A virada do ano costuma vir acompanhada de promessas e uma sensação de recomeço. No entanto, para muitos, o início de janeiro traz também um peso inesperado: a chamada “ressaca emocional”. Neste Janeiro Branco, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental, especialistas alertam que o cuidado com as emoções não deve ser apenas uma meta de ano novo, mas uma prioridade contínua.
A sensação de desânimo, irritabilidade e cansaço ao retomar a rotina não é “frescura”. Segundo Jean Luca, psicólogo e docente do Centro Universitário Módulo, trata-se de uma reação do organismo à mudança brusca de contexto.
Depois de um período em que a rotina fica mais ‘solta’, a volta rápida ao despertador, trânsito e prazos desorganiza o ritmo biológico e afeta humor, energia e atenção”, explica o professor.
O contraste entre a intensidade das celebrações e a volta às responsabilidades pode gerar um “vazio”, especialmente quando as expectativas de férias perfeitas não se concretizam.
Sinais de alerta: quando o cansaço vira preocupação
É preciso atenção para diferenciar o cansaço passageiro de quadros que exigem ajuda profissional. A psiquiatra Maria Fernanda Caliani ressalta que vivemos em uma cultura que normaliza a exaustão, o que é um erro perigoso.
Fique atento aos sinais de alerta que persistem por semanas:
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Tristeza persistente ou sensação de vazio.
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Ansiedade excessiva e medo constante.
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Alterações importantes no sono ou apetite.
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Isolamento social e perda de interesse em atividades antes prazerosas.
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Uso de álcool, comida ou telas para “anestesiar” sentimentos.
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Estratégias para recarregar a mente
Para quem deseja transformar o bem-estar emocional em realidade neste 2026, o professor Jean Luca e a Dra. Maria Fernanda sugerem passos práticos:
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Retorno gradual: Não tente resolver todas as pendências do ano no primeiro dia. Divida as tarefas em blocos menores e planeje suas prioridades.
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Ajuste os pilares básicos: Regularize o sono, reduza o uso de telas à noite e diminua gradualmente o consumo de álcool e cafeína.
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Metas realistas: Aproveite o simbolismo do início do ano para criar metas pequenas e compatíveis com sua realidade, evitando a frustração da sobrecarga.
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Integre prazeres no cotidiano: Não espere as próximas férias para relaxar. Tente manter hábitos que fizeram bem durante o descanso, como um café da manhã tranquilo ou momentos em família sem dispositivos eletrônicos.
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Vigilância cognitiva: Questione pensamentos automáticos negativos e busque uma visão mais equilibrada das situações.
Saúde mental não tem mês, tem urgência
Embora o Janeiro Branco ofereça visibilidade ao tema, a Dra. Maria Fernanda Caliani reforça que o cuidado deve ser perene. “Os transtornos mentais não aparecem em datas específicas. Eles se desenvolvem ao longo do tempo e exigem atenção contínua”, afirma.
Tratar a mente com o mesmo rigor que tratamos a saúde física — realizando “check-ups” emocionais e respeitando limites — é o caminho para evitar que sintomas iniciais evoluam para quadros graves de depressão ou burnout. Em 2026, o convite é para que o “branco” de janeiro represente uma folha pronta para ser escrita com mais equilíbrio, empatia e, acima de tudo, autocuidado.
Com Assessorias




