Violência nas escolas: o bullying pela ótica de quem o pratica

Livro infantojuvenil ‘Eu, Valentão’ traz história de bullying narrada pelo agressor. Obra é inspirada em vivência de professora em escola na Itália

(Foto: 123RF)
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Nos últimos dias, o tem bullying voltou à cena com o triste episódio da morte de quatro crianças durante um atentado a uma creche de Blumenau (SC), quando outras cinco também ficaram feridas. E como a literatura infantojuvenil pode abordar o tema de maneira diferenciada, a FTD Educação aproveita a semana do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola para lançar uma obra que traz uma abordagem bem interessante do tema: o bullying pelo olhar do agressor.

O livro se chama Eu, valentão, escrito pela professora italiana Giusi Parisi, e é baseado em experiências em sala de aula. A história de Alessandro, um jovem italiano da região da Sicília, poderia muito bem ter ocorrido numa escola brasileira. Ele é um rapaz valentão que perturba os colegas sem perceber que está praticando bullying, além de importunar os professores e funcionários da escola como se fosse o dono do mundo.

Até que, um dia, um incidente dramático muda a vida de todos, sobretudo a dele. Com esse enredo, o livro Eu, valentão aborda o tema bullying do ponto de vista de quem o pratica. O enfoque revelador ajuda a entender que tanto as vítimas de agressão quanto os agressores precisam de ajuda. E que uma solução para esse problema deve ser baseada na compreensão e no acolhimento.

Publicado originalmente em 2018, com o título Lo, bullo: da una storia vera, a edição brasileira ganhou tradução de Federico Carotti, italiano radicado no Brasil desde criança, e ilustrações da designer paraibana Minna Miná.

A história foi inspirada na experiência de Parisi como professora de uma escola na periferia de Palermo, na região italiana da Sicília. Lá ela se impressionou com um estudante que zombava de todos. Essa cena e muitas outras serviram de inspiração para a criação do protagonista de seu livro Eu, valentão.

Alessandro é um adolescente que faz valer sua presença agindo com agressividade no bairro onde mora, comandado pela máfia. Ele manda e desmanda, inventa apelidos grosseiros, ameaça, agride os outros verbal e fisicamente. Vira valentão como resposta à vida dura — seu pai foi preso. O que Alessandro pratica é bullying, mas ele não sabe disso e não tem consciência de quanto sua atitude faz mal para todos.

Até que um dia seu colega Danilo somatiza uma agressão psicológica sofrida e vai parar no hospital, em coma. É quando brilha a luz da professora De Lisi, que conduz a situação com maestria, gerando um clima de acolhimento e compreensão na sala de aula. De Lisi é o alter ego da autora Giusi Parisi e da sua atuação como professora.

Para a edição brasileira, a autora escreveu uma saborosa apresentação contando como a sua experiência virou ficção e explicando o uso de dialeto siciliano em determinados pontos do texto.

“Para desmontar o bullying, devemos, antes de mais nada, conhecer o(a) agressor(a), iniciar com ele ou ela um diálogo sem preconceitos, acolhê-lo(a) e ajudá-lo(a) a se abrir para o mundo. Escutar a voz de Alessá, bem como a de tantos outros jovens reais em situações parecidas, é aproximar-se de suas histórias de vida e das desigualdades que os circundam”, comenta Parisi.

A obra tem como objetivo ajudar a perceber que a tomada de consciência pode ser um processo ou surgir de um evento drástico. “Apresentando uma solução na ficção que também pode servir para a vida real, Eu,valentão é uma experiência literária que vai inspirar muitos jovens, pais e educadores”, conclui Bruno Rodrigues, editor de literatura da FTD Educação.

Sobre a autora

Giusi Parisi nasceu em 1978 em Palermo, capital da região italiana da Sicília, onde mora e dá aulas em uma escola de Ensino Médio. Desde 2014, é autora de livros didáticos de História, Geo-história e Geografia. Ministra oficinas de escrita criativa para estudantes dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental.

Leitora apaixonada de livros infantis e juvenis, considera-os instrumentos indispensáveis para o desenvolvimento da criatividade e do livre pensar. Depois de Eu, valentão (publicado originalmente em 2018, com o título Io, bullo: da una storia vera), ela lançou Bullismo: una storia per capire [Bullying: uma história para compreender] (2019)Baghdad Rock (2021).

Sobre o tradutor

Federico Carotti nasceu em 1960, em Bérgamo, Itália, e ainda pequeno radicou-se com sua família no Brasil. Iniciou suas atividades de tradução em 1988, concentrando-se nas áreas de Literatura, Filosofia, História e Ciências Humanas. Já traduziu para o português obras de Louisa May Alcott, Giulio Carlo Argan, Italo Calvino, Guido Crepax, Domenico de Masi, Chiara Frugoni, Carlo Ginzburg, Antonio Gramsci, Mauro Maldonato, Nicolau Maquiavel, Nanni Moretti, Roberto Saviano, Antonio Tabucchi, entre outros.

Sobre a ilustradora

Minna Miná nasceu em João Pessoa, capital da Paraíba. É designer e ilustradora freelancer, graduada no curso de Comunicação em Mídias Digitais (UFPB) e mestre em Design de Comunicação pela Escola Superior de Artes e Design, em Portugal. No mesmo país, fez intercâmbio acadêmico na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Escreveu e ilustrou o livro Onde as gaivotas fazem seus ninhos, lançado em 2018 por meio de financiamento coletivo. Realizou as seguintes exposições individuais de ilustração: As pequenas coisas d’Amélie Poulain (2013); À espera no campo de centeio (2014, 2016, 2017); Onde as gaivotas fazem seus ninhos (2018); Mulheres de letras (2021).

Ficha técnica

Título: Eu, Valentão

Recomendado a partir dos 12 anos

Autora: Giusi Parisi

Tradutor: Federico Carotti

Ilustradora: Minna Miná

Páginas: 112

Preço sugerido: R$ 61

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