Março Amarelo: 5 mitos e verdades sobre a endometriose

Uma a cada 10 brasileiras sofrem com a endometriose, doença que pode levar à infertilidade. Especialistas tiram dúvidas sobre o problema

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A endometriose atinge cerca de 180 milhões de mulheres em todo o mundo, sendo 7 milhões apenas no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).  A Comissão Nacional de Endometriose, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) estima que uma a cada 10 brasileiras sofrem com o problema.

Esta é uma das principais causadoras de dores crônicas e da infertilidade feminina, e afeta cerca de 190 milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.  A doença inflamatória e crônica é causada por células do endométrio (tecido que cobre a parte interna do útero), que em vez de serem eliminadas com a menstruação, se movimentam para outras partes do corpo, como os ovários ou mesmo a cavidade abdominal, onde se multiplicam e voltam a sangrar.

Em maio de 2021,  a OMS reconheceu a endometriose como um problema de saúde pública para que isso favoreça o desenvolvimento de políticas e ações para seu diagnóstico e tratamento. Este mês é marcado pela campanha  Março Amarelo, de conscientização sobre a endometriose, orientando a população sobre suas causas, sintomas e tratamentos.

  1. “O objetivo é alertar as mulheres sobre a importância da realização de exames preventivos e diagnósticos com intuito de evitar o desenvolvimento da doença em suas formas graves, que muitas vezes pode causar dor pélvica e infertilidade e em outras ocasiões, complicações intestinais e urinárias”, destaca a ginecologista Rosane Figueiredo Alves, que também atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia.

Entenda a doença, sintomas e fatores de risco

A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória crônica que se manifesta principalmente na idade reprodutiva. é caracterizada pelo crescimento de endométrio, tecido que reveste o útero internamente. A condição é caracterizada pela presença de células do endométrio (mucosa que reveste o interior do útero) em outros órgãos da pelve, como trompas, ovários, intestinos e bexiga, ou seja, fora da cavidade uterina.

Carolina Curci, ginecologista e obstetra, explica que as principais manifestações clínicas da endometriose são  fortes cólicas menstruais que acontecem em períodos fora do ciclo menstrual; dismenorreia, uma dor pélvica crônica, que pode surgir no primeiro dia do período menstrual; dispareunia, que é a dor durante relações sexuais, disquesia e disúria. A condição impõe uma dificuldade para engravidar em mulheres na fase reprodutiva, geralmente entre 25 e 35 anos.

“O acompanhamento ginecológico é uma regra, os exames anuais são essenciais para o diagnóstico de diversas patologias. E quando falamos em endometriose, envolve até mesmo o planejamento familiar, já que a doença pode causar a infertilidade e ela vem de forma silenciosa”, comenta a médica.

A endometriose não tem uma causa definida, mas sugere que tenha relação com histórico familiar à deficiência imunológico. A especialista ressalta que “cada caso é um caso, cada organismo age de uma forma, e na maioria das vezes percebemos que o problema está acontecendo devido ao fluxo errado da menstruação, onde o tecido do endométrio aparece em outras regiões e não dentro da cavidade uterina”.

“A doença é mais frequente em mulheres que ainda não tiveram filhos, naquelas que apresentaram menarca (primeira menstruação) precoce, nas quais possuem maior exposição estrogênica e nas pacientes com histórico familiar de endometriose”, detalha a médica sobre os fatores de risco.

Rosane Figueiredo revela que a escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, da extensão e localização da endometriose e do desejo de gravidez. “Para o controle da dor indica-se o bloqueio do ciclo menstrual. A indução da ovulação isolada ou associada à inseminação intrauterina (IIU) é o tratamento para infertilidade. A cirurgia é indicada para as pacientes que apresentam dor e não melhoram com tratamento hormonal, que apresentam cistos ovarianos volumosos e/ou endometriose profunda com risco de obstrução intestinal ou de ureter”.

Como identificar a endometriose

O diagnóstico é feito através de exames específicos solicitados pela médica ginecologista, que fará uma analise aprofundada, e aconselhará o melhor tratamento. “No caso de mulheres que por anos não conseguiram engravidar, logo de cara percebemos que a melhor solução para viver o sonho da gestação vai ser a fertilização in vitro”, afirma Carolina Curci, ginecologista e obstetra.

“O problema é que as mulheres já associam dor e cólicas no período menstrual como algo comum, e acabam não buscando atendimento médico. No entanto, a endometriose é uma doença evolutiva, que começa com pequenos ‘focos’. Se a paciente não se tratar o quanto antes, o quadro pode se agravar ao longo dos anos”, afirma Carlos Moraes, ginecologista e obstetra pela Santa Casa/SP, que atua nos hospitais Albert Einstein, São Luiz e Pro Matre.

Para auxiliar na identificação da endometriose, o médico – que é membro da Febrasgo e especialista em Perinatologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein, e em Infertilidade Conjugal e Ultrassom em Ginecologia e Obstetrícia pela Febrasgo o- selecionou os principais mitos e verdades sobre a doença:

1.A endometriose não apresenta sintomas típicos

Mito: Há mulheres que sofrem com fortes dores, enquanto outras não sentem grandes desconfortos. Mas, de modo geral, os sintomas mais comuns são:

-Cólicas menstruais intensas

-Dor pélvica ou abdominal durante a relação sexual

-Dor difusa ou crônica na região da pelve

-Alterações intestinais cíclicas ou urinárias durante a menstruação

“É muito comum a paciente apresentar estes sintomas e não procurar um especialista, já que muitas mulheres têm queixas semelhantes, fazendo com que os sinais sejam tidos como normais e não preocupantes. Portanto, é fundamental ficar atenta aos sintomas, pois a endometriose não é assintomática e pode passar despercebida”, alerta Carlos Moraes.

2, A endometriose não tem cura

Verdade: Mesmo não havendo cura, a endometriose precisa ser tratada. Por se tratar de uma doença crônica, demanda acompanhamento, principalmente durante a vida reprodutiva da mulher, quando a doença manifesta seus principais sintomas.

Segundo o ginecologista, o tratamento clínico é feito com medicamentos hormonais, que podem incluir anticoncepcionais orais ou exclusivamente os progestogênios (derivados sintéticos da progesterona).

“Entretanto, se houver formação de aderências e alterações importantes no posicionamento dos órgãos reprodutivos, pode haver indicação de cirurgia. Ela consiste na remoção das alterações na cavidade abdominal e, principalmente, junto aos órgãos reprodutivos. Sendo assim, o tratamento dependerá da gravidade do quadro”.

3. A endometriose pode causar infertilidade

Verdade: A medicina ainda desconhece as causas que afetam a capacidade de engravidar. Mas, o processo inflamatório e as aderências que a doença provoca podem estar relacionados ao problema de infertilidade.

“Quando não tratada, a endometriose pode evoluir, dificultando a gravidez. Cerca de 35% das mulheres inférteis podem ter endometriose. E das mulheres com endometriose, 40% podem sofrer de infertilidade. Daí a importância do diagnóstico precoce”, reforça o Dr. Carlos.

4. A endometriose é uma doença rara

Mito: Segundo a FEBRASGO, ela acomete cerca de 10-15% da população feminina no Brasil. Portanto, a incidência não pode ser considerada pouco frequente.

5 – A endometriose pode migrar para outros órgãos

Verdade: A endometriose é uma doença progressiva e, quando não há tratamento, pode migrar e gerar aderências e infiltração dos focos da doença em órgãos próximos, como intestino, ovários e bexiga.

As principais complicações da falta de tratamento são a infertilidade, como já citado, e o desenvolvimento de dores crônicas, que podem não melhorar nem com o uso de medicações.

“Muitas mulheres passam grande parte da idade reprodutiva sem um diagnóstico e o devido tratamento, até que a dificuldade de engravidar seja associada ao quadro. Exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética (RM) de pelve com protocolos específicos, ajudam no diagnóstico, na graduação e no mapeamento dos focos de endometriose, definindo qual o procedimento ideal a seguir”, finaliza o Dr. Carlos Moraes.

Com Assessorias

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