RJ terá centros regionais para detecção precoce de câncer

Anúncio foi feito pelo secretário estadual de Saúde em audiência pública na Alerj, onde fez balanço dos impactos da Covid nos atendimentos

mamografia na rede pública do Rio Mamografia na rede pública do Rio (Foto: Divulgação SES)
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O Estado do Rio de Janeiro deverá ganhar centros regionais especializados no diagnóstico precoce de câncer, com oferta de exames como mamografia, densitometria óssea e colonoscopia, entre outros. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, durante audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (26/04).

A criação desses espaços deverá ajudar no enfrentamento dos casos da doença, especialmente do câncer de mama e de cólo de útero, que tiveram aumento de mortes em 2021, conforme mostrou o Relatório Anual de Gestão da Saúde – RAG 2021, apresentado pelo secretário e sua equipe durante o encontro virtual.

“Não é um bom ano para avaliar a morte materna por conta da Covid. Mas é preciso melhorar o diagnóstico precoce de câncer. Vamos rever a série histórica de casos para pleitear um aumento de recursos junto ao Ministério da Saúde e promover a implantação de centros regionais para diagnóstico precoce”, disse o secretário.

Segundo Chieppe, a Secretaria já recebeu mais de 30 propostas, já pactuadas, para realização de diversos exames. O papanicolau (preventivo) continuará sendo feito na rede de atenção primária. Um projeto piloto deverá ser implementado para atender às comunidades de Jacarezinho, Manguinhos e Muzema, no Rio.

A presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT), elogiou os resultados apresentados pela pasta: “Fico feliz que o estado esteja conseguindo cumprir os preceitos constitucionais, investindo no mínimo 12% do orçamento em Saúde”. No entanto, ela cobrou mais empenho da pasta para reverter alguns indicadores. “Aceito que houve um impacto grande da pandemia, mas quero saber como contornar isso”, disse a deputada, que também se mostrou preocupada com dados sobre as baixas coberturas vacinais no estado (em média de 60%).

Martha Rocha também questionou sobre os recursos advindos de emendas apresentadas na discussão do orçamento, como os relacionados ao combate à tuberculose. “Embora essas emendas não sejam impositivas, o compromisso é de que seriam, de fato, direcionadas à Saúde, conforme acordo firmado com o secretário de Planejamento”, comentou Martha. A equipe da SES ficou de enviar à Alerj uma relação de todas as medidas, mas informou que novos recursos serão liberados apenas se os destinados à pasta forem insuficientes.

Já a promotora de Justiça Márcia Lustosa Carreira, do Ministério Público Estadual, destacou como positivo na prestação de contas da Saúde a ampliação da oferta de exames de PCR e sorológicos durante a pandemia, para diagnóstico da covid-19, e a flexibilidade para organizar a logística. “Mas é preciso estabelecer metas para reduzir o impacto da saúde mental diante das mortes na pandemia e aumentar a cobertura vacinal. O MP vai cobrar dos municípios que ampliem essas coberturas”, destacou.

Elevação no número de mortes e internações

O relatório da SES mostrou que o número de internações hospitalares foi fortemente impactado pela pandemia de covid-19, em 2021: houve um aumento de 148% nas internações por doenças infecciosas e parasitárias em relação a 2019 (pré-pandemia).

A principal causa de internação são obstétricas (gravidez, parto e puerpério), que totalizaram 728.663 internações. Internações por causas externas, doenças do aparelho circulatório, doenças do aparelho digestivo, neoplasias (câncer), doenças do aparelho respiratório e doenças do aparelho geniturinário estão entre as principais causas.

Cerca de 90% do total de óbitos do Estado do Rio de Janeiro, em 2021, foram causadas por doenças infecciosas e parasitárias, destacando-se a covid-19, que respondeu por 83,6% dos óbitos neste grupo. Em seguida, vieram as doenças do aparelho circulatório (20%), neoplasias (12%), causas mal definidas (10%), doenças do aparelho respiratório (9%), causas externas de morbidade e de mortalidade (7%) e doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (5%).

De acordo com o relatório, o ano de 2021, assim como 2020, foi desafiador para área de saúde pelos impactos provocados pela pandemia. Após as primeiras duas ondas de covid-19, teve início, no final de fevereiro do ano passado, a terceira onda no estado com a entrada da variante Gama.

A quarta onda se iniciou em agosto, porém com menor intensidade, apesar da chegada e do predomínio da variante Delta. No entanto, no final de 2021, iniciou-se a quinta onda de covid e essa foi a que apresentou a curva mais elevada de casos (459.099 em 5 semanas), com predomínio da variante Ômicron.

Pesquisa sorológica

Uma boa notícia foi o aumento da capacidade de realização de testagens, por conta da necessidade de diagnóstico da Covid-19. O Laboratório de Saúde Pública Estadual (Lacen) realizou, no ano de 2021, um total de 539.469 análises de amostras biológicas, recebidas de todos os municípios do estado, referentes a 125 tipos de exames para pesquisa de patologias de interesse de saúde pública, que são monitoradas pela Vigilância em Saúde. A pesquisa de vírus respiratórios, que inclui o exame covid-19 Geral, totalizou 497.832 exames.

Com informações do Relatório da SES

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