O excesso de peso deixou de ser uma preocupação puramente estética para se consolidar como um dos maiores desafios da medicina moderna. No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, o alerta de especialistas torna-se ainda mais urgente: a obesidade é uma doença crônica que impacta diretamente a longevidade e a eficiência do coração.

De acordo com um estudo internacional publicado no European Heart Journal, pessoas com diabetes tipo 2 — condição frequentemente desencadeada pelo excesso de peso — apresentam um risco até seis vezes maior de morte súbita cardíaca. O dado é alarmante para o Brasil, onde o sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que a fiabetes cresce 13,5% no Brasil em 18 anos e a obesidade mais que dobrou nas últimas duas décadas, atingindo mais de 68% dos adultos.

O excesso de peso é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, que seguem entre as maiores causas de morte no Brasil e no mundo. Mais do que uma questão estética, a obesidade é uma condição clínica que impacta diretamente o funcionamento do coração e compromete a qualidade e a expectativa de vida.

De acordo com especialistas, cada quilo a mais representa também uma sobrecarga adicional ao sistema cardiovascular. O coração precisa bombear sangue para uma quantidade maior de tecido corporal, aumentando a demanda cardíaca, elevando a pressão arterial e favorecendo alterações metabólicas que criam um ambiente propício para doenças graves.

O coração é um órgão resiliente, mas ele também tem limites. O excesso de peso sobrecarrega seu funcionamento e cria condições propícias para o surgimento de doenças silenciosas, que muitas vezes só se manifestam em fases avançadas”, alerta  Bianca Prezepiorski, médica cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini.

Como a obesidade compromete o sistema cardiovascular

O acúmulo de gordura corporal está diretamente relacionado a uma série de alterações que impactam o sistema circulatório. Entre as principais consequências estão:

  • Hipertensão arterial, resultado do aumento da demanda sanguínea e da maior resistência nos vasos.
  • Dislipidemia, com elevação de colesterol e triglicerídeos.
  • Diabetes tipo 2, frequentemente associada à resistência à insulina em pessoas com obesidade.
  • Apneia do sono, distúrbio que agrava a pressão arterial e prejudica a oxigenação do organismo.

Essas condições formam um cenário de risco elevado para infarto, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). Embora a prevenção deva ser prioridade, alguns sintomas exigem atenção imediata. Dor no peito, falta de ar, palpitações, cansaço excessivo e inchaço nas pernas devem ser investigados.

A obesidade é um dos principais inimigos silenciosos do coração. Muitas vezes o paciente não percebe danos imediatos, mas ao longo dos anos o excesso de peso favorece o acúmulo de placas de gordura nas artérias e pode levar a complicações graves”, explica Dra. Bianca.

Doença crônica e risco progressivo

Especialistas destacam que a obesidade deve ser compreendida como uma doença crônica, multifatorial, e não apenas como resultado de hábitos inadequados. Fatores genéticos, ambientais, hormonais e comportamentais influenciam no ganho de peso e na dificuldade de controle.

O impacto no coração é progressivo: o aumento constante da pressão sobre o órgão pode levar ao espessamento do músculo cardíaco, à perda de eficiência no bombeamento do sangue e, em casos mais graves, à insuficiência cardíaca.

Não se trata apenas de emagrecer por estética. O controle do peso corporal reduz significativamente o risco de infarto e AVC, melhora o controle da pressão e do diabetes e amplia a expectativa de vida”, reforça a cardiologista.

A sobrecarga mecânica e o “inimigo silencioso”

O impacto do peso sobressalente no sistema circulatório é multifatorial. Mecanicamente, o coração precisa trabalhar com mais intensidade para bombear sangue para uma massa corporal maior. Quimicamente, a gordura visceral (acumulada no abdômen) atua como um órgão endócrino inflamado.

A obesidade mantém o organismo em estado de inflamação constante. Esse processo favorece a resistência à insulina e provoca danos progressivos aos vasos sanguíneos”, explica a endocrinologista Flávia Pieroni, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica.

Essa inflamação persistente acelera a formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), elevando a pressão arterial e criando o ambiente perfeito para eventos graves como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC).

Prevenção: pequenas mudanças, grandes resultados

A boa notícia é que a prevenção é possível. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento médico periódico são pilares fundamentais para reduzir riscos. Segundo a especialista do Hospital Cardiológico Costantini, mudanças graduais, porém consistentes, no estilo de vida têm impacto direto na saúde cardiovascular.

Cada quilo a menos pode representar um alívio real para o coração. Controlar o peso é um gesto de autocuidado e uma estratégia concreta de prevenção. Quanto antes essa consciência for incorporada ao dia a dia, maiores são as chances de manter o coração saudável ao longo da vida”, afirma Bianca Prezepiorski..

Exames essenciais para avaliação de risco

Para quem está acima do peso, o acompanhamento médico deve ir além da balança. Segundo a cardiologista Fernanda Erthal, do laboratório Bronstein e da clínica CDPI, a identificação precoce de alterações pode salvar vidas. Os principais métodos diagnósticos incluem:

  • Laboratoriais: Glicemia em jejum, hemoglobina glicada e perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos).

  • Estruturais: Ecocardiograma (para verificar a estrutura do músculo cardíaco) e Teste Ergométrico (avaliação do esforço).

  • Avançados: Angiotomografia de coronárias e Ressonância Magnética Cardíaca, capazes de identificar placas e inflamações de forma não invasiva.

O acompanhamento médico regular é essencial, especialmente para quem já apresenta fatores de risco. Identificar alterações precocemente pode evitar complicações graves e salvar vidas”, conclui Dra. Bianca.

Com Assessorias

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