O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção de herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com relatório divulgado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), disponível onlinea vacina foi considerada cara diante do impacto que poderia ter em relação ao combate a doença.
O relatório publicado em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) apresenta um cálculo dos custos em relação a população que seria beneficiada pelo imunizante.
Ao vacinar 1,5 milhão de pacientes por ano, o custo seria de R$ 1,2 bilhão por ano e, no quinto ano, a vacinação dos 471 mil pacientes restantes com um custo de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total seria de R$ 5,2 bilhões. Dessa forma, a vacina foi considerada não custoefetiva”, diz o texto.

A vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster é voltada para idosos com idade maior ou igual a 80 anos e indivíduos imunocomprometidos com idade maior ou igual a 18 anos. Segundo a portaria publicada nesta semana, a matéria poderá ser submetida a novo processo de avaliação pela Conitec, caso sejam apresentados fatos novos que possam alterar o resultado da análise efetuada.

O Comitê de Medicamentos reconheceu a importância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou que considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas, de modo a alcançar um valor com impacto orçamentário sustentável para o SUS”, afirma o relatório.

Nesta quarta-feira (21/1), o Ministério da Saúde divulgou uma nota esclarecendo que a comissão técnica que avalia o pedido reprovou a sua inclusão neste momento diante da oferta apresentada pela empresa, mas segue negociando condições mais adequadas, com volume de doses e preço sustentável para o SUS – veja a nota completa abaixo:

Por que a vacina contra a herpes-zóster ainda não está no SUS?

O pedido de incorporação da vacina contra a herpes-zóster foi apresentado pelo próprio Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar esses pedidos com base em critérios técnicos como segurança, eficácia, disponibilidade de doses e custo-benefício para a população brasileira.

A ampliação do acesso à vacinação integra a política da atual da gestão, que, em um ano, em 2025, incorporou dois imunizantes de alto custo: as vacinas contra a bronquiolite e contra a meningite ACWY. No caso da vacina contra herpes-zóster, diante das informações apresentadas pela empresa fabricante, a solicitação não foi aprovada. O Ministério da Saúde continuará trabalhando para viabilizar a inclusão da vacina no SUS, de forma gratuita.

Quando se trata da incorporação de uma vacina ao SUS, estamos falando de uma política pública voltada a dezenas de milhões de pessoas. O Ministério da Saúde tem interesse em incorporar a vacina contra a herpes-zóster e seguirá negociando com os produtores para garantir uma proposta sustentável, com oferta em quantidade suficiente e a um custo justo para o SUS e a população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A proposta analisada não foi aprovada porque o valor apresentado pela fabricante era elevado e a oferta de doses, feita pela única empresa produtora, era limitada: foram ofertadas 1,5 milhão de doses por ano para o público com mais de 80 anos. Essa quantidade é insuficiente até mesmo para esse grupo e se torna ainda mais irrisória ao considerar que a vacina é indicada para pessoas com mais de 50 anos, mais de 60 milhões de brasileiros. Para alcançar toda essa população, o custo estimado seria de aproximadamente R$ 50 bilhões, cerca de dez vezes o investimento anual do governo federal no programa Farmácia Popular.

A decisão da Conitec não encerra a discussão sobre a incorporação da vacina ao SUS. O Ministério da Saúde continua trabalhando para viabilizar a inclusão do imunizante e segue em negociação com potenciais produtores para garantir oferta em escala e valores compatíveis com a sustentabilidade do sistema público de saúde”, informou a pasta.

Herpes-zóster é causada pelo mesmo vírus da catapora

Doença pode causar dor intensa e complicações em adultos

A herpes-zóster é uma infecção causada pela reativação do vírus da catapora (varicela-zóster). Segundo dados dos Sistemas de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e hospitalares (SIH/SUS), entre 2008 e 2024 foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações de pacientes com herpes-zóster no Brasil.

O Ministério da Saúde esclarece que a herpes-zóster, também conhecida como cobreiro, não é uma doença autoimune. Trata-se de uma infecção causada pelo vírus varicela-zóster (VVZ), o mesmo responsável pela catapora.

Quando a pessoa tem catapora, o vírus permanece em estado de latência no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, ocasionando o herpes-zóster. Essa reativação é mais comum em pessoas idosas ou com a imunidade baixa, como portadores de doenças crônicas, câncerHIV/Aids, transplantados, entre outros.

Trata-se da reativação do vírus da catapora. Após a infecção inicial, ele permanece adormecido nos nervos e pode voltar a se manifestar anos depois, principalmente quando há queda da imunidade”, explica a infectologista do Grupo São Cristóvão Saúde, Michelle Zicker.

Sintomas da doença

Os primeiros sintomas são queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Depois de um ou dois dias, surgem manchas vermelhas que evoluem para pequenas bolhas cheias de líquido. Essas bolhas podem secar e formar crostas.

As lesões aparecem em apenas um lado do corpo e seguem o caminho de um nervo, o que dá ao herpes-zóster seu aspecto característico. O herpeszóster se manifesta como uma faixa de vesículas dolorosas em um lado do corpo, geralmente no tronco, mas também pode atingir o rosto, a lombar, o pescoço ou outras regiões. Esse processo dura cerca de duas a três semanas.

Mortalidade maior entre idosos 80+

Segundo informações do relatório divulgado pela Conitec, o herpes-zóster geralmente melhora sozinho, mas em alguns casos pode causar complicações graves, como alterações na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos.

Uma das principais complicações é a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor intensa e persistente mesmo após a cicatrização das lesões. “Alguns pacientes continuam sentindo dor por semanas ou meses após a fase aguda, o que pode afetar significativamente a qualidade de vida”, afirma a infectologista.

Nos estágios iniciais, o herpeszóster pode ser confundido com outras doenças de pele, mas há sinais característicos. “As lesões costumam aparecer apenas de um lado do corpo, acompanhadas de dor e sensibilidade local. Diferente de outras erupções cutâneas, o herpeszóster costuma causar desconforto intenso”, ressalta a especialista.

Embora qualquer pessoa que já teve catapora possa desenvolver o herpes zóster, o risco é maior entre idosos e pessoas com imunidade comprometida. “O envelhecimento natural e condições como infecção pelo HIV, quimioterapia ou uso de medicamentos imunossupressores aumentam a chance do vírus se reativar”, destaca Dra. Michelle.

Tratamento é oferecido no SUS

Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do SUS, entre os anos de 2007 e 2023, 1.567 pessoas morreram por herpes-zóster no país, o que representou uma taxa de mortalidade pela doença de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes no período. Do total de óbitos registrados, 90% foram de pessoas com idade maior ou igual a 50 anos, sendo 53,4% em idosos mais de 80 anos de idade.

O Ministério da Saúde, por meio do SUS, assegura o tratamento adequado e o acompanhamento clínico das pessoas com herpes-zóster, com foco na redução da gravidade dos sintomas e na prevenção de complicações.

Nos casos leves e sem risco de agravamento, o SUS oferece tratamento sintomático com remédios para aliviar a dor, febre e coceira, além de orientações de higiene e cuidados com a pele. Quando o risco é maior, como em pessoas idosas, imunocomprometidas ou com doença grave, recomenda-se o uso do antiviral aciclovir.

A prevenção é possível por meio da vacinação. “A vacina contra a varicela, aplicada na infância, reduz a chance de infecção inicial. Já a vacina específica contra o herpeszóster, indicada para adultos, especialmente acima dos 50 anos, ajuda a diminuir o risco de desenvolver a doença e suas complicações”, finaliza Dra. Michelle.

Com informações da Agência Brasil, Ministério da Saúde e Assessorias (atualizado em 22/02/26)

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