A recente queda de Jair Bolsonaro, de 70 anos, em sua cela na Polícia Federal, resultando em um traumatismo craniano leve (TCE leve), reacendeu um debate que o Portal Vida e Ação vem acompanhando de perto: a saúde do idoso como prioridade técnica versus seu uso como trunfo jurídico. A medicina baseada em evidências alerta que o perigo das quedas na terceira idade é universal e exige protocolos científicos, não privilégios.

Para contextualizar, o episódio de Bolsonaro guarda paralelos — e diferenças cruciais — com o acidente doméstico sofrido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos 78 anos, em outubro de 2024. Na ocasião, Lula caiu no banheiro do Palácio da Alvorada, sofreu um ferimento na região occipital e precisou de pontos e exames de imagem repetidos.

A diferença? Lula foi submetido a um monitoramento hospitalar rigoroso e cancelou viagens internacionais, seguindo o protocolo de “vigilância do intervalo lúcido”, sem que isso se tornasse uma manobra para burlar ritos institucionais. O monitoramento pós-queda de Bolsonaro deve seguir o mesmo rigor técnico aplicado a Lula ou a qualquer idoso, mas o prontuário médico não pode servir de escudo para conveniências políticas.

O cenário alarmante das quedas no Brasil

Dados do Ministério da Saúde revelam que a queda não é apenas um “acidente”, mas uma ameaça constante à autonomia do idoso brasileiro:

  • Onde ocorrem: 70% dos acidentes com pessoas acima de 65 anos acontecem dentro de casa.

  • Recorrência: 30% dos idosos caem pelo menos uma vez ao ano.

  • Gravidade: Aproximadamente 25% das quedas resultam em hospitalização.

O impacto vai além do físico. Como em um efeito cascata, a queda gera medo de cair novamente, levando ao sedentarismo e à depressão pela perda de independência.

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O perigo silencioso: por que idosos caem?

As quedas são a principal causa de hospitalização e perda de autonomia na terceira idade. Segundo o ortopedista Maurício Martelletto, da Clínica Pró-Movimento, os números crescentes de fraturas de coluna nessa fase reforçam a necessidade de prevenção. “A coluna é igual aos demais órgãos: se não cuidarmos preventivamente, ela envelhece antes do tempo e se torna vulnerável a qualquer pequeno desequilíbrio”, alerta.

Dados do Ministério da Saúde indicam que 70% dos acidentes com idosos ocorrem dentro de casa. Os principais vilões são:

    • Fraqueza muscular e falta de equilíbrio.

    • Tapetes soltos e iluminação precária.

    • Uso de medicamentos que causam tontura.

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O “intervalo lúcido”: a armadilha das primeiras 48 horas

O diagnóstico de TCE leve em idosos pode ser enganoso. O acompanhamento nas primeiras 24 a 48 horas é vital devido ao fenômeno do intervalo lúcido: o paciente parece bem e orientado logo após a queda, mas pode apresentar um sangramento interno lento (hematoma subdural) que causa colapso horas depois.

Sinais de alerta que exigem monitoramento técnico:

  • Vômitos e sonolência excessiva: Indicadores de aumento da pressão intracraniana.

  • Confusão mental: Mudanças sutis no comportamento podem sinalizar pequenas hemorragias.

  • O fator CPAP: Como Bolsonaro sofre de apneia severa, segundo seus médicos, e utiliza o equipamento, o sono fragmentado aumenta o risco de desorientação noturna e novas quedas ao levantar da cama, tornando a vigilância na cela ainda mais necessária.

Assista o vídeo abaixo para entender por que bater a cabeça pode ser perigoso para idosos e quais sinais exigem ida imediata ao pronto-socorro.

Dicas estratégicas para um ambiente seguro

Se você tem um idoso em casa, o fortalecimento muscular e a adaptação do ambiente (instalação de corrimãos e retirada de tapetes) são as medidas mais eficazes para evitar que um pequeno acidente se torne uma tragédia. Segundo Kaened Ferreira, enfermeira e instrutora de cuidadores, a investigação deve ser dupla: adaptar a casa e checar a saúde (visão e funções motoras). Confira as recomendações práticas para evitar que o lar se torne uma armadilha:

  • Iluminação e Acessos: Manter ambientes bem claros e instalar corrimãos em corredores, banheiros e próximo à cama.

  • Mobiliário: Proteger bordas pontiagudas e evitar fios expostos ou degraus que obstruam o caminho.

  • Pisos e Tapetes: Eliminar tapetes soltos e optar por pisos antiderrapantes em áreas úmidas.

  • Vestuário: Priorizar calçados presos aos pés com solas de boa aderência.

  • Saúde Física: Incentivar a atividade física supervisionada para fortalecer a musculatura e manter os check-ups médicos em dia.

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