Hepatites virais matam mais que HIV e provocam câncer de fígado

Tipo C representa atualmente a maior causa de morte entre as hepatites virais. O número de óbitos pela doença entre 2000 e 2015 foi de 46.316

OMS diz que em todo o mundo, 10 milhões de pessoas estão infectadas por hepatites virais
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A Hepatite é uma inflamação do fígado quepode estar relacionada ao consumo excessivo de drogas, álcool, medicamento e pelo próprio vírus, denominados de A, B e C, causadores da Hepatite A, Hepatite B e Hepatite C, respectivamente. Infecções causadas por hepatites B e C chegam a ser responsáveis por 1,34 milhões de mortes ao ano em todo mundo, conforme publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda de acordo com a OMS, as infecções crônicas pelas mesmas hepatites são responsáveis por dois terços de todos os casos de câncer de fígado.

No Brasil, os óbitos por hepatite C representam atualmente a maior causa de morte entre as hepatites virais. A mortalidade mundial por hepatites virais já ultrapassou o número de óbitos em decorrência de HIV.  Segundo a OMS, erca de 1,34 milhão de portadores de HIV morrem anualmente, contra 1,75 milhão de óbitos em decorrência de complicações de hepatites. Em 2017, dos 1.306 óbitos por hepatites no Estado do Rio de Janeiro, 883 foram causados por cirrose e 170 por câncer de fígado.

De acordo com o Boletim Epidemiológico das Hepatites Virais de 2017, publicado pelo Ministério da Saúde, o número de óbitos por hepatite C entre 2000 e 2015 foi de 46.316. Os dados evidenciam, também, que o número de óbitos causados pela doença vem aumentando ao longo dos anos, em todas as regiões. O Sudeste é a região que mais concentra proporção dos vírus B e C, comparadas com as outras regiões, com 35,4% e 62,2%, respectivamente.

A Hepatite B e C estão mais presentes do que a população imagina. Até o começo de julho de 2018 foram 3132 casos notificados do tipo B e 8997 do tipo C no Estado do Rio de Janeiro. A OMS pretende erradicar o tipo C da doença até 2030, diminuir o número de mortes por hepatites virais em 65% e encerrar a transmissão vertical, da mãe pro bebê, vacinando todas as mulheres antes da idade fértil contra a hepatite B

Dia Mundial de combate as Hepatites Virais – 28 de julho, instituído pela Organização Mundial da Saúde, tem o objetivo de conscientizar a população sobre as formas de contágio e tratamento dos diferentes tipos da doença. A meta da OMS é, até o ano de 2030, eliminar a hepatite C, diminuir 65% das mortes causadas pela enfermidade e acabar com a transmissão vertical da hepatite B, que é passada de mãe pra filho durante a gravidez. A coordenadora do Programa Estadual de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde, Clarice Gdalevici, explica como se prevenir.

Quais as principais diferenças entre os tipos de hepatites?

Existem quatro hepatites, A, B, C e D. O tipo A da doença ocorre por meio de contaminação da água e dos alimentos. O tipo D só aparece quando o paciente já tem hepatite B, mas, no Brasil, devido às características do vírus, os casos se restringem à Região Norte do país. As hepatites B e C são as mais preocupantes, inclusive porque o tipo B não tem cura. Existe vacina e tratamento, mas não tem cura.

Como se dão as hepatites B e C?

A doença tem diferentes formas de apresentação. A hepatite pode ser tanto aguda, quanto crônica, com mais ou menos sintomas presentes. A hepatite A aparece de forma aguda. Já a B pode apresentar um quadro agudo e depois tornar-se crônica. E a Hepatite C geralmente pode causar apenas a hepatite crônica. O tipo C é mais encontrado em pessoas com mais de 40 anos e não costuma dar sinais. Dependendo do vírus que causa a doença, a Hepatite Viral pode evoluir com cura espontânea ou se tornar crônica. Quando se torna crônica, pode causar outras doenças como cirrose e câncer de fígado.

Como são transmitidas?

As doenças são transmitidas por via sanguínea: por relações sexuais sem preservativo, da mãe para o filho durante a gestação, parto ou amamentação, por compartilhamento de material para uso de drogas (como seringas, agulhas, cachimbos etc), para higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings, além de por transfusão de sangue. Todo mundo que faz tatuagem ou põe piercing deve procurar uma unidade de saúde para fazer o teste de hepatite cerca de 60 dias depois do procedimento.

Quais são as formas de prevenção?

Além de usar preservativos durante as relações sexuais e ficar atentas à utilização de materiais descartáveis ou esterilizados em Autoclave no dentista, na manicure, as pessoas devem procurar os postos de saúde para se vacinar, em três doses, contra a hepatite B. Se o paciente já estiver contaminado, precisa fazer tratamento com medicação diária pro resto da vida. Já a hepatite C alcança 95% de cura quando os pacientes tomam remédio ao longo de três meses.

A melhor medida de prevenção da Hepatite A é higienizar sempre as mãos após o utilizar o banheiro e antes de se alimentar, além de utilizar água e alimentos de procedência confiáveis, uma vez que a principal forma de contágio se dá pela ingestão de água ou alimentos contaminados. Também deve-se evitar se banhar em praias ou rios que tenham contaminação com esgoto ou material orgânico. Já os cuidados para evitar a Hepatite B e C são o uso de preservativos em relações sexuais e não compartilhar seringas.

Quais são os sintomas?

Dificilmente as hepatites apresentam sintomas e quando ocorre de forma aguda, é nos pacientes de hepatite B, adultos jovens, entre 25 e 30 anos, que sentem dores abdominais, urina escura, febre, náuseas, vômitos e amarelamento da pele e dos olhos (icterícia). Os sintomas mais associados são cansaço, perda do apetite, náuseas, dor e desconforto abdominal, urina escura e fezes claras e também icterícia.

Como é feito o diagnóstico da doença?

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue. O laudo pode identificar cada vírus especificamente por meio dos anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus da hepatite. No caso da hepatite C, o diagnóstico é confirmado ao se realizar o PCR para o vírus C, que quando detectado no sangue, confirma o diagnóstico da doença

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Fonte: SES-RJ, com Redação

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