O luto tomou conta da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após um trágico acidente na última segunda-feira (30/3). A geógrafa Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, e seu filho, Francisco Farias Antunes, de 9 anos, morreram após a bicicleta elétrica em que estavam ser atingida por um ônibus da linha 606.

Embora relatos iniciais sugerissem que a ciclista teria sido fechada por um carro, imagens de segurança analisadas pela polícia indicam que não havia outros veículos próximos no momento da queda sob o coletivo.

Emanuelle morreu na hora, no local do acidente. Já Francisco, filho do humorista e roteirista Vinicius Antunes, do canal Cacofonias (fofo acima), ainda foi socorrido, mas não resistiu. O sepultamento ocorreu nesta quarta-feira (1), no Cemitério da Penitência, no Caju.

O caso, registrado como homicídio culposo na 19ª DP (Tijuca), chocou a cidade e expôs a fragilidade dos ciclistas em vias de grande fluxo que carecem de proteção específica. No local do acidente, em um ponto movimentado da Tijuca, com intenso tráfego de bicicletas em meio a carros de passeio e ônibus, manifestantes cobraram a instalação de ciclovia, pintando mensagens na pista.

 Em resposta, o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, anunciou que a prefeitura editará um novo decreto para tornar a regulamentação das e-bikes mais rigorosa.

A explosão das e-bikes no Rio e no Brasil

O acidente ocorre em um momento de franca expansão das bicicletas elétricas no Brasil e, em especial, em grandes metrópoles como o Rio de Janeiro. De acordo com a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), o mercado cresceu 12% em 2023, com projeções de que a taxa anual atinja 34% em 2025, alcançando a marca de 300 mil unidades vendidas.

No estado do Rio de Janeiro, a adesão é ainda mais expressiva que a média nacional. Um estudo da Descarbonize Soluções aponta que 75% dos moradores do estado pedalam semanalmente, contra 71% no restante do país. Além disso, 54% dos fluminenses afirmam que trocariam veículos a combustão por modelos elétricos.

Mais saudável e sustentável, a tendência parece que veio para ficar, entretanto, o avanço do modal não é acompanhado pela infraestrutura. Na capital, enquanto a Zona Sul possui malha cicloviária consolidada, bairros populosos da Zona Norte e Oeste ainda enfrentam a ausência de ciclofaixas em vias arteriais, como a Conde de Bonfim, onde ocorreu a tragédia. Dados indicam que o número de acidentes envolvendo bicicletas elétricas triplicou nos últimos anos na cidade.

É indispensável que as cidades, especialmente os grandes centros urbanos, invistam na criação de mais ciclovias, ciclofaixas e bicicletários. As bicicletas são um meio de transporte econômico e sustentável, e deveriam ter mais incentivo por parte dos governos”, aponta Antônio Lombardi Neto, diretor de Tecnologia da Descarbonize Soluções.

Em um cenário como o Rio de Janeiro, em que a população já costuma usar as bicicletas, a infraestrutura ainda peca ao acompanhar essa tendência. “Na Zona Sul da Capital, por exemplo, as ciclovias são fartas, o que está aliado ao fato da região ser bastante turística. Já em outros locais da cidade, a situação é bem diferente. Por ser um estado com muito espaço para o turismo, o investimento em infraestrutura poderia ser um aliado na recepção desses visitantes, associando o turismo, a sustentabilidade e a economia”, completa.

Micromobilidade: acidentes envolvendo bikes quase dobram

Os dados sobre acidentes com bicicletas elétricas e veículos de micromobilidade mostram um crescimento expressivo e alarmante, especialmente no Rio de Janeiro. A falta de regulamentação local e o aumento da frota são apontados como os principais fatores para essa disparada.
De acordo com levantamentos recentes de órgãos de saúde e segurança, o número de pacientes atendidos na rede municipal de saúde envolvidos em acidentes com veículos de micromobilidade (incluindo e-bikes, patinetes e ciclomotores) saltou de 274 em 2023 para 2.199 em 2024.
Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 318 acionamentos no Corpo de Bombeiros, contra 166 no mesmo período de 2024 (quase o dobro). Considerando apenas veículos de micromobilidade na capital, os registros subiram de 162 em 2024 para 431 em 2025.

Nos primeiros três meses de 2026, já foram contabilizados 126 casos no estado. As colisões são o tipo mais comum, com alta de 90% entre 2024 e 2025 (de 143 para 272 casos). As regiões com maior incidência são a Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio

A nível nacional, os dados são mais fragmentados devido à classificação das e-bikes como bicicletas comuns em muitos sistemas de registro (como o Infosiga em SP), dificultando um número exato para todo o país. Contudo, alguns dados regionais e de mercado ilustram o cenário.
A frota de bicicletas elétricas e autopropelidos no Brasil saltou de 7,6 mil unidades em 2016 para 284 mil em 2024. O Espírito Santo registrou 372 acidentes com e-bikes entre 2024 e o início de 2026, resultando em 6 mortes e 31 feridos graves.

Segurança e convivência no trânsito

As bicicletas elétricas são uma forma eficiente de se deslocar, mas também apresentam desafios na segurança no trânsito. Especialistas apontam que é crucial adotar medidas de precaução para evitar possíveis acidentes.  A segurança no trânsito ao se locomover com e-bikes depende de uma combinação de conhecimento das leis locais, uso adequado de equipamentos de segurança, manutenção regular da bicicleta e conduta responsável na estrada.

Para desfrutar ao máximo das vantagens das e-bikes, a segurança no trânsito deve ser uma prioridade. Com responsabilidade, podemos aproveitar esse transporte sustentável, que é prático e confortável, com a máxima segurança”, comenta Gabriel Arcon, CEO da E-Moving – startup de soluções em mobilidade urbana.

5 dicas de segurança para pedalar

Especialistas alertam que os números oficiais são subestimados, já que muitos acidentes sem gravidade não geram registros hospitalares ou boletins de ocorrência. Especialistas ouvidos pelo Vida e Ação reforçam que as bicicletas elétricas apresentam desafios específicos devido à velocidade superior às bikes tradicionais.

Confira 5 dicas fundamentais para aumentar a segurança

Conheça bem as leis locais

O usuário deve se familiarizar com as leis de trânsito locais que se aplicam a e-bike, em diversos lugares, elas são regulamentadas de forma diferente das bicicletas tradicionais e dos veículos motorizados, esteja ciente da classificação delas em sua área e siga as regras correspondentes.

Conhecer as leis locais é o primeiro passo para uma jornada segura com sua e-bike. Cada região pode ter regulamentações específicas para bicicletas elétricas, definindo limites de velocidade, requisitos de equipamentos, regras de uso de ciclovias e estradas, entre outros aspectos. Fique informado e siga as regras para garantir sua segurança e evitar multas e problemas legais”, comenta o especialista.

Use equipamentos de proteção

Essa é outra atitude essencial ao andar de e-bike, o capacete é o item mais importante, pois ele é o que protege a cabeça em caso de queda ou colisão, reduzindo o risco de lesões graves. Além deste acessório, deve ser considerado o uso de luvas, óculos de proteção e roupas de alta visibilidade é recomendável para aumentar a segurança.

Os equipamentos de proteção não apenas ajudam a prevenir lesões, mas também tornam os ciclistas mais visíveis para outros usuários da estrada, reduzindo o risco de acidentes. Portanto, ao pedalar, não se esqueça dos equipamentos de proteção apropriados”, ressalta Arcon.

Fique atento à manutenção

O ciclista deve ficar sempre de olho na manutenção de sua bicicleta elétrica, pois essa é uma parte crítica da segurança no trânsito. Antes de cada viagem, é importante verificar se a e-bike está em boas condições de uso.

Certifique-se de que os freios estejam ajustados e funcionando corretamente, verifique a pressão dos pneus para garantir uma boa aderência na estrada e garanta que as luzes e a buzina estejam operacionais”, acrescenta o executivo.

Mantenha uma velocidade segura

As e-bikes podem andar significativamente mais rápido do que as bicicletas tradicionais, por isso, é crucial manter uma velocidade adequada à situação e à via em que se está trafegando. Os limites de velocidade estabelecidos por lei devem ser seguidos sempre.

Em áreas com tráfego intenso ou vias estreitas, reduza a velocidade para uma margem segura, de modo a permitir que você reaja rapidamente a situações de tráfego inesperadas. Respeite os limites de velocidade estabelecidos para e-bikes na sua região, e lembre-se de que em ciclovias e áreas com pedestres, a velocidade deve ser ainda mais reduzida para garantir a segurança de todos”, diz o especialista.

Evite distrações

Usar dispositivos eletrônicos, como telefones celulares ou fones de ouvido, pode diminuir a capacidade do ciclista reagir com agilidade a situações de tráfego inesperadas. Portanto, o foco deve estar sempre na estrada.

Esteja atento ao tráfego, sinalize suas intenções e responda de maneira apropriada às mudanças nas condições de circulação. Lembre-se de que a atenção é um dos elementos essenciais para a segurança”, finaliza Arcon.

Acompanhe as principais notícias de saúde e bem-estar no nosso canal oficial. Clique aqui para entrar no canal do WhatsApp do Vida e Ação

Com Assessorias

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *