Mitos e verdades sobre vacinação e a saúde bucal das gestantes

No Dia da Gestante, confira as principais dúvidas das mulheres grávidas sobre vacinas e também os cuidados com a saúde bucal

Gestantes e puérperas que tomaram primeira dose da Astrazeneca/Oxford podem tomar segunda dose da Pfizer, por recomendação da Sogesp (Foto: Banco de Imagens)
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gravidez é um momento de muitas dúvidas e descobertas. Durante uma gestação, a mulher precisa ficar atenta quanto à sua saúde e a do bebê. Além de uma série de cuidados, exames pré-natal essenciais e acompanhamento obstétrico, outro preparativo fundamental nesse período é estar com o calendário de vacinação para gestantes em dia.

Também é essencial fazer visitas periódicas ao dentista. A saúde bucal da gestante afeta diretamente o bebê. Existem problemas, referentes à região bucal, que podem inclusive levar a um parto prematuro, oferecendo risco para ambos.

“Já existe comprovação científica em literatura que gestantes com problemas periodontais têm mais chance de ter nascimentos de bebês prematuros e de baixo peso”, afirma Isabela Castro, odontologista e head do Nupe, o núcleo da Yappy especializado no atendimento de pessoas com deficiência, grávidas, idosos, pacientes com doenças crônicas ou qualquer condição especial.

Neste mês em que se comemora o Dia da Gestante, em 15 de agosto, especialistas em imunologia e saúde bucal trazem informações esclarecedoras para as futuras mamães. Confira!

Mitos e verdades sobre vacinação entre as gestantes

A Lessandra Michelin, infectologista e gerente médica de vacinas da GSK, esclarece alguns mitos e verdades sobre as vacinas recomendadas durante a gestação. Confira abaixo.

As vacinas recomendadas durante a gestação são seguras e oferecem proteção para a mãe e para o bebê.

Verdade. As vacinas recomendadas durante a gestação têm como objetivo fortalecer o sistema imunológico da gestante e proteger a saúde do bebê. Com a imunização, os anticorpos da mulher são transferidos para a criança pela placenta e, após o nascimento, por meio da amamentação.

A imunização para este público é uma prática consolidada no Brasil e foi responsável pela eliminação de doenças infecciosas, como o tétano materno e neonatal, e pela redução de hospitalizações e óbitos por outras doenças como a influenza e a coqueluche.

Além disso, as vacinas recomendadas durante a gestação são inativadas, ou seja, são compostas por microrganismos sem capacidade de gerar a doença. Toda vacina, para ser licenciada e comercializada no Brasil, passa por um rigoroso processo de avaliação realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e mesmo após a comercialização, esses produtos são estreitamente monitorados pelos laboratórios produtores e pelas agências reguladoras.

Todas as vacinas recomendadas para as gestantes estão disponíveis gratuitamente no SUS.

Verdade. O calendário de imunização da gestante contempla cinco vacinas: influenza (contra gripe); dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche; dT que imuniza contra difteria e tétano; a vacina contra hepatite B; e a vacina contra COVID-19. Estas vacinas estão disponíveis na rede pública de saúde de todo o país, através do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde (MS), além das unidades privadas de vacinação.

A Dra. Lessandra complementa: “É importante reforçar que a vacinação contra a gripe deve ser anual durante as Campanhas Nacionais de Vacinação realizadas pelo Ministério da Saúde. Em relação à vacina contra a hepatite B, ela deve ser aplicada em gestantes não anteriormente vacinadas e que são suscetíveis à infecção. Já a vacina tríplice bacteriana acelular (dTpa) é recomendada que seja tomada a partir da 20ª semana de gravidez e a cada gestação.”

Uma das doenças que a vacinação na gestação pode prevenir é a coqueluche, mas ela não é grave.

Mito. A coqueluche é uma doença altamente contagiosa, também conhecida como “tosse comprida”, e pode evoluir para formas graves especialmente nos lactentes menores, que ainda não completaram o esquema de vacinação primário de rotina que começa aos 2 meses de idade e finaliza aos 6 meses. A doença é uma importante causa de mortalidade infantil e a maioria dos casos e óbitos se concentra em crianças menores de um ano de idade. Além disso, um alerta: as mães são as principais transmissoras da bactéria que causa a coqueluche para seus bebês.

“Como a mãe é, normalmente, a pessoa que fica mais próxima durante os primeiros meses de vida do bebê, elas são a fonte de infecção mais comum da coqueluche em lactentes, sendo responsáveis pela transmissão, em aproximadamente, 39% dos casos. E, quanto mais novo é o bebê, mais grave pode se tornar a doença. Devido justamente pela gravidade acentuada em recém-nascidos, a vacina dTpa integra o calendário de vacinação da gestante, como forma de prevenção da coqueluche nos primeiros meses de vida do bebê. E a recomendação é que seja feita em todas as gestações, sempre a partir da 20ª semana”, explica Dra. Lessandra.

Parentes próximos, como pais e irmãos, não precisam estar com a vacinação em dia.

Mito. Uma das principais formas de transmissão de agentes infecciosos ao bebê é através dos contatantes próximos, sejam familiares ou não familiares. Por isso, é muito importante que todas as pessoas que irão conviver com o bebê, como, por exemplo, pais, irmãos, avós e cuidadores, estejam com a imunização em dia, formando assim uma rede de proteção.

“A recomendação é que isso seja feito antes do nascimento do bebê, o quanto antes, para que todos já estejam protegidos no momento do nascimento”, ressalta a infectologista.

Mulheres que planejam engravidar também precisam atualizar a caderneta vacinal.

Verdade. Alguns imunizantes, como as vacinas contra catapora, sarampo, caxumba, rubéola e HPV, por exemplo, não são recomendados durante a gestação e, por isso, devem ser administradas antes da gravidez ou no puerpério (que são os 45 dias após o parto), mesmo que a mãe esteja amamentando.

Verdade. Diversas medidas podem ajudar na prevenção de doenças, como manter hábitos de higiene, como lavar bem e com frequência as mãos com água e sabão, e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar, manter os ambientes ventilados, entre outros. Além disso, pela vulnerabilidade do sistema imunológico do bebê, é recomendado não beijar o bebê no rosto e nas mãos; lavar as mãos corretamente antes de pegar o bebê; e evitar contato com pessoas doentes.

Cuidados com a saúde bucal da gestante: mitos e verdades

De acordo com a especialista, existem duas formas de fazer o acompanhamento no dentista durante a gestação. “No período do pré natal odontológico, a gestante recebe protocolos personalizados de higiene oral, sessões de limpeza e orientações sobre a saúde do bebê e cuidados com a higiene da boca da criança após o nascimento”, conta.

“Já para as consultas de urgência, motivadas por dor, infecção ou outra alteração que possa ser risco para a gestante e seu bebê, existem protocolos seguros para atendimento da gestante nos três trimestres”, complementa Isabela Castro.

Porém, é ainda mais relevante realizar essas consultas de rotina com especialistas capazes de entender a individualidade de cada caso. A odontologia de precisão engloba ciência, tecnologia, precisão e humanização, proporcionando tratamento odontológico de forma segura para a gestante.

“A segurança clínica e a certeza de que terá um atendimento de excelência, dentro dos protocolos mais atualizados e sempre com uma comunicação ativa com o obstetra da gestante, fazendo escolhas eficazes e seguras para cada caso, é um dos benefícios ao optar pela odontologia de precisão”, relata a odontologista.

É muito comum que surjam dúvidas sobre a relação entre a gravidez e a saúde bucal. Pensando nisso, a especialista da Yappy, principal centro de odontologia de precisão do país, desmistifica as principais questões sobre o tema:

Os dentes da grávida ficam mais fracos porque ela divide o cálcio do organismo com o bebê 

Mito – Nove meses não descalcificam a dentição da mulher, o que ocorre é a maior predisposição à inflamações na gengiva e a hiperplasia gengival. A variação hormonal afeta a forma com que o corpo responde às bactérias, aumentando assim as chances de infecções periodontais, dores nos dentes e na gengiva.

O aumento na produção de hormônios favorece a gengivite

Verdade – Em média de 60 a 70% das mulheres enfrentam a gengivite durante a gravidez. Esse distúrbio periodontal é provocado pelo aumento dos níveis hormonais, que promovem a dilatação de vasos sanguíneos e podem causar uma resposta inflamatória nos tecidos gengivais, aumentando o risco de lesões na área.

“A gengiva fica menos protegida e a sua capacidade de regeneração diminui. Essa condição, somada ao aumento do consumo de alimentos potencialmente cariogênicos, favorece o surgimento de inflamações”, completa Isabela Castro.

Só devo procurar o dentista após o segundo trimestre

Mito – Uma grande barreira encontrada pelas gestantes é a crença que grávidas não podem receber tratamento odontológico. “Deixar a cárie ou a periodontal seguirem livre curso durante a gestação, pode ser um grande risco para a gestante e também para o bebê. Por isso, vale lembrar que existem formas seguras para prestar uma assistência de qualidade à gestante”, comenta.

Problemas nas gengivas induzem o nascimento prematuro

Verdade – As bactérias por trás da periodontite podem viajar através do corpo através dos vasos sanguíneos, não ficando restritas apenas à boca. “Se um agente infeccioso chega até o útero de uma gestante, o sistema imunológico tende a aumentar a produção de prostaglandina, substância que induz o parto”, explica a odontologista da Yappy.

Gestantes não podem tomar anestesia 

Mito – A anestesia deve ser ministrada por um cirurgião dentista, respeitando as restrições para a realização do procedimento Além disso, Isabela aponta que existem anestésicos mais indicados para as gestantes do que outros. “Porém, sempre que possível, convém evitar tratamentos mais invasivos no primeiro e terceiro trimestre de gestação, visando o bem estar da mãe e do bebê”, conta.

gestação aumenta a possibilidade do surgimento de cáries

Verdade – Devido às alterações hormonais no período da gestação, existe um aumento de vascularização periférica, juntamente com a diminuição do fluxo e da ação protetora da saliva.

Outro ponto importante que deve ser levado em consideração, é que durante a gravidez, em muitos casos, ocorre a diminuição dos cuidados com a saúde bucal. Por isso, é essencial manter em dia a escovação, o enxágue e o uso de fio dental após as refeições.

Gravidez gera mau hálito

Mito – A gravidez não tem relação direta com o mau hálito, porém, processos ligados ao período de gestação, como boca seca, ingestão frequente de alimentos mais cariogênicos, e a falta da higienização correta da região bucal, podem acarretar em um possível cheiro forte. Por conta do enjoo, muitas grávidas também não conseguem fazer a higienização da língua de forma correta, o que pode favorecer o mau hálito.

É importante ir ao dentista durante a gravidez

Verdade – O acompanhamento odontológico é importante para a prevenção e tratamento de distúrbios já existentes. Esse cuidado evita possíveis transtornos que podem se agravar durante a gestação.

Fontes: GSK e Yappy

(Material destinado ao público em geral. Por favor, consulte o seu médico)

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