Todo brasileiro já ouviu a frase de que “o ano só começa oficialmente depois do Carnaval”. Então, chegou a hora de colocar ação nos seus planos e metas financeiras. Um estudo realizado pela Universidade de Scranton, nos EUA, mostra que apenas 8% das pessoas conseguem levar adiante suas promessas de fim de ano. Ainda bem que nós brasileiros temos uma segunda chance, já que, para muitos, o ano aqui só começa após o Carnaval.
Passada a euforia dos blocos, desfiles e viagens, muitos brasileiros despertam para uma realidade amarga: as faturas do cartão de crédito. A chamada “ressaca financeira” é um fenômeno comum nesta época do ano, quando os gastos com a folia se somam às despesas fixas de início de ano, como IPTU, IPVA e material escolar. No entanto, especialistas alertam que o problema vai além do bolso, impactando diretamente o equilíbrio emocional da população.
O peso das dívidas na saúde emocional
A preocupação constante com o orçamento apertado não é apenas uma questão contábil. Segundo pesquisa do Serasa, 83% dos brasileiros inadimplentes sofrem com perda de sono e ansiedade devido ao acúmulo de boletos. Para 84% dos entrevistados, o dinheiro afeta a saúde mental, gerando sintomas como estresse, dores de cabeça e tensão muscular.
O psicólogo clínico Miguel Catete, da Hapvida, explica que o apelo ao consumo desenfreado no fim de ano e no Carnaval cria um ciclo perigoso. “A pessoa gasta de forma desregrada e, em seguida, precisa expor sua fragilidade ao pedir emprestado. Isso adoece em pequenas doses”, afirma. Ele destaca que a ansiedade financeira pode limitar a vida social e alterar hábitos básicos, como alimentação e sono.
Estratégias para estancar os gastos
Uma parte da população brasileira tem o costume de dizer que o ano só começa oficialmente depois do Carnaval, por ser uma celebração que mobiliza o país inteiro, movimentando a economia e fazendo que muitos setores sejam aquecidos. No entanto, apesar de muitas pessoas acreditarem que podem resolver tudo depois desse período, esquecem que as dívidas não funcionam desse jeito e acabam se atrapalhando com o orçamento”, diz João Victorino, professor de MBA do Ibmec e educador financeiro (leia o artigo completo no final do texto).
Para quem “perdeu a mão” no cartão de crédito durante o feriado, a professora Joenice Diniz, da UniCesumar, orienta agir com método e rapidez. “O primeiro passo é reconhecer o erro e encarar a dívida de frente”, pontua.
Confira os passos essenciais para reorganizar o caixa:
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Diagnóstico preciso: Liste todas as entradas e saídas. Utilize planilhas ou aplicativos para visualizar onde o dinheiro está sendo gasto.
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Priorização de juros: Foque em quitar ou renegociar dívidas com juros mais altos, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial.
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Cortes temporários: Para cobrir um gasto não planejado, pode ser necessário um “sacrifício intenso” no curto prazo, reduzindo lazer e despesas supérfluas.
A organização financeira e o Imposto de Renda
Além de equilibrar as contas, a organização pós-Carnaval é crucial para outra obrigação iminente: a declaração do Imposto de Renda. A desorganização financeira pode levar à perda de comprovantes essenciais, aumentando o risco de cair na malha fina.
A professora Joenice recomenda já começar a separar documentos como informes de rendimentos, recibos de despesas médicas e escolares, além de extratos bancários com saldo em 31/12/2025. Ter essa documentação à mão evita erros por pressa e garante que o contribuinte aproveite todas as deduções legais.
3 dicas para não repetir o erro em 2027
Willian Conzatti, da fintech ConCrédito, e a planejadora Clay Gonçalves, da SuperRico, sugerem hábitos para blindar o bolso no futuro:
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Reserva de emergência: Tente poupar ao menos 10% da renda mensal para imprevistos.
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Dinheiro vivo na folia: Para o próximo ano, leve dinheiro em espécie para os blocos. Isso limita o gasto ao valor disponível e evita fraudes.
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Planejamento antecipado: Comece a poupar para o Carnaval de 2027 agora. Definir o estilo de festa (viagem ou blocos locais) ajuda a prever os custos reais.
6 hábitos financeiros para começar agora
Para ter uma vida financeira saudável é fundamental começar com pequenos hábitos que fazem uma grande diferença no longo prazo.
A Provu, fintech especializada em meios de pagamento e crédito pessoal, traz seis hábitos financeiros para você colocar em prática agora e conquistar os seus objetivos.
- Tenha metas e objetivos financeiros
Pegue aquelas resoluções de fim de ano e coloque em prática. Caso não tenha nenhuma, comece planejando algo que você queira e tenha como meta. Essa é uma ótima maneira de cuidar melhor do seu dinheiro antes de gastá-lo com o que pode não ser útil no momento.
- Anote todos os gastos
Após planejar as metas e objetivos financeiros, anotar as despesas em uma planilha ou caderno é fundamental para conseguir saber realmente para onde vai o dinheiro e, dessa forma, conseguir avaliar melhor o que pode ser economizado.
Uma dica é pegar o seu extrato do mês e dividir suas despesas em duas categorias. A primeira para despesas fixas, como aluguel, contas da casa e cartão de crédito, e a outra para despesas variáveis, que são as comidas fora de casa, as compras no shopping, entre outras.
- Poupe antes de gastar
Depois de separar a planilha em despesas fixas e variáveis, adicione nas despesas fixas um valor para guardar ou investir, e comprometa-se a guardar como se fosse o pagamento de uma conta. Mesmo conseguindo poupar pequenas quantias, a longo prazo elas irão fazer diferença.
- Troque sua dívida cara por uma mais barata
Dívidas caras como as do cartão de crédito e cheque especial podem ser trocadas por outras mais baratas, como a de um empréstimo pessoal, por exemplo, que oferecem taxas mais atrativas e personalizadas e também possuem flexibilidade para meios de pagamento, ajudando a diminuir a sua dívida e terminar ela mais rápido.
- Fuja das compras por impulso
As compras por impulso, podem ser um grande desperdício de dinheiro. Se por um lado poupar pequenas quantias fazem a diferença, gastar pouco, mas em grande quantidade, pode gerar prejuízo lá na frente. Por isso, antes de comprar, pare, analise e pergunte se você realmente precisa daquele produto e/ou serviço. Após isso, veja se o preço também vale a pena e se combina com o seu bolso.
- Estude finanças e comece a investir
Busque aprender sobre investimentos de pequeno risco e também entender como o mercado financeiro funciona. Poupar e investir o seu dinheiro é fundamental para quem quer uma vida financeira saudável. Seu “eu do futuro”, agradece
Passo a passo para criar uma reserva de emergência
Se você está sentindo o peso das contas no seu bem-estar, talvez seja hora de aprofundar seus conhecimentos em organização. Criar uma reserva de emergência é o primeiro passo para garantir a sua saúde financeira e a de sua família, pois a estabilidade financeira reduz o estresse e protege o seu bem-estar mental e físico.
Aqui está o guia passo a passo para você começar hoje mesmo:
Passo 1: Defina o seu “Número de Segurança”
A reserva de emergência deve cobrir o seu custo de vida (e não o seu salário total) por um período determinado.
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Assalariados (CLT): O ideal é ter o equivalente a 6 meses das suas despesas fixas.
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Autônomos/Freelancers: Pela instabilidade da renda, o recomendável são 12 meses.
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Exemplo: Se você gasta R$ 2.000 por mês para viver, seu objetivo final é acumular R$ 12.000.
Passo 2: Onde “esconder” esse dinheiro?
O dinheiro da reserva não pode ficar na conta corrente (onde é fácil gastar) e nem em investimentos trancados. Ele precisa de:
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Liquidez Diária: Você precisa conseguir sacar no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte.
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Baixo Risco: O valor não pode oscilar.
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Onde investir: Tesouro SELIC, CDBs de liquidez diária (que paguem pelo menos 100% do CDI) ou contas remuneradas de bancos digitais confiáveis.
Passo 3: A regra do “pague-se primeiro”
Não espere sobrar dinheiro no fim do mês, porque raramente sobra.
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Trate a sua reserva como um boleto obrigatório.
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Assim que receber seu salário ou pagamento, transfira uma quantia (mesmo que pequena, como R$ 50 ou R$ 100) imediatamente para a conta da reserva.
Passo 4: O que é (e o que não é) emergência?
Para não esvaziar o balde assim que ele começar a encher, defina regras claras:
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É Emergência: Remédios de última hora, conserto de um cano que estourou, perda de emprego, reparo essencial no carro/moto usado para trabalho.
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NÃO é Emergência: Promoção de passagem aérea, troca de celular por um modelo novo, presente de aniversário ou ingressos para festas.
Passo 5: Comece pequeno, mas comece
Não se assuste com o valor total do Passo 1. O segredo é a constância.
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Meta 1: Juntar R$ 1.000 (o “fundo de imprevistos imediatos”).
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Meta 2: Juntar 1 mês de custo de vida.
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Meta 3: Ir subindo mês a mês até atingir o seu Número de Segurança.
Dica extra: Conforme orientado nas boas práticas de planejamento, após o Carnaval, aproveite para revisar seus extratos e identificar “gastos invisíveis” (assinaturas que não usa, taxas bancárias) e direcione esse valor diretamente para a sua nova reserva.
Palavra de Especialista
Se o seu ano só começa após o Carnaval, saiba que as dívidas não
Por João Victorino*
Uma parte da população brasileira tem o costume de dizer que o ano só começa oficialmente depois do Carnaval, por ser uma celebração que mobiliza o país inteiro, movimentando a economia e fazendo que muitos setores sejam aquecidos. No entanto, apesar de muitas pessoas acreditarem que podem resolver tudo depois desse período, esquecem que as dívidas não funcionam desse jeito e acabam se atrapalhando com o orçamento.
E muitas vezes, as dívidas podem surgir a partir de compras para o Carnaval. Dados de uma pesquisa do Mercado Pago apontaram que a intenção média de gastos dos foliões foi R$ 200 por dia. Entre os benefícios mais valorizados, 45% priorizaram descontos, 33% preferiram cashback e 12% apostaram em promoções. Porém, caso você tenha gastado mais do que deveria, é provável que sinta o bolso pesar agora que a festa acabou.
Seja para o Carnaval ou qualquer outra festividade, o ideal é sempre ter um planejamento financeiro, sem deixar tudo para a última hora – um hábito que milhares de brasileiros insistem em não abandonar. Além disso, considero fundamental ter em mente que é possível reduzir os gastos sem precisar abrir mão da diversão, tendo como objetivo encontrar formas criativas de economizar.
Por outro lado, para quem já exagerou nos gastos e acabou se endividando durante a folia, a melhor estratégia é ajustar o orçamento e cortar despesas em outras áreas. Isso significa reduzir gastos em categorias menos essenciais para conseguir pagar as parcelas relacionadas ao Carnaval o quanto antes. Caso contrário, o que era para ser um momento de alegria pode se transformar em uma grande preocupação financeira.
É importante lembrar que boas decisões financeiras equilibram o presente e o futuro. Ter uma vida financeira saudável não significa abrir mão de tudo hoje, mas sim saber alternar suas escolhas para garantir tanto um presente prazeroso quanto um futuro tranquilo. O pior cenário é quando se troca um momento de diversão por um futuro de dificuldades – essa nunca será a melhor decisão.
*João Victorino é administrador de empresas, professor de MBA do Ibmec e educador financeiro. Com uma carreira bem-sucedida, busca contribuir para que as pessoas melhorem suas finanças e prosperem em seus projetos e carreiras. Para isso, idealizou e lidera o canal A Hora do Dinheiro com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.






