Os geradores de energia são o “segundo coração” de um hospital. Falhas no momento da transição de carga são as causas mais comuns de incêndios, como o ocorrido na última sexta-feira (30/01) no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. O caso confirma como a dependência tecnológica das UTIs torna qualquer oscilação elétrica uma ameaça direta.
O aumento de 75% nos incêndios hospitalares no início de 2025 revela que muitas instituições estão operando no limite de sua capacidade técnica. A falta de dados oficiais detalhados sobre esses sinistros, como aponta o Instituto Sprinkler Brasil, cria um vácuo de informação que impede a criação de políticas públicas mais rígidas.
No caso do Icesp, a fumaça se espalhou por prédios vizinhos, evidenciando que as barreiras físicas de contenção precisam de revisão urgente. O governo estadual anunciou a investigação interna e a instalação de um novo gerador, mas para a família do paciente vitimado, a medida chega tarde demais.
Para especialistas, não se pode tratar o “coração elétrico” de um hospital como o de um edifício administrativo. Em unidades de terapia intensiva, a eletricidade é tão vital quanto o oxigênio. “Um respirador desligado por três minutos pode ser suficiente para condenar uma vida”, alerta Fábio Amaral, CEO da Engerey.
A falácia da manutenção apenas sob demanda
A segurança elétrica em ambientes de saúde exige uma transição da manutenção corretiva (consertar quando quebra) para a manutenção preditiva (antecipar a falha). A gestão hospitalar precisa encarar a manutenção preditiva – aquela que utiliza tecnologias como IoT para prever falhas em milissegundos —não como um custo, mas como um protocolo de sobrevivência.
Painéis elétricos obsoletos e geradores que não passam por testes de estresse periódicos são bombas-relógio que aguardam apenas uma oscilação na rede externa para detonar. Especialistas defendem que a engenharia elétrica moderna oferece soluções que poderiam ter mitigado o ocorrido no Icesp, mas que exigem investimento público e cobrança política.
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Painéis antigos são caixas-pretas que escondem riscos. A atualização tecnológica é o melhor investimento contra sinistros. Abaixo, os pontos essenciais para garantir a continuidade da vida e a integridade do patrimônio em casos de incêndio:
Modernização de painéis elétricos com supervisão remota
O monitoramento via IoT e a seletividade elétrica são capazes de isolar curtos-circuitos em milissegundos, impedindo que uma pane técnica se transforme em um incêndio com vítimas. Além disso, o uso de sprinklers e portas corta-fogo (norma NBR 11742) é obrigatório e essencial para garantir que a fumaça de um gerador no subsolo não atinja os leitos de UTI.
- Implementação de IoT: Painéis conectados enviam alertas para dispositivos móveis ao detectar qualquer flutuação anormal de corrente ou temperatura.
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Sprinklers e portas corta-fogo: Essenciais (Norma NBR 11742) para impedir que a fumaça de um gerador externo invada as alas de internação.
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Seletividade elétrica: Sistemas que isolam curtos em milissegundos sem desligar setores inteiros. Configure os disjuntores para que uma falha em uma tomada específica desligue apenas aquele circuito, e não o setor inteiro ou o andar.
Cuidados com no-breaks e bancos de baterias
Em UTIs, o tempo de autonomia das baterias é o que mantém os respiradores ligados até o gerador assumir a carga total.
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Ambiente climatizado: Baterias geram calor e são sensíveis à temperatura. Mantenha as salas de máquinas rigorosamente resfriadas.
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Verificação de estufamento: Inspecione fisicamente as baterias mensalmente em busca de deformações que indiquem fim da vida útil ou risco de explosão.
- Termografia periódica: Realize inspeções térmicas para identificar “pontos quentes” (mau contato ou sobrecarga) antes que se tornem curtos-circuitos.
Proteção passiva e compartimentação de riscos
A arquitetura do sistema elétrico deve prever que, se um incêndio começar, ele não se espalhe.
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Selagem de passagens de cabos: Utilize materiais corta-fogo (firestops) em todos os pontos onde cabos atravessam paredes ou lajes, impedindo a passagem de fumaça entre andares.
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Manutenção de portas corta-fogo: Garanta que as portas das salas técnicas e subestações estejam sempre fechadas e com os vedantes em perfeito estado.
Treinamento da brigada de manutenção
A equipe de engenharia clínica e manutenção deve estar integrada ao plano de abandono do hospital.
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Simulados de pane seca: Treine a equipe para operar o sistema manualmente em caso de falha total da automação.
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Comunicação rápida: Estabeleça um protocolo de comunicação direta entre o centro cirúrgico/UTI e a equipe de elétrica para priorizar o restabelecimento de áreas críticas.
Inspeção e manutenção rigorosa de geradores
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Testes de carga semanais: Realize testes de funcionamento com carga real para garantir que o sistema de transferência automática (ATS) responda em milissegundos.
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Limpeza de bicos e filtros: Resíduos de combustível podem causar superaquecimento e fumaça tóxica.
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Monitoramento do sistema de escape: Verifique se os dutos de exaustão estão devidamente isolados termicamente e longe de materiais inflamáveis ou dutos de ventilação central.




