O verão está chegando e com ele as chuvas que marcam a temporada acendem o alerta para a possibilidade de novos desastres ambientais, ainda mais em tempos de agravamento das mudanças climáticas. Para quem mora em comunidades e outras áreas de risco, a tensão costuma ser ainda maior,  especialmente no Rio de Janeiro, uma cidade marcada por sua geografia acidentada, com muitas encostas.

Para contribuir com a cultura de prevenção, foi realizado um simulado de desocupação em 18 comunidades vulneráveis, neste sábado (29/11), Dia Estadual de Redução de Riscos de Desastres. A atividade foi coordenada pela Secretaria de Estado de Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e impactou cerca de 27 mil pessoas de 17 municípios.
Além da mobilização dos moradores de áreas de risco, o exercício testou o funcionamento das sirenes do Sistema Remoto de Alerta e Alarme Sonoro instalado em todo o território fluminense e os protocolos de ações em caso de desastres ocasionados por chuvas.
Atualmente, o Governo do Estado mantém 202 sirenes e 70 pluviômetros ativos, em apoio aos municípios. Os alertas sonoros antecipam as situações de risco e garantem um tempo precioso para a evacuação rápida e eficiente das áreas afetadas.
A Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro trabalham o ano todo, 24 horas por dia, para prevenir eventuais desastres. A preparação envolve toda a estrutura do Estado, as prefeituras e, claro, a sociedade”, ressaltou o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral dos Bombeiros, coronel Tarciso Salles.

Sistema de alertas e preparo para emergências

Ao longo de todo o ano, a Sedec-RJ atua de forma integrada com outras secretarias e órgãos do Estado do Rio de Janeiro para garantir medidas efetivas de proteção à população, reduzindo danos e prejuízos. O calendário de atividades inclui exercícios de desocupação de escolas e comunidades, treinamentos simulando inundações, enchentes, desabamentos e soterramentos, com foco na preparação, orientação e capacitação da sociedade.

Para não ser pego de surpresa, é recomendado que cada pessoa se cadastre para receber, no seu celular, os avisos e alertas de risco da Defesa Civil Estadual. Basta enviar, gratuitamente, um SMS com o CEP da sua residência para o 40199.
A prevenção é a melhor defesa. Se a sirene for acionada, saia imediatamente. Não retorne para buscar objetos de valor. Mantenha a calma e siga para os pontos de apoio previamente indicados pelos agentes da Defesa Civil”, recomendou o coronel Tarciso Salles.
Ao longo do ano, a Defesa Civil estadual promove uma série de atividades, incluindo simulados de desocupação em escolas, ações integradas com secretarias estaduais, testes do sistema de alerta e alarme, simulados de mesa e atividades de capacitação nos municípios, além da apresentação da versão atualizada do Plano de Contingência para Chuvas Intensas.

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Viva Rio mapeia áreas de risco nos Morros da Formiga e do Salgueiro

Mais de 100 pontos foram identificados com a participação da população e lideranças locais

A sociedade civil organizada também está preocupada com o risco de desastres ambientais. A OnG Viva Rio criou um projeto comunitário para mapear riscos e locais seguros em favelas cariocas, com o objetivo de prevenir desastres e preparar a população para agir em casos de emergência.

Os Morros da Formiga e do Salgueiro, localizados na Tijuca, foram pilotos deste trabalho. Nas duas comunidades, foram identificados, ao todo, 176 pontos, que incluem ameaças ambientais, áreas de risco, vulnerabilidades sociais, de edificações e de saúde, além de espaços de apoio.

Mais de 100 desses pontos são áreas e situações que podem ocasionar riscos à população, como descarte irregular de lixo, edificações em encostas e locais de alagamento. O mapeamento foi realizado com oficinas e trabalhos de campo que tiveram a participação de 70 pessoas, entre moradores, lideranças comunitárias, agentes de saúde e profissionais do Viva Rio.

Os espaços de apoio incluem unidades de saúde (Clínicas da Família), quadras, igrejas e sedes de instituições relevantes para as comunidades.  Além da identificação de ameaças, também foram promovidos treinamentos em Prevenção e Defesa Civil, Primeiros Socorros e Múltiplas Vítimas e Prevenção e Combate a Incêndios, que capacitaram 225 pessoas.

A ação faz parte do Plano de Prevenção e Respostas aos Riscos e Desastres nas Comunidades, criado pela Segurança Humana e Articulação Comunitária do Viva Rio em 2024, com apoio da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Saúde do Rio.

O projeto também teve a parceria das associações de moradores da Formiga e do Salgueiro e outros coletivos locais. Emerson Menezes, morador do Morro do Salgueiro e presidente do Instituto Sal-Laje, foi um dos parceiros do projeto e participou das oficinas de mapeamento.

Foi importante para que eu conhecesse algumas áreas do território ainda desconhecidas para mim. A iniciativa trouxe aos moradores a conscientização sobre os espaços que devem ser detectados como de ameaça e os que devem ser preservados. O projeto nos fez ver que somos responsáveis por proteger as regiões de mata, os pontos de apoio e de coleta de lixo, por exemplo”, comentou.

A próxima etapa é transformar esse conhecimento em uma cartilha para as duas comunidades, com informações acessíveis sobre como evitar riscos e agir em caso de desastres. O material também vai ajudar as unidades de saúde no planejamento de ações de prevenção e no fortalecimento da capacidade local de resposta.

Niterói simula cenário de emergência provocado por chuvas fortes e risco de deslizamento

A Prefeitura de Niterói realizou neste sábado (29) um simulado de acionamento de sirenes no Morro da Zulu, em Santa Rosa. A atividade envolveu equipes da Defesa Civil municipal, Defesa Civil Estadual, Samu, Nittrans e voluntários do Nudec, que atuam dentro da própria comunidade.

O exercício recriou um cenário de emergência provocado por chuvas fortes e risco de deslizamento. Ao ouvir a sirene e a mensagem de evacuação, moradores deixaram suas casas e seguiram por uma rota segura até o ponto de apoio da região, na igreja ao lado do Campinho. Mesmo com o tempo firme, o treinamento reforçou como a população deve agir em situações críticas.

Moradores destacaram a importância do treinamento, especialmente no período de chuvas intensas. “A gente entende melhor o perigo e sabe o que fazer. Quando a sirene toca, não dá para hesitar. Por isso trouxe minha família para participar”, contou a  moradora Ana Carolina da Silva.

A simulação integra o Plano de Contingência da Defesa Civil e é realizada periodicamente nas áreas onde há sirenes instaladas. As equipes acompanharam todo o percurso, orientaram moradores e organizaram a etapa de cadastro no ponto de apoio. Também foram realizadas simulações de resgate de feridos, com atendimento imediato das ambulâncias do Samu.
O simulado mostra, na prática, como a equipe da Defesa Civil e os voluntários do Nudec fazem a diferença. São eles que conhecem o território, sabem orientar os moradores e ajudam a organizar a evacuação com segurança. Em um cenário real de risco, cada ação conta. Ver essa mobilização funcionando, com responsabilidade e compromisso, confirma que estamos preparados e no caminho certo”, disse o secretário adjunto da Defesa Civil, coronel Walace Medeiros.

Para o presidente da Nittrans, Nelson Godá, o treinamento é essencial porque, em uma situação real, o entorno do desastre também precisa estar seguro. Segundo ele, a companhia atua para evitar que veículos se aproximem de áreas de risco, organizar desvios e garantir que as equipes de emergência tenham caminho livre até os pontos de apoio.

Quando a comunidade treina, nós também testamos nossas rotinas operacionais. É assim que aperfeiçoamos o controle do tráfego, prevenimos novos incidentes e asseguramos que ninguém seja exposto a um perigo maior durante a evacuação. Esse trabalho integrado faz toda a diferença”, afirmou o presidente da Nittrans, Nelson Godá.

Ações de resiliência climática chegam a 56 municípios

Também com vistas a preparar o estado para as chuvas de verão, o programa Ambiente Resiliente, da Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade, foi ampliado para 56 novos municípios fluminenses. A iniciativa visa o fortalecimento da capacidade das cidades para prevenir, responder e se adaptar aos desafios ambientais, com planejamento estratégico e execução de soluções.

O Governo do Estado também formalizou parcerias, como os Planos Locais de Ação Climática (PLACs), que reúnem 56 municípios. Com o investimento de R$ 35 milhões do FECAM (Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano), os PLACs serão implementados em parceria com a ONU-Habitat e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Além das 34 cidades prioritárias para elaboração dos planos, outros 22 municípios do Norte e Noroeste serão contemplados pelo AdaptaCidades, programa do Governo Federal de resiliência climática, com coordenação local do Estado.

São programas que fizemos questão de chegar aos municípios. Nós temos atuado em diversas áreas, porque o meio ambiente viabiliza soluções variadas, desde a prevenção de problemas, com licenciamentos e cuidados das cidades, até as necessidades de adaptação que as cidades precisarão passar – afirmou o secretário do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

30 municípios fluminenses mais suscetíveis e historicamente afetados por desastres climáticos

A Secretaria de Planejamento e Gestão, em parceria com a ONU-Habitat, lançou um relatório inédito com avaliação de riscos e vulnerabilidades dos 30 municípios fluminenses mais suscetíveis e historicamente afetados por desastres climáticos. O documento também apresenta um diagnóstico com proposta de ações locais para mitigar os impactos dessas mudanças.

Na ocasião, os prefeitos receberam a análise consolidada em uma coletânea composta por cinco documentos disponibilizados digitalmente, sendo três em versão impressa, incluindo a relação das 390 ações em curso pelo Governo do Estado para reduzir o risco de desastres e vulnerabilidades no território fluminense.

Para o levantamento, foram avaliados os seguintes municípios: Angra dos Reis, Aperibé, Barra Mansa, Belford Roxo, Bom Jardim, Bom Jesus do Itabapoana, Cabo Frio, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Cardoso Moreira, Duque de Caxias, Itaocara, Itaperuna, Japeri, Laje do Muriaé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Paraty, Petrópolis, Piraí, Porciúncula, Queimados, Santo Antônio de Pádua, São Gonçalo, Sapucaia, Sumidouro e Teresópolis.

Estamos falando de planejamento, de gestão e, acima de tudo, de vidas. Este trabalho também representa um olhar sobre as falhas históricas do planejamento urbanístico, que só aumentaram a vulnerabilidade de quem menos tem culpa. Por isso, buscamos fortalecer a parceria entre o Governo do Estado e os municípios, unindo capacidades e conhecimentos para apoiar os gestores públicos no planejamento e na implementação de estratégias de resiliência urbana e climática – destacou o secretário de Planejamento e Gestão, Adilson Faria.

Planos Municipais de Adaptação Climática no Norte e Noroeste

Na ocasião, também foi realizada a assinatura do Termo de Adesão do Consórcio de Integração da região do Norte-Noroeste Fluminense para elaboração de 22 Planos Municipais de Adaptação Climática. A parceria envolve o Estado, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e os municípios.

As cidades incluídas são: Aperibé, Cambuci, Bom Jesus do Itabapoana, Campos dos Goytacazes, Carapebus, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Itaocara, Italva, Itaperuna, Lajes de Muriaé, Macaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, Quissamã, Santo Antônio de Pádua, São Fidélis, São Francisco do Itabapoana, São José de Ubá, São João da Barra e Varre-Sai.

Também foi feito um Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto Climático Von Bohlen und Halbach Brasil Sustentável, Google e Secretaria de Transformação Digital para apoiar projetos conjuntos com ação e adaptação climáticas.

Agenda Positiva

Iluminação na cor laranja marcar o Dia Estadual de Redução de Riscos de Desastres

Data foi criada para reforçar a importância da cultura de prevenção

Para marcar o Dia Estadual de Redução de Riscos de Desastres, a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec-RJ) realiza uma série de ações com o objetivo de reforçar a importância da cultura de prevenção na sociedade. Na noite desta sexta-feira (28/11), o Monumento ao Cristo Redentor, o Santuário Basílica Nossa Senhora da Penha e o Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado, três importantes cartões-postais do Rio de Janeiro, serão iluminados com a cor laranja.

Por volta das 20h, está prevista uma cerimônia, realizada pelos capelães militares da corporação, no Santuário Cristo Redentor, aberta à imprensa. O objetivo deste tipo de ação é chamar a atenção, mobilizar a sociedade, estimular a cultura de prevenção e reduzir os riscos perante situações emergenciais.

A escolha da cor laranja representa simbolicamente o compromisso com a gestão de riscos e desastres, além de reforçar a importância da mobilização social em torno de um tema tão sensível e relevante para a segurança coletiva e o bem-estar da população. Medidas simples podem evitar grandes tragédias, especialmente no período de chuvas”, afirmou o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, coronel Tarciso Salles.

Com Assessorias


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