Adoçantes artificiais presentes em refrigerantes dietéticos, águas aromatizadas e lanches processados podem não ser saudáveis. Assim, o estudo da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) aborda o consumo elevado de adoçantes que pode trazer efeitos inesperados à saúde cerebral a longo prazo. Os resultados desse estudo foram publicados na revista da American Academy of Neurology.
As pessoas costumam considerar adoçantes com baixo ou nenhum teor calórico como substitutos saudáveis do açúcar. Contudo, nossos resultados indicam que alguns deles podem impactar negativamente a saúde do cérebro”, diz a autora do estudo, Profa. Dra. Claudia Kimie Suemoto, docente da disciplina de Geriatria da FMUSP.
Os pesquisadores perceberam que pessoas que consomem maiores quantidades desses adoçantes apresentam um declínio cognitivo mais acelerado, especialmente quem tem diabetes. Entre quem consumia maiores quantidades, o declínio correspondeu a cerca de 1,6 anos de envelhecimento. “Vale ressaltar, entretanto, que o estudo não comprova uma relação de causa e efeito”, ressalta a professora.
Os pesquisadores estudaram adoçantes artificiais como aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, xilitol, sorbitol e tagatose. Eles aparecem principalmente em alimentos ultraprocessados — águas saborizadas, refrigerantes, bebidas energéticas, iogurtes e sobremesas de baixa caloria — e também em adoçantes individuais.
Embora tenhamos encontrado associação com declínio cognitivo em pessoas de meia-idade, com ou sem diabetes, são as pessoas com diabetes que tendem a usar adoçantes artificiais com mais frequência como substitutos do açúcar. Precisamos de mais pesquisas para confirmar esses resultados e avaliar se outras alternativas ao açúcar, como purê de maçã, mel, xarope de bordo ou açúcar de coco, podem ser opções eficazes”, completou a Profa. Dra. Claudia Suemoto.
Fonte: USP
*Publicado originalmente no site Comida na Mesa




