O Carnaval de 2026 chega em um momento de transição epidemiológica. Embora a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) esteja em queda na maior parte do país, os dados de mortalidade de janeiro acendem um sinal amarelo: a covid-19 foi o vírus mais letal no Brasil no primeiro mês do ano, causando pelo menos 29 mortes confirmadas.
As vésperas da maior festa popular do Brasil, a nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz (referente à semana de 25 a 31 de janeiro) traz um balanço que exige atenção dos foliões. Os novos dados confirmam surtos de Influenza A no Norte — mostram que os vírus respiratórios não tiram férias. Em ambientes de grande aglomeração, o risco de contágio aumenta exponencialmente.
Com a circulação intensa de pessoas de diferentes regiões, a Fiocruz recomenda cautela para quem vai aproveitar os blocos e festas. O risco não está apenas na covid-19, mas também na influenza A (H3N2) e no rinovírus, que figuram como causas de óbitos neste início de ano.
Balanço epidemiológico de janeiro
Até o momento, o Brasil notificou 4.587 casos de SRAG em 2026. Embora 3.373 casos ainda não tenham o vírus identificado, a concentração de mortes em São Paulo (15 óbitos) e a predominância do Sars-CoV-2 como causa principal reforçam que a pandemia, embora controlada, ainda exige responsabilidade individual e coletiva.
A queda nos indicadores nacionais é fruto da baixa circulação de vírus como a Influenza A (gripe comum) e o VSR (Vírus Sincicial Respiratório, responsável pela bronquiolite em bebês e idosos) na maioria dos estados. Contudo, a Região Norte permanece como a grande exceção, com Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia apresentando incidência elevada e tendência de crescimento de casos graves.
O perigo da baixa cobertura vacinal
Um dado alarmante que acompanha o boletim é o baixo uso das doses distribuídas pelo Ministério da Saúde. Em 2025, das quase 22 milhões de vacinas enviadas a estados e municípios, apenas 8 milhões foram aplicadas. Essa lacuna na imunização reflete diretamente na ponta: dos 163 óbitos por SRAG nas primeiras quatro semanas de 2026, a covid-19 liderou o ranking de letalidade.
O perfil das vítimas continua sendo, majoritariamente, de idosos com mais de 65 anos. A dificuldade em cumprir o calendário vacinal, que desde 2024 inclui crianças, idosos e gestantes como grupos prioritários, é apontada como um dos principais desafios para evitar mortes evitáveis durante as aglomerações.
Cuidados para um carnaval seguro
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Vacine-se já: Ainda dá tempo de buscar o reforço contra a covid-19 e a influenza. A vacina é a única forma de garantir que, caso haja infecção, ela não evolua para uma forma grave.
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Atenção aos sintomas: Se apresentar febre, tosse ou dor de garganta, o ideal é não comparecer às festas para não transmitir o vírus a outras pessoas.
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Proteja os idosos: Se você vai conviver com idosos após as festas de rua, redobre o cuidado. Eles foram as principais vítimas de janeiro.
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Região Norte: Foliões que estiverem no AC, AM, RR e RO devem considerar o uso de máscaras em locais de aglomeração fechada, dado o cenário de risco alto nessas localidades.
Dica de saúde: O uso de álcool em gel entre um bloco e outro ajuda a prevenir não apenas vírus respiratórios, mas também doenças gastrointestinais comuns nesta época.
Para mais detalhes e acesso aos dados completos, consulte o informativo oficial na Agência Fiocruz de Notícias.
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Para ajudar você a navegar pelos blocos e festas com segurança, o portal Vida e Ação preparou este guia prático de cuidados.
1. Check-list do folião prevenido
Antes de colocar a fantasia, verifique se a sua proteção básica está em dia. A vacina é a única ferramenta que garante que, em caso de contágio, o corpo responda rapidamente, evitando formas graves da doença.
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Vacinação: Certifique-se de ter tomado as doses de reforço contra a Covid-19 e a vacina da Gripe (Influenza).
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Hidratação e nutrição: O corpo bem nutrido e hidratado tem um sistema imunológico mais resiliente.
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Higiene das mãos: O álcool em gel 70% deve ser um acessório indispensável na pochete. Ele previne vírus respiratórios e viroses gastrointestinais.
2. Sintoma ou ressaca? Saiba diferenciar
Muitas vezes, os primeiros sinais de uma infecção viral podem ser confundidos com o cansaço do Carnaval. É preciso atenção redobrada:
| Sinal | Pode ser cansaço/calor se… | Pode ser vírus (Covid/Gripe) se… |
| Febre | Raramente ocorre por calor (salvo insolação). | É persistente (acima de 37,8°C) e vem com calafrios. |
| Dor no corpo | É muscular, localizada nas pernas e costas. | É uma dor profunda, acompanhada de moleza extrema. |
| Dor de garganta | Ocorre por gritar ou beber gelado (passa logo). | É persistente e acompanhada de tosse ou coriza. |
| Falta de ar | Passa após alguns minutos de repouso. | Sinal de alerta máximo. Ocorre mesmo em repouso. |
3. Quando procurar o hospital imediatamente?
Não espere a quarta-feira de cinzas se os sintomas evoluírem. A SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) é uma emergência médica. Procure uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) se apresentar:
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Dificuldade para respirar ou sensação de “peito apertado”.
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Coloração azulada nos lábios ou unhas (sinal de baixa oxigenação).
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Febre alta que não cede com antitérmicos comuns.
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Confusão mental ou sonolência excessiva (especialmente em idosos).
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Pressão persistente no tórax.
4. Proteja quem ficou em casa
O Carnaval de 2026 mostrou que a mortalidade ainda atinge com força os idosos acima de 65 anos. Se você for visitar avós ou pessoas com comorbidades após os blocos, adote a “quarentena de segurança”: aguarde de 3 a 5 dias e monitore se surgem sintomas antes de ter contato próximo com o grupo de risco.
Lembre-se: A alegria do Carnaval passa, mas a saúde é o que garante que você estará lá no ano que vem. Se estiver doente, o ato mais heróico é ficar em casa e não transmitir o vírus para a comunidade.



