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Quebrando barreiras: os desafios da educação inclusiva no Brasil

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Você já parou para imaginar a jornada difícil de uma criança que precisa ser carregada no colo até a sala de aula por falta de acessibilidade na escola em que estuda? Esta é a dura realidade de muitos alunos com deficiência – e de seus pais -, que enfrentam diversos desafios diariamente para ter acesso à educação.

Dados do Censo Escolar de 2023 mostram aumento no número de matrículas de alunos da educação especial, indicando um avanço na inclusão desses estudantes em turmas regulares. No entanto, a acessibilidade nos prédios escolares ainda é bastante precária em todo o país.

Apenas 15% de todas as escolas brasileiras, públicas ou privadas, possuem salas totalmente acessíveis e banheiros adaptados para pessoas com dificuldades de locomoção. Apenas 4% delas têm elevador. A presença de rampas é mais comum, mas ainda assim só a metade das escolas possui.

O Censo Escolar verificou também se as escolas tinham corrimão, banheiros adaptados, pisos táteis, portas com vão livre (mínimo de 80 cm), sinalização tátil, sinalização visual e sinais sonoros. E o resultado foi preocupante. Em 2023, apenas 201 escolas do país – o que corresponde a 0,1% dos estabelecimentos de ensino -, possuíam todos esses itens. A grande maioria ainda não está preparada para acolher PcDs.

As barreiras arquitetônicas são apenas parte do problema. A verdadeira inclusão vai além da acessibilidade física. Engloba também mudança de mentalidade e de atitudes do poder público e de toda a sociedade, o que inclui a comunidade escolar. Muitos professores destacam que é fundamental criar um ambiente verdadeiramente inclusivo para que todos possam ter oportunidades iguais de aprendizado e participação.

dia 14 de abril é considerado o Dia Nacional de Luta Pela Educação Inclusiva, data especial que reforça a importância da inclusão de pessoas com deficiência no sistema educacional e, por consequência, na sociedade. Para marcar a data, abrimos espaço para a discussão sobre

Benefícios da inclusão de PcDs em turmas regulares

Estudo coordenado por Thomas Hehir (já falecido), então professor da Universidade de Harvard, demonstrou que crianças com deficiência incluídas em turmas regulares desenvolvem habilidades mais fortes e são mais propensas a completar o ensino médio. Além disso, Hehir afirmava que a inclusão traz inúmeros benefícios para os outros estudantes da mesma turma.

Especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, o defensor público federal André Naves concorda, enfatizando que a diversidade em sala de aula enriquece a experiência educacional, pois amplia o olhar dos estudantes para as diferenças inerentes a cada indivíduo – com ou sem deficiência, pretos, brancos, gordos, baixos – moldando a construção de uma convivência mais colaborativa, altruísta, o que favorece a formação de uma sociedade inclusiva e acolhedora.

“Os direitos das crianças com deficiência devem ser protegidos. É necessário um compromisso coletivo para superar obstáculos e garantir que cada uma dessas crianças tenha acesso a uma educação de qualidade, adaptada às suas necessidades individuais”, afirma.

Os gestores escolares precisam estar mais atentos a essas questões: adequar a infraestrutura física da escola para receber os PcDs, promover palestras para pais e professores sobre o tema da inclusão – a fim de sensibilizá-los – e capacitar professores e funcionários para que possam promover uma cultura de inclusão no ambiente escolar. Investir na valorização da diversidade permite que cada criança seja vista pelo seu potencial, independentemente de suas limitações ou características físicas e mentais.

André Naves destaca que chegou a hora de agir. “Inclusão implica mudança no modo como o ensino é concebido e avaliado pelos gestores. Implica, por fim, na construção de uma nova sociedade, mais justa e igualitária. Precisamos nos unir nessa luta. É urgente que as políticas educacionais sejam revisadas e aprimoradas para alcançarmos uma verdadeira educação inclusiva e acessível a todos”, destaca.

Ele lembra que a inclusão nas escolas é um direito garantido pela Constituição Federal de 1988 e também pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996. A partir de então, a educação inclusiva vem sendo um tema cada vez mais em discussão no país.

“O acesso à educação é um direito fundamental de todos os cidadãos, sem exceção. Garantir a verdadeira inclusão das crianças com deficiência nas escolas não é apenas uma obrigação legal, mas também uma questão de justiça social e respeito à dignidade humana”, enfatiza o defensor.

Educação Inclusiva promove diversidade e amplia competitividade das empresas

Iniciativa é importante para 84% dos empregados e 75% dos recrutadores, mas só 16% das empresas oferecem programas de educação inclusiva, segundo levantamento da Robert Half

educação inclusiva no ambiente corporativo tem se mostrado uma alternativa interessante para a promoção da diversidade nas empresas e para o treinamento de profissionais qualificados. Porém, apesar de ser considerada importante por 84% dos profissionais empregados e por 75% dos recrutadores, apenas 16% das empresas oferecem programas deste tipo para grupos minorizados, segundo a 27ª edição do Índice de Confiança da Robert Half.

Por outro lado, de acordo com 21% dos recrutadores entrevistados, suas companhias aplicam treinamentos relacionados à agenda de Diversidade e Inclusão, mesmo que não sejam exclusivos para esses grupos.

“Grupos minorizados como mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, PCDs e profissionais com mais de 50 anos enfrentam preconceitos estruturais no trabalho. A promoção da educação inclusiva contribui para a construção de um ambiente mais diverso e acolhedor. Investir na capacitação de grupos minorizados também amplia a competitividade das organizações em um cenário de alta demanda por profissionais especializados”, destaca Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half América do Sul. 

A pesquisa ainda indica que pouco mais do que um terço das empresas (35%) está considerando a aplicação de treinamentos inclusivos em um futuro próximo. Chama a atenção, contudo, que 28% das organizações não apostem nesta estratégia. É válido reforçar que a preparação de profissionais para o mercado atenua a escassez de mão de obra qualificada, problema latente no mercado de trabalho atualmente.

“A educação inclusiva não é apenas uma questão de justiça social como também uma estratégia inteligente para potencializar o talento humano e impulsionar o crescimento sustentável das companhias no mercado atual. A diversidade é um ativo valioso que, quando valorizado e nutrido, contribui significativamente para o sucesso e a inovação organizacional”, completa Mantovani.

Esse recorte faz parte da 27ª edição do ICRH e é resultado de uma sondagem conduzida pela Robert Half com 774 recrutadores e empregados permanentes, distribuídos regionalmente e proporcionalmente pelo Brasil, de acordo com os dados do mercado de trabalho coletados na Pnad.

O papel das empresas na promoção de uma educação mais inclusiva

“Por meio da educação inclusiva, queremos que toda criança tenha a chance de alcançar o seu melhor como ser humano e de conquistar sua autonomia”, comentou Rodrigo Hübner Mendes, fundador do Instituto Rodrigo Mendes, instituição dedicada ao tema da educação inclusiva, em palestra para líderes da Latam Brasil na sexta-feira (12).

A palestra teve como base o livro “O Potencial da Mudança: o desafio de navegar pelas incertezas” em que Rodrigo compartilha algumas histórias, trazendo uma reflexão sobre como o inesperado, as grandes mudanças e as rupturas perpassam a vida.

Um dos temas abordados foi a sensibilização de executivos para que sejam cada vez mais agentes transformadores para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e o desenvolvimento de todo seu potencial no mundo corporativo.

O Instituto Rodrigo Mendes (IRM) e a Latam Brasil possuem uma parceria há mais de uma década, possibilitando à equipe do IRM expandir as possibilidades de uma educação inclusiva na prática pelo Brasil e pelo mundo, a partir da ampliação do seu trabalho em nível nacional e internacional.

Além disso, com a parceria, o Instituto tem a chance de conhecer de perto boas experiências de educação em diversos territórios, voando pela Latam. “A parceria nos permite levar esse propósito a diversos cantos do País e do mundo, capacitando mais educadores e impactando positivamente a vida de crianças e jovens”, complementou.

Rodrigo Hübner Mendes (centro) com executivos da Latam, após palestra sobre educação inclusiva (Foto: Divulgação)

Petrobras incentiva a leitura infantil com doação de livros socioeducativos

Segundo um estudo da educadora Ionara Batista, a importância da leitura na formação educacional das crianças proporciona acesso a informações, melhoria e aumento do vocabulário, bem como o desenvolvimento da concepção crítica sobre os mais diversos assuntos. Desde modo, é crucial que esse hábito seja introduzido nos primeiros passos da formação educacional de qualquer criança, ampliando as possibilidades daqueles que estão começando a descobrir a sua jornada pelo mundo.

No Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, a Petronect reforça seu compromisso com a educação inclusiva e de qualidade por meio do Reconect, seu Programa de Responsabilidade Socioambiental. Com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, em especial a ODS 4 – Educação de qualidade, a empresa busca promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos, beneficiando centenas de crianças em situação de vulnerabilidade social.

O Reconect Solidário, uma das frentes do programa, tem realizado ações em parceria com organizações sociais, proporcionando a doação de livros infantis, brinquedos educativos e caixas de bombons. Desde 2021, mais de 1.500 livros foram doados, impactando positivamente a vida de mais de 4.500 famílias e contribuindo para o seu desenvolvimento social e cultural.

Ação da Biblioteca Reconect em 2023 (Divulgação/Petronect)

Para as doações, a Petronect lançou três edições de livros infantis, protagonizados pelas mascotes do Reconect – Pretônio, Pipo e Pietra. As histórias, tituladas como “Pietra, Petrônio e Pipo em: valores para uma alimentação segura”, “Pietra e Petrônio em: valores para um mundo melhor” e “Pietra, Petrônio e Pipo: valores para o meio ambiente”, têm como objetivo incentivar a leitura infantil de forma lúdica, divertida e educativa. Todos os exemplares dos livros infantis do Reconect estão disponíveis no Portal Petronect.

Com Assessorias

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