A calmaria registrada após o Carnaval ficou definitivamente para trás. O cenário epidemiológico do Brasil sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em março de 2026 exige atenção máxima. O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado nesta sexta-feira (13/3), consolida a tendência que vínhamos acompanhando: o país vive uma subida generalizada das internações por doenças transmitidas por vírus respiratórios. A primeira semana de março superou o volume de notificações de todo o mês de janeiro.

A nova atualização semanal, referente à Semana Epidemiológica 9 (de 1 a 7 de março), aponta que 26 das 27 unidades da Federação mantêm sinal de crescimento de SRAG no longo prazo (últimas seis semanas). Entre elas, 12 estão com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas): Acre, Amazonas, Amapá, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Sergipe, além do Distrito Federal.

O aumento das internações é movido por um “triunvirato” de vírus: Rinovírus (que lidera com folga os casos positivos), VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e a Influenza A.  O dado mais preocupante é a antecipação da Influenza A. O vírus causador da gripe, que costuma circular com força apenas em abril, acompanhando uma mudança no clima com a chegada do outono, já impulsiona hospitalizações em estados do Norte e Nordeste, além de Mato Grosso e Rio de Janeiro.

O aumento do VSR nessas regiões já era esperado nesta época do ano. No entanto, o crescimento da influenza A está ocorrendo de forma bastante antecipada em muitos estados, já que o esperado seria verificar um aumento mais expressivo do vírus na maioria dos estados por volta de abril”, afirma a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz.

Ao compararmos os dados atuais com o acumulado de 2025 e o início deste ano, percebemos que a sazonalidade das doenças respiratórias está mais agressiva em 2026. Em 2025, o Brasil encerrou o ano com cerca de 13 mil mortes por SRAG, com a Influenza A sendo o principal algoz. Agora, o vírus da gripe ressurge antes do tempo, enquanto o rinovírus ataca as escolas.

Confira abaixo a análise detalhada, com os números atualizados e as orientações de serviço para proteger sua família

InfoGripe confirma avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave em 15 capitais

Com exceção do Tocantins, todos os estados registram crescimento de internações; Influenza A antecipa sua chegada e pressiona hospitais em março

De acordo com o Boletim Infogripe, a Covid-19 apresenta um leve aumento em São Paulo e no Rio de Janeiro, ainda não é o motor principal das internações atuais, mas continua sendo monitorada de perto devido ao seu histórico de gravidade em idosos. mas, no momento; O foco de internações pediátricas está voltado para o Rinovírus (em crianças de 2 a 14 anos) e o VSR (em bebês menores de 2 anos).

O aumento dos casos de SRAG em grande parte dos estados citados tem sido impulsionado pelo rinovírus, principalmente entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. A influenza A também tem contribuído para o aumento de SRAG em muitos estados das regiões Norte (AP, PA, RO) e Nordeste (exceto AL e SE), além dos estados do Rio de Janeiro e de Mato Grosso.

O cenário nacional já coloca 15 capitais em níveis de alerta ou risco. São elas: Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Boa Vista, Campo Grande, Cuiabá, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Manaus, Porto Velho, Recife e São Luís. O número de casos de SRAG apresenta sinal de aumento nas tendências de longo (últimos três meses) e de curto prazo (últimas seis semanas).

Diante do cenário nacional, a pesquisadora da Fiocruz recomenda usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas. “Também é importante que todos fiquem em isolamento em caso de aparecimento de sintomas gripais. Caso não seja possível manter o isolamento, é fundamental usar uma boa máscara ao sair de casa”, alerta.

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Alerta por faixa etária: quem está no alvo dos vírus?

Os dados laboratoriais das últimas quatro semanas mostram que cada vírus escolheu um “alvo” preferencial nesta temporada:

  • Crianças de 2 a 14 anos: São as mais atingidas pelo Rinovírus, que hoje responde por 45,6% dos casos positivos recentes no país.

  • Bebês (menores de 2 anos): Sofrem com o aumento esperado do VSR, especialmente no Norte, Centro-Oeste e estados como Paraíba e Sergipe.

  • Adultos e Idosos: Estão sendo pressionados pela chegada antecipada da Influenza A e pela persistência da Covid-19.

 

Saiba mais em nossa cobertura especial de SRAG

A rápida escalada de 2026: SRAG acelera em comparação a 2025

O Boletim InfoGripe atual (Semana Epidemiológica 9) traz uma análise do acumulado do ano. VIDA E AÇÃO comparou os dados divulgados nesta sexta-feira 13 pela Fiocruz com o fechamento de janeiro e os indicadores de 2025 e mostra que a velocidade da propagação dos vírus respiratórios impressiona. Se em janeiro, o país celebrava quedas em quase todo o território; agora, a realidade é de crescimento acelerado.

Período Casos de SRAG Notificados Vírus com Maior Prevalência (Casos)
Total 2025 (acumulado) ~228.000 casos Influenza A (Mortalidade)
Janeiro de 2026 ~3.211 casos Rinovírus e Covid-19
Março de 2026 (Até SE 09) 16.882 casos Rinovírus (40,8%)

A comparação direta entre janeiro e março acontece por dois motivos técnicos e editoriais importantes:

1. O fenômeno da “explosão” de casos em março

Diferente de fevereiro, que serviu como um mês de transição e estabilidade após o Carnaval (como vimos nas matérias anteriores), março de 2026 está apresentando uma quebra de padrão.

  • Janeiro foi o “marco zero” do ano, com números baixos e controle na maioria dos estados.

  • Março (de 1 a 7) já superou, em apenas dez dias, o volume de notificações de todo o mês de janeiro.

A análise ‘pula’ fevereiro justamente para destacar o contraste: saímos de um cenário de queda generalizada para um crescimento que atinge 26 das 27 unidades da federação. Comparar março com janeiro serve para mostrar ao leitor que o “fôlego” que tivemos no início do ano acabou.

2. A antecipação da Influenza A

A análise foca em março porque os dados laboratoriais deste mês revelaram algo que não estava presente em janeiro ou fevereiro: a circulação antecipada da Influenza A em estados do Sudeste e Nordeste.

  • Em janeiro, a gripe estava restrita ao “inverno amazônico” (Acre e Amazonas).

  • Em março, ela nacionalizou-se antes do esperado (o pico costuma ser em abril/maio).

Isso indica que a curva de 2026 está mais “íngreme”. Para o Vida e Ação, informar este cenário agora é uma forma de prevenção, alertando a população antes que os hospitais atinjam a capacidade máxima.

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Guia de serviço: Como se proteger neste cenário de alta

Com 15 capitais em nível de risco — incluindo Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Recife e Fortaleza — a Fiocruz reforça recomendações de saúde pública que salvam vidas:

  1. Vacinação prioritária: A campanha contra a gripe já começou no Norte e é a única forma de evitar óbitos pela Influenza A, que chegou mais cedo.

  2. Proteção para gestantes: Já está disponível no SUS a vacina contra o VSR para gestantes (a partir da 28ª semana), protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida.

  3. Máscaras e isolamento: Se você mora em cidades em alerta, use máscaras em locais fechados ou com aglomeração. Ao menor sintoma gripal, o isolamento é fundamental para não espalhar o vírus nas escolas e ambientes de trabalho.

  4. Higiene escolar: Com o Rinovírus atingindo crianças de 2 a 14 anos, oriente seus filhos sobre a lavagem das mãos e não envie a criança para a aula se ela apresentar coriza ou febre.

Veja aqui o calendário completo de vacinação para crianças e idosos em 2026

Autoridade em saúde: do ‘Papo de Pandemia’ aos dias atuais

Vida e Ação mantém seu compromisso com a informação científica desde que a seção Covid/SRAG foi criada, ainda no início da crise do coronavírus. Esse histórico de prestação de serviço, que incluiu os 50 encontros da série Papo de Pandemia entre 2020 e 2021, é o que fundamenta nossas análises atuais sobre o impacto das variantes e a eficácia vacinal.

Relembre os principais insights da série Papo de Pandemia

Fonte: Agência Fiocruz 

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