O perfil de saúde dos brasileiros passou por transformações profundas nas últimas duas décadas, mas nem todas são positivas. Dados inéditos do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2025, divulgados nesta quarta-feira (28), revelam que a obesidade dobrou no país em 18 anos, saltando de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.

O cenário de excesso de peso é ainda mais abrangente: atualmente, 62,6% da população adulta está acima do peso ideal, um crescimento de 20 pontos percentuais em relação ao índice de 42,6% registrado em 2006.

Explosão de doenças crônicas

O avanço do ponteiro na balança reflete diretamente no aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). O diagnóstico médico de diabetes foi o que apresentou o crescimento mais alarmante, com uma alta de 135% no período, passando de 5,5% para 12,9% dos adultos. A hipertensão também seguiu a tendência de alta, subindo de 22,6% para 29,7%.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o envelhecimento populacional é um fator determinante para esses números. “À medida que o Brasil vai envelhecendo cada vez mais, surgem mais pessoas com doenças crônicas. Por isso, precisamos ter mais políticas de cuidado e prevenção”, afirmou durante o lançamento dos dados no Rio de Janeiro.

O paradoxo dos hábitos

A pesquisa apresenta um dado curioso: os brasileiros estão se exercitando mais no tempo livre e consumindo menos açúcar, mas isso ainda não foi suficiente para conter o avanço das doenças.

  • Atividade física: A prática de exercícios moderados no tempo livre cresceu de 30,3% (2009) para 42,3% (2024). Por outro lado, o sedentarismo no deslocamento aumentou — apenas 11,3% se exercitam para ir ao trabalho ou estudo, contra 17% em 2009, reflexo do maior uso de transportes por aplicativo.

  • Alimentação: O consumo de refrigerantes e sucos artificiais caiu quase pela metade, recuando de 30,9% para 16,2%. Já o consumo de frutas e hortaliças permanece estagnado em torno de 31%.

  • Sono: Pela primeira vez, o Vigitel monitorou o descanso dos brasileiros. O resultado preocupa: 20,2% dormem menos de seis horas por noite e 31,7% sofrem com insônia, condição mais comum entre as mulheres.

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Governo lança Viva Mais Brasil para frear indicadores

Como resposta aos dados do Vigitel, o Ministério da Saúde anunciou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional com investimento inicial de R$ 340 milhões. O foco é a promoção da saúde e a retomada de programas de incentivo à vida ativa.

Um dos pilares da iniciativa é a revitalização da Academia da Saúde. O programa receberá R$ 40 milhões ainda em 2026 para a contratação de profissionais e manutenção de espaços. A expectativa é que, com profissionais orientando os exercícios nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), haja uma redução no uso de medicamentos, inclusive para saúde mental.

Fortalecimento da rede pública

Para incentivar os municípios a cuidarem melhor dos pacientes crônicos, o Ministério estabeleceu 15 indicadores de qualidade. As cidades que apresentarem melhor acompanhamento de diabéticos, hipertensos, gestantes e crianças poderão receber até 30% a mais de repasses financeiros.

O investimento total para o enfrentamento da hipertensão e diabetes na Atenção Primária deve chegar a R$ 1,5 bilhão em 2026, somando-se às entregas do Novo PAC Saúde, que prevê a construção de 2,6 mil novas UBS em todo o território nacional.

Viva Mais Brasil: 10 Compromissos por uma Vida Saudável

O Ministério da Saúde lançou uma estratégia nacional para combater o avanço da obesidade e das doenças crônicas. Conheça os 10 eixos que guiarão as novas políticas públicas no SUS:

  1. Mais movimento: Incentivo à vida ativa e retomada das Academias da Saúde.

  2. Alimentação saudável: Ações para facilitar o acesso a comida de verdade.

  3. Menos tabaco e álcool: Fortalecimento das políticas de redução de danos e consumo.

  4. Saúde nas Escolas: Educação alimentar e física desde a infância.

  5. Controle de doenças crônicas: Foco total no acompanhamento de diabetes e hipertensão.

  6. Mais vacinação: Ampliação da cobertura vacinal em todo o território.

  7. Protagonismo e autonomia: Incentivo para que cada cidadão cuide da própria saúde.

  8. Saúde digital: Uso da tecnologia e telessaúde para facilitar o atendimento.

  9. Cultura da paz: Ações integradas para a redução das violências.

  10. Práticas integrativas: Ampliação do acesso a terapias complementares no SUS.

 

Ministério da Saúde certifica dois hospitais de ensino do RJ

Encerrando a programação no Rio de Janeiro, o ministro Padilha assinou a Ordem de Serviço para a construção da nova maternidade de porte 1 no município de Japeri. A ação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, no âmbito do Novo PAC Saúde. Com investimento de R$ 103 milhões, a unidade funcionará 24 horas, fortalecendo a qualidade do atendimento do SUS para mães, puérperas e crianças da região.

Também no Estado do Ri, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, na capital, e o Hospital Universitário de Vassouras (RJ), receberão a certificação de hospitais de ensino do Sistema Único de Saúde (SUS), junto com outros quatro hospitais públicos brasileiros.

Os estabelecimentos são voltados para a formação na área da saúde e têm estágios para estudantes e residência médica para que os profissionais da área possam se desenvolver. São lugares com produção de conhecimento e inovação em saúde. A certificação faz parte do programa Agora Tem Especialistas, que busca a formação de novos especialistas e também a oferta de serviços de saúde de alta complexidade.

O secretário da Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, assinou a certificação nesta quarta-feira (28), em Belo Horizonte, no Hospital Sofia Feldman, que também recebeu o certificado. Outros certificados são o Complexo Hospitalar Mater Dei (MG), o Hospital das Clínicas de Bauru (SP) e o Hospital Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Passos (MG).

 

Com informações do Ministério da Saúde e Agência Brasil

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