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A osteoporose é uma doença silenciosa, mas que já atinge 10 milhões de brasileiros e pode causar sérios danos à saúde, comprometendo a qualidade de vida de muitas pessoas, principalmente acima dos 60 anos. A pessoa pode fraturar um osso como resultado de uma simples pancada ou queda da própria altura, que geralmente ocorre no pulso, na coluna, no quadril ou no fêmur, o ponto mais grave.

A Fundação Internacional contra a Osteoporose (IOF) incentiva todos os adultos a estarem alerta ao risco da osteoporose. “Nunca é demais falar sobre o perigo das fraturas osteoporóticas para a qualidade de vida e independência de pessoas idosas”, alertou John A. Kanis, presidente da IOF.

No período de um ano da ocorrência de uma fratura de quadril, 33% dos pacientes continuam dependentes ou exigem cuidados em casas de repouso, e até 24% chegam a falecer. Em mulheres acima de 45 anos, as fraturas osteoporóticas resultam em mais dias de internação hospitalar do que no caso de outras doenças, incluindo diabetes, ataques cardíacos e câncer de mama.

Neste Dia Mundial da Osteoporose (20 de outubro), especialistas alertam para a necessidade de prevenir essa doença que se desenvolve de forma imperceptível, sem dor e com poucos sintomas, que provoca a fragilidade dos ossos até a ocorrência de uma fratura.

“A osteoporose é uma doença silenciosa, por isso, dizemos que se trata de uma doença traiçoeira. Às vezes, a primeira manifestação é uma fratura. Quando a pessoa faz o diagnóstico na primeira fratura, grande quantidade de osso já foi perdida. Por isso, a prevenção é essencial”, afirma Vera Szejnfeld, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).

Nada melhor que a atividade física

A boa notícia é que o principal remédio para prevenir e tratar a osteoporose não é comprado na farmácia: a prática de exercícios físicos.  O ortopedista Marcello Ganem Serrão, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia, explica melhor.

“Existem algumas opções de tratamento, como a reposição hormonal, a suplementação do cálcio e os medicamentos que diminuem a absorção do cálcio, como os bifosfonatos. Porém, o consenso hoje é de que o melhor é realmente prevenir. Segundo a OMS, essa prevenção deve começar desde cedo com dieta rica em cálcio, atividade física regular e evitar hábitos como tabagismo, consumo de café e álcool em excesso”, indica.

O fisioterapeuta Helder Montenegro, diretor do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, afirma que a atividade física deve ser feita, inclusive, de maneira preventiva.  Corrida e musculação são algumas das atividades fundamentais para qualificar a estrutura óssea.

“O ideal é que se privilegiem exercícios funcionais e com impacto, que estimulem a contração muscular e, portanto, a regeneração óssea. O que quer dizer que os exercícios na água, como a hidroginástica e a natação, ou mesmo aqueles realizados em bicicleta, não trazem os benefícios observados em outros exercícios, como caminhar, correr, dançar, jogar tênis, ou praticar algum esporte coletivo como o futebol, o basquete e o voleibol”, explica.

Conheça os exercícios ideais

A atividade física aumenta a força muscular sobre os ossos, sendo um estímulo fundamental para a manutenção e o aumento da massa óssea. Os exercícios físicos devem ser realizados de forma regular três vezes por semana, com intervalo entre as sessões de 24 a 48 horas. É muito importante que esses exercícios sejam realizados com o paciente suportando o seu próprio peso, em função da força que os músculos exercem sobre os ossos da coluna e dos membros inferiores.

A massa óssea é relacionada à ação da musculatura sobre o osso e, deste modo, exercícios gravitacionais são mais efetivos. Um programa ideal de atividade física deve ter exercícios aeróbios de baixo impacto, exercícios de fortalecimento muscular, a fim de diminuir a incidência de quedas. Os exercícios com pesos leves aumentam a massa muscular e a força dos músculos esqueléticos.

Marcello Serrão lembra que a diminuição da força do quadríceps é um risco para ocorrência de fraturas do quadril. “O benefício primário da atividade física é evitar a perda óssea que ocorre com a inatividade, o que de certa maneira pode reduzir o risco de fraturas. Entretanto, não pode ser recomendada como substituta do tratamento medicamentoso apropriado”, recomenda.

Apesar de exercícios de impacto serem o melhor estímulo para prevenir e tratar a osteoporose, nem tudo está perdido para quem tem dificuldades em realizar estas atividades. O pilates e a fisioterapia se apresentam como alternativas ideais.

“No método oilates, quase todos os exercícios promovem a tensão e estimulam o aumento da massa óssea, sem apresentar quase nenhuma contraindicação, por isso podem ser praticados por pessoas de todas as idades, com osteoporose ou não. Já na fisioterapia, fazemos exercícios de propriocepção, que trabalham com a neurologia muscular e articular. São atividades simples, que estimulam o equilíbrio trabalham os músculos laterais”, explica Montenegro.

Saiba mais sobre a osteoporose

O Blog Vida & Ação reuniu informações relevantes de especialistas sobre o tema neste guia. Confira!

1 – O que é

Osteoporose significa ‘osso poroso’. É uma doença progressiva de perda de massa óssea, que ocorre principalmente envelhecimento, sendo um dos principais motivos de queda em idosos. É uma doença sistêmica, ou seja, acomete todos os ossos e acarreta enfraquecimento com consequente fragilidade e suscetibilidade às fraturas. Ela é assintomática e, muitas vezes, o primeiro sinal é uma fratura que pode ocorrer nas vértebras, nos quadris e nos punhos.

2 – Incidência

Segundo a OMS, até 2050 o número de pacientes com fratura de quadril devido à osteoporose deverá triplicar. No Brasil hoje já existem dez milhões de pacientes com a doença, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o que tem gerado alto impacto financeiro para o SUS. A fratura do fêmur – osso longo da coxa – é a mais preocupante, pois pode acarretar outros males, como infecções, gerando alto índice de mortalidade, cerca de 20%.

Em São Paulo, o número de hospitalizações por fratura em idosos cresceu 70% em dez anos. Cerca de 25 a 30% de pacientes com fratura de fêmur são levados ao óbito. Dos pacientes que sobrevivem à fratura, metade torna-se dependente de ajuda, o que interfere na qualidade de vida, além de sofrer com dores, perda da estatura, diminuição da capacidade motora e graves consequências na qualidade de vida.

3 – Mulheres

As mulheres são as maiores vítimas da osteoporose, em algumas faixas etárias, a proporção é de seis mulheres para cada homem.  Em todo o mundo, as fraturas devido à osteoporose ocorrem em aproximadamente uma em três mulheres e um em cinco homens, com idade superior a 50 anos – com uma fratura ocorrendo a cada 3 segundos. Nas internações hospitalares causadas por fraturas, observou-se que 75% são mulheres e 25% são homens.

Um estudo americano realizado em 2015 observou que o custo das internações de mulheres com fratura óssea era maior que o infarto do miocárdio e do câncer de mama juntos. No ano passado, os EUA tiveram um custo de US$ 18 bilhões com a doença. Segundo a Organização Mundial de Saúde, esse cálculo deve duplicar até 2025.

Outro estudo realizado na Europa observou que 40% das mulheres brancas têm osteoporose. A população do Norte da Europa é mais afetada do que as pessoas que vivem na região da Itália, Espanha e Portugal, devido à influência de outros fatores, entre eles, o sol. No Brasil, esse número é menor, pelo fato de a população ser mista.

4 – Sinais

Diminuir a largura dos passos, andar sem equilíbrio e enfraquecer o aperto de mão são sinais da osteoporose.  O diagnóstico pode ser feito através de exames anuais, recomendados a partir dos 40 anos, que medem a altura.

Esse método permite a detecção do início do processo de perda óssea, que deve ser comprovado por um exame específico: a densitometria óssea. Outra dica do médico é estar atento à osteopenia (estágio pré-osteoporose), se cuidar e aumentar a ingestão de cálcio.

5 – Sintomas

Dor ou sensibilidade óssea, diminuição de estatura com o passar do tempo, dor na região lombar devido a fraturas dos ossos da coluna vertebral, dor no pescoço devido a fraturas dos ossos da coluna vertebral e postura encurvada ou cifótica.

No caso de suspeita de osteoporose um acompanhamento médico é indispensável, pois é através de exames que pode se detectar a doença e fazer o tratamento adequado, que pode ser com o uso de medicamento ou de reposição de cálcio.

6 – Fatores de risco

Um estilo de vida direcionado a ossos saudáveis é a base para a boa saúde dos ossos. Isso inclui uma dieta rica em cálcio, proteína e vitaminas, consumo adequado de vitamina D, exercícios regulares de peso e fortalecimento muscular e o não consumo de cigarros e a moderação no consumo de bebidas alcoólicas. Muitos fatores de risco da osteoporose, porém, estão fora do controle da própria pessoa.

Entre esses fatores estão o histórico genético relacionado com a osteoporose/fraturas e certas enfermidades ou medicamentos que prejudicam a saúde dos ossos. Por exemplo, pessoas com artrite reumatoide, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença celíaca ou doença inflamatória intestinal apresentam um risco maior, assim como pessoas que utilizam glicocorticoides, terapia de privação androgênica ou inibidores da aromatase.

7 – Prevenção

Apesar de não existir cura para a osteoporose, há prevenção. Especialistas recomendam uma dieta alimentar balanceada, rica em cálcio, com alimentos como peixe, leite, couve, brócolis e feijão. Além desses cuidados, são essenciais a prática de exercícios físicos regulares e o banho de sol.

8 – Tratamento

O tratamento da osteoporose, de acordo com Serrão, começa por uma vida saudável. Para tratar a osteoporose, é necessário ingerir alimentos ricos em cálcio e vitamina D – que auxilia na fixação do cálcio na estrutura óssea –, além de praticar atividades físicas para fortalecer os músculos e ossos. Outra fonte importante de vitamina D é o banho de sol.

Fontes: Abrasso, IOF, Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ortopedista Helder Montenegro) e Marcello Ganem Serrão (ortopedista)

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