O mês de fevereiro marca um dos períodos mais sensíveis para estudantes: o retorno à rotina após as férias. Embora seja um momento esperado, a transição pode desencadear reações emocionais intensas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de ansiedade e depressão na infância e adolescência têm aumentado, e momentos de mudança brusca, como a volta às aulas, funcionam como gatilhos para esses quadros.
De acordo com a psicóloga Aline Peres de Carvalho, comportamentos como resistência em ir à escola e mudanças de humor não devem ser minimizados. “O adulto precisa ouvir com interesse genuíno, fazendo perguntas para compreender os medos e desejos da criança ou do adolescente”, orienta.
Sinais de alerta: quando o choro não é apenas ‘manha’
A diferença entre a adaptação comum e um problema mais profundo reside na intensidade e na persistência dos sintomas. O neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil, André Ceballos, destaca que os pais devem acender o sinal de alerta quando a recusa escolar vem acompanhada de sintomas físicos.
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Sintomas físicos: Dores de barriga, vômitos e dores de cabeça recorrentes antes do horário escolar.
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Mudanças comportamentais: Irritabilidade extrema, crises de choro persistentes, isolamento social e regressão de comportamentos já adquiridos.
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Alterações biológicas: Dificuldade para dormir ou perda de apetite.
O papel da família no acolhimento
Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) indicam que a pressão por desempenho e a mudança de ambiente estão entre as principais queixas emocionais dos jovens. Para mitigar esse impacto, a psicanalista e educadora sexual Marcella Jardim reforça a importância da escuta ativa.
Evite minimizar sentimentos com frases como ‘isso é bobagem’. Acolher com frases como ‘vamos entender isso juntos’ cria segurança emocional”, explica Marcella. Ela sugere que os pais perguntem sobre as dificuldades do dia, mas também resgatem memórias positivas e envolvam os filhos na organização do material para gerar um senso de pertencimento.
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Como facilitar a adaptação escolar com rotina e terapias complementares
Além do ajuste gradual dos horários, o uso responsável da aromaterapia e atividades lúdicas ajudam a reduzir a ansiedade dos estudantes
A volta às aulas não precisa ser um processo de imposição, mas de adaptação. Especialistas apontam que a preparação emocional deve começar ainda nos últimos dias de férias, com pequenos ajustes que devolvem à criança a sensação de controle sobre sua rotina.
Dicas práticas para uma transição suave
Para o doutor André Ceballos, a implementação gradual da rotina é o primeiro passo para reduzir o estresse.
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Ajuste do sono: Começar a acordar no horário escolar algumas semanas antes.
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Alimentação: Estabelecer horários fixos para as refeições.
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Expectativa positiva: Falar da escola com afeto e evitar frases negativas como “acabou a moleza”.
A educadora Marcella Jardim também destaca o valor das atividades físicas e lúdicas. “O brincar é um remédio natural contra a ansiedade infantil. O corpo precisa se movimentar para processar o que está sendo vivido emocionalmente”, afirma.
O suporte da aromaterapia na concentração e calma
Uma ferramenta que vem ganhando espaço no suporte emocional escolar é a aromaterapia. Segundo a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry, os óleos essenciais atuam no sistema límbico — área do cérebro responsável pelas emoções e memória.
Confira os óleos sugeridos para cada situação:
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Adaptação e acolhimento: O óleo de Lemongrass ajuda a promover a sensação de aconchego em novas escolas.
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Interação social: A Tangerina favorece a comunicação, sendo ideal para crianças introspectivas.
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Foco e pré-vestibular: A Mandarina Verde estimula a concentração e a memória.
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Ansiedade e insegurança: A Bergamota LFC ajuda a minimizar sintomas de estresse e promove autoconfiança.
Recomendação de uso: A especialista sugere o uso de 1 a 2 gotas em difusores pessoais ou 3 a 5 gotas em difusores ambientais por, no mínimo, 15 minutos ao dia. Vale ressaltar que a aromaterapia é um recurso complementar e não substitui o acompanhamento de psicólogos ou médicos quando os sintomas de ansiedade persistem.
Com Assessorias








