parâmetros estão melhores, outros não. Está tomando cinco antibióticos para combater a bactéria que causou a pneumonia e a outra que está no sangue. O médico explicou que Fábio agora usa um analgésico mais forte que o tramal”, escreveu ela, sobre o quadro encontrado durante a visita de segunda-feira (28) com mais dois amigos.

Durante a visita de segunda, ela conta que Fábio estava acordado e ficou emocionado quando um dos amigos colocou o nariz de palhaço. “Aí Anderson brincou e ele sorriu. Conseguimos entender quando ele pediu ao Wagner para tirá-lo dali”, relatou Bernadete. Segundo ela, Fábio estava mais ativo, porém, continua com os braços inchados. “O médico da rotina no CTI, dr. Ricardo, afirmou que iriam fazer um doppler de seus braços no final da tarde”.

Hospital Evangélico garante oferecer o ‘tratamento necessário’

Em nota, a Rede Hospital Casa – que administra o Hospital Evangélico – informou na terça-feira que seguia “comprometida no atendimento e cuidado com o paciente e sua família”. Segundo a empresa, Fábio estava “em cuidados permanentes de toda a equipe do hospital e recebendo o tratamento necessário para o seu quadro”.

No entanto, o hospital não deu detalhes sobre o quadro de saúde e as complicações que o ator sofreu. A rede informou que não tem autorização para compartilhar informações sobre pacientes hospitalizados em suas unidades. “Os boletins médicos e atualizações sobre o estado de saúde dos pacientes só podem ser divulgados com autorização e pedido da família ou do mesmo, na própria unidade hospitalar”.

A Rede Hospital Casa informa que é hoje um dos maiores operadores médicos hospitalares independentes do Estado do Rio de Janeiro. Ao todo integram a rede 11 unidades hospitalares, que juntas somam 1.000 leitos, sendo 400 de terapia intensiva e 600 de acomodação; 47 salas de cirurgia, 10 emergências 24 horas e ambulâncias próprias. Possui também serviço de oncologia clínica e realiza procedimentos de quimioterapia.

Além do Hospital Evangélico, a Rede Hospital Casa mantém Hospital Casa | Hospital de Câncer,  Hospital Casa de Portugal, Hospital Casa Prontocor, Hospital e Maternidade Casa Egas Moniz,  Hospital Casa Menssana, Hospital Casa São Bernardo, Hospital Casa Rio Laranjeiras, Hospital Casa Rio Botafogo e Hospital Casa Santa Cruz e o Hospital Casa Procordis (em construção). A rede também administra o laboratório 3D Diagnóstico por imagem.

“Reforçamos que a Rede Hospital Casa é referência em atendimento humanizado e totalmente comprometida em proporcionar segurança, bem-estar e qualidade de vida para seus pacientes. Nossos hospitais estão preparados para atender diversas especialidades médicas, e contam com Emergências 24 horas, Centro-cirúrgicos, Unidades de Terapia Intensiva, Leitos Particulares e de Enfermaria, atendemos a diversos planos e convênios de saúde como também particulares”.

Atualizado em 30/8/23

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