Favelas monitoram risco da pandemia do novo coronavírus

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Uma rede autônoma de movimentos sociais lança nesta quinta (6/7) o Painel Unificador Covid-19 nas Favelas, uma iniciativa colaborativa, cujo objetivo principal é apoiar os esforços de prevenção realizados por movimentos comunitários para informarem moradores e pressionar por políticas públicas necessárias, além de fornecer uma visão mais precisa do impacto da pandemia nesses territórios.

O Painel Unificador pretende consolidar dados sobre casos prováveis e confirmados (combinados em laranja) e mortes (em vermelho) a partir dos relatos dos coletivos, de relatores de favelas em toda a cidade, de painéis publicados pelo governo e clippings de notícias.

Moradores poderão relatar sintomas diretamente usando um algoritmo de verificação, cujos resultados também aparecerão no painel. Conforme os moradores adicionarem dados à plataforma, pontos quentes de contágio se tornarão visíveis, informando áreas que requerem maior atenção e esforços de campanha para que as pessoas fiquem em casa.

O Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz) apoia a iniciativa, por meio de seu Laboratório de Informação em Saúde (LIS). A Fiocruz realizará análises dos dados para apoio aos releases quinzenais, bem como suporte na qualificação das delimitações de áreas de favelas e suas unidades de saúde da família. 

Sabe-se que a detecção de casos e óbitos não tem distribuição igualitária, e quanto maior os recursos financeiros do indivíduo suspeito de caso ou de óbito, maior será a chance de uma pessoa infectada ou morta pelo Covid-19 ser identificada. Nos lugares em que a população não possui acesso a tais meios, a detecção permanece baixa, como é o caso das áreas de favelas.

A ideia é unificar estes dados de maneira que as informações sobre esses territórios sejam visualizadas pelos gestores e pelas comunidades com um diagnóstico mais próximo da realidade, que possa ser utilizado para medidas de enfrentamento da pandemia direcionadas de maneira mais adequada, e para que os moradores possam exigir do poder público medidas mais acertadas”, afirma a pesquisadora Renata Gracie, do LIS, que vem acompanhando o processo de criação do painel.

Participam os grupos Comunidades Catalisadoras (ComCat), Coletivo Conexões Periféricas – RP, DataLabe, Fala Roça, Favela Vertical, Fiocruz, Fórum Grita Baixada, Frente de Mobilização da Maré, Mulheres de Frente, Observatório de Favelas, PerifaConnection, Redes da Maré – Somos Todos Maré, TETO e Voz das Comunidades.

Desde março, coletivos vêm implementando diversas estratégias de comunicação (alto-falantes, graffiti, mensagens por aplicativos de celular, podcasts, entre outros) para ajudar a combater a pandemia.

Também foram criadas campanhas de financiamento coletivo e redes para fornecimento de cestas básicas aos mais atingidos pela paralisação da economia, além da instalação de pias públicas onde o acesso à água é insuficiente. Os movimentos divulgam diariamente em portais de notícias comunitárias e redes sociais informações sobre o andamento da pandemia.

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