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Ventosaterapia: conheça a técnica chinesa usada por Phelps

Marcas nas costas e ombros do medalhista olímpico Michael Phelps, oriundas da ventosaterapia, chamaram a atenção (Foto: Divulgação)
Marcas nas costas e ombros do medalhista olímpico Michael Phelps, oriundas da ventosaterapia, chamaram a atenção (Foto: Divulgação)

Quem não notou os “chupões” nos ombros e costas do nadador Michael Phelps, vencedor de 21 medalhas de ouro, e de outros atletas durante esses Jogos Olímpicos? As manchas roxas redondas  são efeitos da ventosaterapia, uma técnica chinesa que usa calor ou sucção de ar que estica a pele e provoca as marcas.

A “ventosa”, como é mais conhecida, é usada para atrair o sangue para áreas afetadas, reduzindo dores e acelerando o processo de cura dos músculos supertrabalhados. A técnica é muito indicada para recuperar os músculos desgastados e aliviar o cansaço crônico. Os atletas  afirmam que  acelera a recuperação e mantém  as lesões longe. Além dos atletas, famosas como Gwyneth Paltrow e Kim Kardashian também são adeptas.

Os defensores da técnica baseiam-se na hipótese de uma melhor oxigenação muscular e com isso, uma regeneração mais eficaz das microlesões que surgem a partir do esforço intenso. Além disso, a pressão negativa melhora a resistência para dor e reduz a inflamação local.  “A pressão negativa gerada pela ventosa leva ao aumento de fluxo sanguíneo na região, o que, em teoria, melhora também a vascularização da musculatura local”, explica o ortopedista Sérgio Mauricio, membro titular da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e Exercício.

Uso também com fins estéticos

Especialistas afirmam que a técnica pode ser utilizada como um auxílio para tratamentos com fins terapêuticos e funciona como um grande aliado para outras técnicas de massagem. Em alguns casos, o uso da técnica também é realizada com objetivos estéticos, como por exemplo ventosaterapia para celulite, estrias, gordura localizada e também soltar aderências de cicatrizes.

O cirurgião plástico  Eduardo Porto Leite, diretor da clínica Beauté, na Barra da Tijuca, ressalta que o foco terapêutico da ventosa é controlar a corrente sanguínea, ajudando a desintoxicar o organismo e reduzir o acido lático após exercício físico intenso. “Quando a circulação é ativada através da ventosa, o aumento de sangue favorece a nutrição de músculos, alivia as tensões, dores musculares e articulares”, explica.

Segundo a naturóloga Mariana Vitte Nardi do W Spa, a técnica também  auxilia no reequilíbrio do organismo e é indicada para cefaléias crônicas, artrites, problemas musculares repetitivos,  problemas digestivos, cansaço crônico, estresse, crise de ansiedade, entre outros. “A terapia com as ventosas age facilitando a liberação de toxinas exógenas e tem sido muito praticada por atletas em todo o mundo principalmente para recuperar o vigor físico mais rápido”, explica.

Como funciona esse método

A ventosaterapia consiste em acender um líquido inflamável dentro de pequenos copos de vidro ou acrílico que são colocados em contato com o corpo  e, através de êmbolos ou calor, é gerada uma pressão negativa, que deve ser mantida por poucos minutos.  Somente um profissional habilitado deve aplicar a técnica. A diferença de temperatura e pressão causada pelo contato gera uma força de sucção, esticando a pele. A sucção dura apenas alguns minutos, mas é o suficiente para causar a ruptura dos capilares, o que provoca as manchas roxas.

“A pressão negativa gerada pela ventosa leva ao aumento de fluxo sanguíneo na região, o que em teoria melhora também a vascularização da musculatura local. O aumento da pressão leva à ruptura de pequenos capilares sanguíneos da pele, responsáveis pelas marcas redondas na região, como se fossem ‘chupões’”, explica  Sérgio Maurício. “Ao ser realizada a sucção e a musculatura for pra dentro do copo, o vácuo formado estimula a circulação sanguínea e com este processo são liberados as toxinas existentes no sangue”, explica a fisioterapeuta Izabel Guedes, da Clínica Helena Costa.

Segundo ela, a técnica pode ser empregada em toda a coluna, sendo fixada ou com movimentos de varreduras e pode ser associado a outras técnicas terapêuticas. “O número de sessões vai depender da patologia de cada paciente. Normalmente para potencializar o tratamento, eu faço no mesmo dia outras técnicas. A sessão leva em torno de 50 minutos a 1 hora”.

Riscos e controvérsias

Apesar das evidências e dos relatos de adeptos da técnica, a literatura médica ainda se mostra controversa quanto ao assunto.  “Em 2013 pesquisadores alemães usaram o método para tratar paciente com dores musculares crônicas na região cervical, com bons resultados, porém, os próprios autores sugeriram que mais estudos fossem feitos a respeito do método. Já em 2014 autores de Oxford pesquisaram artigos sobre o assunto e concluíram que existem poucas evidencias científicas que comprovem a eficácia do método”, conta Sérgio Mauricio.

Segundo o especialista, muito se questiona se o efeito placebo é o grande responsável pelos resultados do tratamento ou se de fato existe uma recuperação mais eficaz. “Mas, como no esporte a moda pega rápido, logo veremos muitos atletas e amadores pintados como dálmatas por aí. Porém o método não é isento de riscos. Os efeitos adversos mais encontrados são a anemia e ativação viral do herpes zoster no local. Feridas de pele como bolhas e até abscessos podem ser desenvolvidos quando o método não é realizado por profissional com experiência no assunto”, adverte o ortopedista.

Colaboração de Juliana Magalhães (Sallum Assessoria) e Cíntia Pompeo (Contexto Assessoria) e Simone Barros

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