Refluxo pós-bariátrica agora tem tratamento no Brasil

Dispositivo similar a um marcapasso cardíaco provoca estímulos elétricos no esfíncter que provoca a doença do refluxo

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Dispositivo semelhante a marcapasso instalado no estômago promete combater o refluxo (Reprodução de Internet)
Dispositivo semelhante a marcapasso instalado na região do esfincter esofágico promete combater o refluxo (Reprodução de Internet)

A vida de quem passa por uma bariátrica não se torna um mar de rosas da noite para o dia após a cirurgia. Os pacientes enfrentam muitos desafios pela frente para se adaptar ao seu novo metabolismo. É o que já vimos em alguns posts por aqui neste especial sobre cirurgias para redução de estômago. Um dos incômodos é a chamada doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Pelo menos um a cada cinco pacientes que reduziu o estômago passa a sofrer do problema em algum grau. Isso é causado pelo aumento de pressão no órgão que faz com que, consequentemente, haja uma compressão também no esfíncter inferior do esôfago.

Os sintomas são os mesmos dos estimados 20% da população que sofrem de refluxo sem ter realizado a cirurgia. Os mais comuns são azia, queimação, disfagia ou dificuldade em engolir alimentos, pigarros, tosse e eructação.  Pacientes que passam por cirurgias de estômago não tinham uma alternativa cirúrgica para o tratamento do refluxo no Brasil. Isso porque não podem ser submetidos à fundoplicaturas (cirurgias anti-refluxo). Porém, uma nova técnica que acaba de chegar ao país promete ajudar os pacientes a enfrentar este problema.

A Estimulação Elétrica do Esfíncter Esofágico Inferior, conhecida como Endostim, consiste na implantação de um dispositivo similar a um marcapasso cardíaco na região do esfíncter esofágico inferior. “É um procedimento que, de forma menos agressiva e com menos efeitos colaterais, busca restaurar a qualidade de vida dos pacientes”, afirma o cirurgião carioca Cesar Wakoff. Ele é um dos responsáveis pelo procedimento em pacientes que passaram por cirurgia bariátrica no Brasil.

Como é feita a estimulação elétrica

O esfincter é responsável por evitar que os alimentos voltem do estômago para o esôfago, o que na doença do refluxo funciona de forma ineficiente. Segundo ele, a partir da inserção do Endostim, por meio de microeletrodos, inicia-se a estimulação elétrica no local. Isso faz com que o esfíncter trabalhe mecanicamente, restaurando sua função sem mudança anatômica. Pesquisas de quatro anos comprovam que 90% dos pacientes que passaram pelo procedimento não precisam mais de medicamentos de uso crônico.

De acordo com ele, o procedimento dura em torno de uma hora, com apenas um dia de hospitalização, podendo o paciente ser liberado até no mesmo dia. “Já temos alguns candidatos a realização desse novo método, sendo um paciente com refluxo comprovado associado a uma pequena hérnia de hiato de 2 cm. Ele não possui indicação para realização de fundoplicatura, mas apresenta muita sintomatologia. Há ainda outra paciente, submetida à gastroplastia vertical, que está em uso de medicamentos anti-refluxos, mas sem remissão completa dos sintomas”, conta.

O médico é membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e do American College of Surgeons, especializado em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo com Ênfase em Cirurgia Bariátrica e Refluxo Gastroesofágico por Videolaparoscopia, com estágio na Seoul National University Hospital, na Coreia do Sul.

O procedimento com o dispositivo Endostim está presente em países da Ásia, Europa e América Latina e já foi realizado em mais de 500 pacientes. As regiões Sul e Sudeste do Brasil acabam de ganhar locais inéditos onde será possível realizar não apenas o procedimento, mas também consultas até o diagnóstico e o tratamento do DRGE. Os Centros de Refluxo já estão funcionando em Porto Alegre, Belo Horizonte e Ponta Grossa, anexados ao Instituto do Aparelho Digestivo – IAD, no CEMAD e na Clínica Inovare, respectivamente.

Fonte: Endostim e Centro de Refluxo

 

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