O período pós-festas de Carnaval costuma acender um alerta na saúde pública, e os dados mais recentes confirmam a preocupação. O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira (26/02), indica um início de aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no agregado nacional.

O movimento é impulsionado, principalmente, pela alta de internações causadas pelo rinovírus e pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em diversos estados. A análise corresponde à Semana Epidemiológica 7 (15 a 21 de fevereiro), período que coincide com a circulação intensa de pessoas durante as festividades carnavalescas.

Estados em nível de alerta e o avanço dos vírus

De acordo com a atualização, três unidades federativas — Goiás, Sergipe e Rondônia — já apresentam níveis de atividade de SRAG em alerta ou risco, com tendência de crescimento a longo prazo. Em Rondônia, além do VSR, observa-se um avanço preocupante da Influenza A, atingindo especialmente o público de jovens e adultos.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz (PROCC/Fiocruz), destaca que outros locais também mostram sinais de atenção.

O estudo constatou indícios de manutenção do aumento das hospitalizações por influenza A no Pará e Ceará e por rinovírus em São Paulo e no Distrito Federal“, explica. Embora esses casos ainda não tenham impactado drasticamente o total de SRAG nessas capitais, o monitoramento permanece rigoroso.

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O cenário nas capitais e o impacto nas crianças

No recorte das capitais, Boa Vista (RR) e Porto Velho (RO) são as que apresentam maior crescimento na tendência de longo prazo. O perfil epidemiológico nessas cidades revela a vulnerabilidade dos mais novos: em Porto Velho, a alta concentra-se em crianças de até 2 anos; em Boa Vista, o público de 2 a 4 anos e adultos de 15 a 49 anos são os mais afetados.

Em nível nacional, os dados de 2026 já somam 8.218 casos de SRAG notificados. Dos testes com resultado positivo para vírus respiratórios, o rinovírus lidera com 34,6%, seguido pelo Sars-CoV-2 (Covid-19) com 20% e a Influenza A com 19,2%.

Letalidade e grupos de risco

A mortalidade por síndromes respiratórias continua apresentando um padrão claro de risco nos extremos da idade. Enquanto a incidência de casos é maior entre crianças pequenas (devido ao VSR e rinovírus), a mortalidade concentra-se majoritariamente nos idosos, sendo a Covid-19 responsável por 50% dos óbitos entre os casos positivos nas últimas quatro semanas.

A integração de dados ambientais com o monitoramento animal e humano permite que sistemas como o InfoGripe ofereçam respostas mais rápidas e eficazes, protegendo as populações mais vulneráveis, como crianças e idosos, que seguem sendo as principais vítimas de complicações graves e óbitos por esses patógenos.

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