Neste mês, acontece o Março Roxo, campanha internacional que visa conscientizar a população sobre a epilepsia. O objetivo também é promover a inclusão, com a proposta da redução do preconceito contra quem convive com a condição. No dia 26 de março, o mundo se veste de roxo para o Purple Day, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia.
Para marcar a data, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), por meio de seu Departamento Científico de Epilepsia, promove uma campanha nacional de utilidade pública com o tema: “O que fazer durante uma crise epiléptica?”. A iniciativa visa combater o estigma e, principalmente, corrigir erros comuns cometidos por leigos que, ao tentarem ajudar, acabam colocando o paciente em risco.
Estima-se que cerca de 2% da população brasileira sofra com a condição, e saber prestar o socorro correto nos primeiros minutos pode evitar complicações graves. Com o movimento, a discussão sobre o que deve e o que não deve ser feito durante uma crise epiléptica volta à tona, tanto para quem está passando pelo momento quanto para quem está ao redor.
Mitos que colocam a vida em risco
Um dos principais alertas do Departamento Científico de Epilepsia da ABN é o mito de que se deve segurar a língua do paciente. “Tentar puxar a língua ou introduzir objetos na boca da pessoa durante a crise é perigoso e totalmente contraindicado. Isso pode causar fraturas dentárias e lesões graves tanto no paciente quanto em quem tenta ajudar”, explica a coordenadora do departamento, Letícia Pereira de Brito Sampaio.
A campanha detalha o passo a passo correto para o atendimento inicial:
- Mantenha a calma: A maioria das crises dura menos de dois minutos e termina espontaneamente.
- Proteja a cabeça: Coloque algo macio embaixo (uma blusa ou almofada) para evitar traumas contra o chão.
- Afaste objetos: Retire de perto qualquer coisa que possa causar ferimentos.
- Vire a pessoa de lado: Esta é a medida mais importante para garantir que as vias aéreas fiquem livres.
- Cronometre o tempo: Se a crise durar mais de 5 minutos, chame o SAMU (192).
O papel do especialista e o combate ao preconceito
Além das orientações de socorro, o DC de Epilepsia da ABN reforça que o diagnóstico correto e o tratamento adequado permitem que a maioria dos pacientes leve uma vida normal, produtiva e independente. O Purple Day serve como um marco para lembrar que a epilepsia é uma condição neurológica tratável e que o preconceito nasce, primordialmente, da falta de informação.
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O que fazer e o que não fazer em uma crise epiléptica?
Para a enfermeira Natália Sposito, da Cuidare Brasil, o que pode ser um “divisor de águas” durante a crise é a calma, principalmente para quem está acompanhando a pessoa com quadro de epilepsia. Ela ainda afirma que informações sobre procedimentos devem ser cada vez mais divulgadas, com a proposta de ajudar quem está em tratamento da condição.
O que mais ajuda durante uma crise é a postura de quem está ao redor. Manter a serenidade permite agir de forma mais consciente, evitando atitudes impulsivas que podem atrapalhar o atendimento. E ainda existe muito desconhecimento sobre o que fazer nesses momentos, o que reforça a importância de ampliar a divulgação de orientações simples e confiáveis. Quando familiares, amigos e até colegas de trabalho sabem como proceder, o ambiente se torna mais seguro e acolhedor”, explica.
A especialista indicou 6 dicas para quais caminhos tomar (e quais evitar) durante os momentos de instabilidade. Confira:
- Manter a calma – Sposito destaca que, antes de tudo, o primeiro passo é ter tranquilidade e passar isso a quem está tendo a crise. Ela pontua que a maioria das crises dura poucos minutos e se resolve espontaneamente. Além disso, observar o episódio ajuda a relatar o ocorrido posteriormente.
- Não contenha os movimentos – Tentar segurar braços e pernas pode causar lesões tanto no paciente quanto em quem está com a intenção de ajudar. A especialista ressalta a postura calma e a importância de manter o ambiente com objetos e outras pessoas afastadas. A ideia é que o local esteja livre de riscos.
- Proteger a cabeça – A proteção à cabeça é fundamental para a manutenção da saúde de quem está passando pelo quadro de epilepsia. A enfermeira afirma que um travesseiro ou outro objeto macio pode ser colocado sob a parte do corpo em questão, uma vez que ajuda a reduzir o risco de impactos no chão ou em superfícies próximas.
- Comida, bebida e medicamentos – De acordo com Sposito, quem está em uma crise epiléptica pode ter dificuldade para engolir. Ela pontua que é primordial aguardar até que o paciente esteja estável e consciente antes de oferecer algo.
- Posicionamento e apoio – Além do apoio à cabeça, a especialista reitera que colocar a pessoa de lado após o momento mais intenso da crise passar pode ser importante para sua recuperação, já que facilita a respiração e evita que saliva e possíveis vômitos sejam aspirados. Ela também relata que permanecer ao lado a todo instante é essencial para sua orientação e reabilitação.
- Crises prolongadas – Caso a crise dure mais que cinco minutos ou caso haja repetição sem recuperação, o atendimento médico se torna crucial para a saúde do paciente, conta Sposito.
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Agenda Positiva
Seminário em SP destaca diagnóstico precoce e tratamento adequado
O Hospital Felício Rocho integra e apoia a programação do Março Roxo em Belo Horizonte, campanha internacional dedicada à conscientização sobre a epilepsia. Como parte das ações do Purple Day 2026, o hospital promove, no dia 25 de março, às 19h, o seminário “Epilepsia em Foco”, em seu auditório, reunindo profissionais de saúde, estudantes e público interessado para debater a condição neurológica, seus desafios e avanços no tratamento.
A iniciativa reforça o compromisso da unidade com a promoção da saúde, a educação da população e a luta contra o estigma ainda associado à epilepsia. O seminário abordará temas como diagnóstico correto, opções terapêuticas, acompanhamento multidisciplinar e qualidade de vida dos pacientes, além de esclarecer mitos que ainda cercam a doença.
“Quando falamos de epilepsia, falamos também de informação, acolhimento e acesso ao tratamento adequado. O Hospital Felício Rocho tem um papel importante nesse processo, tanto no cuidado clínico quanto na conscientização da sociedade. O Março Roxo e o Purple Day nos permitem ampliar esse diálogo, combater preconceitos e mostrar que, com acompanhamento especializado, a maioria dos pacientes pode ter qualidade de vida e autonomia”, destaca a neurologista do Núcleo de Tratamento Avançado das Epilepsias Felício Rocho (NATE), Ana Paula Gonçalves.
Além do seminário, a unidade integra a programação mais ampla do Março Roxo na capital mineira, que inclui caminhada de conscientização, palestras acadêmicas, rodas de conversa e ações institucionais voltadas à defesa dos direitos das pessoas com epilepsia. Entre os dias 23 e 27 de março, prédios públicos e entidades parceiras serão iluminados de roxo, cor símbolo da causa.
Com Assessorias

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