Segundo dados da Unesco, em todo o mundo, as mulheres representam apenas 35% dos que buscam o ensino superior em STEM – um movimento que propõe um ensino baseado em quatro disciplinas específicas (ciências, tecnologia, engenharia e matemática) – e menos de 30% dos pesquisadores científicos. O desequilíbrio de gênero limita as possibilidades de inovação e de novas perspectivas para solucionar desafios atuais e futuros.
Para mudar esta realidade, em 2015 a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11 de fevereiro). Sob a liderança da Unesco e da ONU Mulheres, a efeméride é celebrada em diversos países, com a colaboração de instituições e parceiros da sociedade civil. Com o objetivo de dar visibilidade ao papel e às contribuições das mulheres na ciência e tecnologia, a data busca reafirmar e fortalecer a participação de jovens no âmbito científico.
A escola tem um papel fundamental para incentivo ao desenvolvimento das mulheres nas ciências. Para Fraya da Cunha, diretora do Marista Escola Social Lucia Mayvorne, o olhar para a ciência começa dentro e se estende para fora da sala de aula. “A ideia é que elas possam realizar atividades que tragam conhecimentos necessários, mas também impactem a comunidade, e contribuam para seus projetos de vida”, reforça.

Para a diretora, pais e responsáveis também podem contribuir para que a ciência seja assunto em casa. “Desde as perguntas sobre o que é feito tal objeto, assim como a mistura de alimentos para fazer uma comida, ou a curiosidade ao plantar uma sementinha no algodão, tudo é ciência e pode ser comentado no ambiente familiar”, reforça.

A escola promove a integração dos alunos com as disciplinas, e também as inscrições para as Olimpíadas, como a Olimpíada Nacional de Ciências e de Astronomia. “Nossas alunas e alunos encontram espaços para debater, refletir sobre o tema e criar experiências dentro e fora da sala de aula. A curiosidade e a pesquisa andam juntas, olhando para o futuro”, reforça Fraya.

Fiocruz abre as portas para 100 meninas estudantes do Ensino Médio

Desde 2019, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência integra o calendário da Fundação Oswaldo Cruz. Para marcar a data este ano, o Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência promoveu, de 8 a 10 de fevereiro, o evento Imersão no Verão, com a participação de 100 alunas do Ensino Médio de escolas públicas do Estado do Rio de Janeiro, que foram recebidas por profissionais em seus laboratórios e espaços de pesquisa.
O evento deste ano voltou a ser presencial, após dois anos no formato virtual, em função da pandemia. Para estimular o interesse e promover a inserção de jovens nas áreas de pesquisas ligadas à saúde pública, as jovens vivenciaram o cotidiano da Fundação. Ao todo, 291 estudantes de 30 municípios do estado se inscreveram para participar, interessadas em conhecer um pouco mais sobre como se faz ciência na instituição.

As atividades ocorrereram em todas as unidades técnico-científicas da Fiocruz no Rio de Janeiro, culminando com uma grande roda de conversas entre alunas e pesquisadoras para um bate-papo e trocas de experiências transmitido pelo canal da VideoSaúde da Fiocruz no YouTube, com a participação de pesquisadoras da fundação de todo o país.

O evento é promovido pelo Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência, da Coordenação de Divulgação Científica, vinculada à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), e está em consonância como as políticas afirmativas para educação da instituição, orientadas pela busca por uma sociedade mais justa, equânime e inclusiva.

Para Letícia Meirelles, moradora de Manguinhos e participante do evento Meninas Negras na Ciência, coordenado pela pesquisadora Hilda Gomes, e parte da programação do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência em 2020, o programa abriu diversas portas para a sua trajetória estudantil.

“O projeto foi de suma importância na minha vida. Tive a oportunidade de conhecer laboratórios, cientistas negras, periféricas que fizeram toda a diferença, que me inspiraram e encorajaram a seguir carreira científica. No final do ano, eu vou prestar vestibular para medicina, na UERJ, e a Fiocruz me possibilitou viver esse momento”, afirmou.

Cristina ressalta a participação das unidades e de diversas áreas da instituição para o sucesso do evento. “Além dos laboratórios, das unidades de saúde, dos ambulatórios e das unidades de produção de vacinas, imunológicos e medicamentos, mobilizamos equipes inteiras das áreas de gestão, comunicação e informação para nos apoiarem com a organização de ações educativas voltadas para o incentivo ao diálogo. É muito importante para a nossa instituição essa aproximação com a educação básica, em especial, com a juventude que tem curiosidade e interesse em conhecer mais a ciência que fazemos”, destacou.

“O fazer científico é uma das atividades que mais demandam preparação por parte daqueles que querem se dedicar à pesquisa. E começar cedo, ainda na educação básica, é algo muito promissor. Queremos despertar interesse nas jovens e assim contribuir para escolhas profissionais que as aproximem da ciência”, concluiu.

Mais informações na página do Programa Fiocruz Mulheres e Meninas na Ciência.

Museu do Amanhã cria podcast em parceria com escolas

Reconhecendo que a importância de aumentar as referências de cientistas mulheres durante a educação básica para incentivar meninas e adolescentes a seguirem carreiras científicas, o Museu do Amanhã se uniu a escolas públicas brasileiras para mostrar o protagonismo das mulheres na ciência, além de debater os desafios que se apresentam na carreira destas pesquisadoras e seus feitos enquanto pesquisadoras. Em dezembro, chegou às plataformas de streaming de áudio o podcast Vocações, sobre a atuação de mulheres na ciência.

Realizada por professoras e alunas de escolas públicas brasileiras, a produção traz entrevistas com pesquisadoras de diversos campos de conhecimento. O podcast é fruto de programa de formação realizado com patrocínio da White Martins. A produção tem como objetivo investigar as histórias, feitos e conquistas dessas mulheres, além de fortalecer o sentimento de identidade. Os 11 episódios estão disponíveis nas plataformas de streaming de áudio.

O projeto selecionou cinco professoras de escolas públicas brasileiras, uma de cada região do país, para um ciclo de aprendizagem sobre todas as etapas da criação de um podcast e também sobre a relação entre gênero e ciência. Junto às suas alunas, elas produziram 11 episódios que trazem entrevistas de pesquisadoras brasileiras dos diferentes campos do conhecimento que tenham vivido na região onde as escolas estão situadas.

As professoras contempladas participaram de um treinamento on-line com carga horária de 15h para desenvolver os episódios do podcast e também receberam insumos técnicos para a execução do projeto, que resultará, ainda, em um Ebook com conteúdos de formação sobre a produção de podcasts.

Com informações de assessorias e da Agência Fiocruz de Notícias

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