Lesbofobia: o ódio e o preconceito contra as mulheres lésbicas

Ativistas fazem ato contra lesbofobia no Rio e alertam para dificuldades no acesso a saúde e riscos de ‘estupro corretivo’ e de lesbocídio

Manifestantes fazem ato contra lesbofobia no Centro do Rio (Foto: Victor Abdala / Divulgação)
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Enquanto cresce o movimento pelos direitos da população LGBTQIA*, especialmente para as pessoas trans, a primeira letra da sigla parece continuar invisibilizada. A causa das mulheres lésbicas ainda é pouco divulgada, apesar das inúmeras violações de direitos humanos dessa parcela da comunidade LGBTQIA*. A culpa é da lesbofobia, o ódio ou preconceito contra mulheres com esta orientação sexual, a começar dentro de casa, com a falta de acolhimento, e agravada pela ausência de políticas públicas específicas para este público.

“A gente entende que a lesbofobia é da sociedade, mas também do poder público, que não formula políticas públicas específicas para as lésbicas. Há um apagamento das mulheres lésbicas na construção e qualificação das políticas públicas”, afirma a jornalista Camila Marins, que é editora da revista Brejeiras, voltada para o público lésbico.

Junto com outras ativistas dos direitos das mulheres lésbicas, Camila participou neste sábado (3) de um protesto contra a lesbofobia no Centro do Rio de Janeiro. A manifestação foi realizada em frente ao Museu do Amanhã, onde, no fim de semana passada, uma psicóloga agrediu fisicamente e verbalmente dois funcionários, com palavras homofóbicas e lesbofóbicas.

Camila Marins, que organizou o protesto, explicou que a manifestação teve por objetivo apoiar as vítimas da agressão da semana anterior e chamar a atenção da sociedade para o problema da lesbofobia. O ato incluiu discursos e exibição de faixas com dizeres como “Somos mulheres lésbicas na luta” e “Acolhe tua filha sapatão”.

Segundo a ativista, as lésbicas passam por grandes dificuldades em situações simples do cotidiano, como a realização de exames preventivos para a saúde feminina em unidades públicas.  Além disso, há questões como a própria falta de acolhimento no seio familiar.

“[Há situações em que a mulher] sofre lesbofobia dentro de sua própria casa e é expulsa, ou sofre tentativas de estupro ‘corretivo’ dentro de casa”, conta Camila.

A jornalista destaca ainda o risco de lesbocídio – o assassinato de mulheres lésbicas por causa de sua orientação sexual. “Temos um caso emblemático, que é o de Luana Barbosa [assassinada em São Paulo, em 2016], uma mulher negra, periférica, sapatão, barbaramente espancada, vítima da violência policial, em que o Estado brasileiro até hoje não deu retorno para a gente”.

Com informações da Agência Brasil

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