Mortes por câncer de próstata podem mais que dobrar em 2040

Tumores de próstata serão a causa de 41,4 mil mortes de brasileiros, um aumento de 122%, acima da média mundial, que teve acréscimo de 97%

cancer de prostata
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O câncer de próstata, embora seja uma doença que na maioria dos casos seja de crescimento lento, é o tumor maligno mais comum entre os homens e com alta taxa de mortalidade. Se medidas mais efetivas de rastreamento populacional de câncer de próstata não forem adotadas, poderá haver o dobro de casos e mortes anuais pela doença em 2040.

É o que aponta levantamento feito pelo Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) na base Cancer Tomorrow da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê a incidência futura do câncer e a carga de mortalidade mundial e em cada país do planeta a partir das estimativas de 2020 até 2040.

A ferramenta aponta que o número de casos anuais de câncer de próstata no mundo saltará de 1,41 milhão para 2,43 milhões em 2040 (aumento de 75%), enquanto a mortalidade irá de 375 mil para 740 mil no período (aumento de 97%).  No Brasil, o aumento entre as duas décadas é ainda mais acentuado que a média mundial: acréscimo de 83% nos casos anuais e de 122% na mortalidade de 2040 quando comparado com 2020.

De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registrará 71.740 casos novos a cada ano deste triênio (2023-2025), um aumento de 8,5% em relação a estimativa anterior (2020-2022), que era de 65.840 casos anuais. No país, os tumores malignos de próstata respondem por 3 em cada 10 casos de câncer diagnosticados nos homens.

 

A Região Sudeste do país segue tendência de alta de casos de câncer de próstata em três dos quatro estados – Espirito Santo, Minas Gerais e São Paulo, de acordo com números levantados pelo Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) no Painel de Oncologia Brasil/Datasus, que considera o atendimento no Sistema Único de Saúde – SUS  (confira a tabela a seguir).

Os dados apontam que a tendência de aumento de casos já está presente em 2022, comparado ao ano anterior. No Espirito Santo e em Minas Gerais, o número de casos de 2022 já supera o apresentado em 2019;

Já na pandemia foi um período de queda, em função da dificuldade de realizar diagnósticos devido a fatores como a sobrecargas do sistema de saúde, confinamento da população, entre outros.

Na última coluna da tabela, o IUCR apresenta os números informados no sistema Datasus para os primeiros oito meses de 2023, que ainda estão em processo de atualização.

 

Região Sudeste – Diagnóstico de câncer de próstata *

Estado20192020202120222022 x 2021Julho/agosto 2023
Espírito Santo8596579381.097+16,9%581
Minas Gerais6.3534.9695.3886.830+26,7%3.434
Rio de Janeiro3.2722.5663.3553.135– 6,55%1.584
São Paulo10.9699.0139.1159.451+ 3,6%5.007

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

Aumento na procura por teste PSA

Também no Painel de Oncologia Brasil/Datasus é possível colher dados sobre o teste PSA (Antígeno Prostático Específico), um exame de sangue realizado, principalmente, para rastrear o câncer de próstata. No período de 2019 a 2022, o volume desse exame,  de acordo com dados informados na plataforma, tem crescido nos estados da Região Sudeste, com um aumento de  21% na quantidade de exames realizada em 2022, comparada a 2019.

Nesse mesmo período (2019/2022), de acordo com a mesma base de dados, foram realizadas 6.735 prostatectomias, procedimento cirúrgico para retirada da próstata, em casos de câncer. Desse total, 2.004 foram feitos em 2019; 1.403, em 2020; 1.448, em 2021; e 1.880, em 2022.

AnoNúmero de exames PSA/Região Sudeste
2019252.302
2020204.776
2021238.570
2022305.561

*Painel Oncologia Brasil/Datasus – Casos segundo UF da residência

Campanha ‘Só um toque, man’

Os números acendem o alerta para a intensificação das ações alusivas ao Novembro Azul, mês de conscientização mundial sobre câncer de próstata. Com esse foco, o IUCR cria em 2023 a campanha ‘Só um Toque, Man’, com mensagem-chave que faz analogia à disseminação de dicas de cuidados com a saúde, assim como lembra sobre a importância do exame de toque (associado ao exame de PSA), que é um tabu na população masculina.

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens a partir de 50 anos procurem um profissional especializado, para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos.

O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.

“Os homens são mais resistentes a cuidar da saúde. Infelizmente, é uma questão cultura, na qual muitos não aceitam estar em qualquer condição que eles julguem ser de vulnerabilidade. Isso fecha janelas de oportunidade para prevenção e para um potencial diagnóstico mais precoce. Precisamos dar este toque nos homens”, alerta o urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do IUCR e coordenador dos departamentos cirúrgicos oncológicos da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

PRINCIPAIS TOQUES PARA OS HOMENS 

  • Passe em consulta com o urologista uma vez ao ano
  • Se você já tem 45 anos de idade ou mais, faça o exame de toque retal e de sague PSA para a prevenção do câncer de próstata
  • Tenha uma alimentação equilibrada todos os dias
  • Faça a atividade física regularmente
  • Não fume
  • Use preservativo na relação sexual
  • Bebida alcoólica só com moderação
  • Fique alerta aos sinais do seu corpo
  • Mantenha o peso adequado

TRATAMENTO

A definição do tratamento é feita caso a caso, levando em conta variáveis como idade, tipo do câncer, estágio, estadiamento, estado clínico e emocional do paciente e possíveis efeitos colaterais associados ao tratamento. “Munidos dessas informações, podemos oferecer uma abordagem personalizada, baseada em evidências científicas, beneficiando cada paciente de forma assertiva”, explica Gustavo Guimarães.

As abordagens podem ser cirúrgicas, com destaque para a robótica; assim como por ultrassom de alta frequência, hormonioterapia, radioterapia, crioterapia, protonterapia e quimioterapia. “Há casos também em que a doença é indolente a tal ponto de optarmos por não tratar. Mantemos assim uma vigilância ativa, só optando pela terapia caso a doença evolua”, afirma.

Mais informações sobre epidemiologia, prevenção, diagnóstico, fases da doença, tratamento e reabilitação do paciente estão disponíveis aqui.

Fonte: IUCR

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