Você sabia que uma leucemia como a que Susana Vieira, de 82 anos, convive desde 2015 com um tipo de câncer no sangue que pode não apresentar sintomas em algumas pessoas. Um terço dos pacientes não precisa receber nenhum tratamento específico para ela ao longo da vida para essa doença, que é crônica (incurável, mas controlável). Mas, assim como a maioria das doenças, especialmente o câncer, o diagnóstico precoce faz toda diferença na busca pela cura.
A Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), um dos tipos mais comuns da doença na vida das pessoas, anônimas e famosas, é lembrada na campanha Fevereiro Laranja, com o objetivo de estimular a conscientização e o cuidado com a saúde na população em geral.
O diagnóstico de leucemia linfocítica crônica não é uma sentença de morte. Eu aprendi isso conforme conheci mais a doença durante o meu tratamento. De início, foi um choque. Eu não apresentei qualquer sintoma que indicasse ter uma leucemia”, contou a atriz em 2024.
Susana foi fazer alguns exames para uma cirurgia, e dentre eles o de risco cirúrgico, que incluía um exame de sangue. O resultado apresentou um número bem alto de linfócitos, e por isso o médico que a preparava a cirurgia indicou procurar um especialista. E aí veio o diagnóstico.
Todo o meu tratamento foi exatamente como orientado pelo hematologista. Passei por dois tipos de terapia, a quimioterapia e a imunoterapia. Eu tinha muito receio do que aconteceria durante o tratamento, mas felizmente não tive reações e mantive o alto astral”, lembra a atriz.
Ela continua em tratamento, mas entrou em remissão em 2024, Desde então, ela mantém sua rotina ativa, profissional e exercícios físicos, declarando estar em paz com a condição
Ouvi isso do meu médico, o que me deixou muito feliz e agradecida por ter tido acesso a um tratamento para a LLC. Eu desejo que todos aqueles que precisarem, tenham a mesma oportunidade de uma experiência positiva no tratamento.”
LLC é o tipo mais comum de leucemia em adultos
Dentre os diversos tipos de leucemia, a Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) e o Linfoma Linfocítico de Pequenas Células (LLPC) são linfomas não Hodgkin de crescimento lento, originados de linfócitos, ou seja, afeta as células de defesa do organismo gradualmente e, em muitos casos, permite uma boa qualidade de vida, especialmente com acompanhamento médico adequado.
A LLC é o tipo mais comum de leucemia em adultos, sendo a principal distinção entre LLC e LLPC a localização predominante das células cancerosas: no sangue para LLC e nos gânglios linfáticos e órgãos sólidos para LLPC. Muitas vezes, a leucemia, em seus estágios iniciais, pode apresentar sintomas inespecíficos como fadiga ou inchaço dos gânglios linfáticos, ou ser completamente assintomática.
Essa particularidade reforça a importância crítica do diagnóstico preciso. Exames de rotina, especialmente o hemograma completo, são ferramentas essenciais para identificar alterações que possam indicar a presença da doença, permitindo uma intervenção terapêutica mais rápida e eficaz.
Para Marcos Daniel, consultor da farmacêutica Johnson & Johnson, a “leucemia é uma palavra que assusta ao mais distraído dos seres humanos”. Contudo, a leucemia linfocítica crônica tem como principal característica o acúmulo lento de linfócitos no sangue e nas ínguas, sendo que 30% dos pacientes não precisam receber tratamento específico. Os principais sintomas e que indicam necessidade de tratamento são a fadiga progressiva, suores noturnos e aumento das ínguas.
Planos de saúde oferecem medicação para leucemia linfocítica crônica
Avanços no tratamento da leucemia têm focado em terapias-alvo, que agem em mecanismos moleculares específicos da doença. O médico lembra que no Brasil, para aqueles que precisam de tratamento, já existem medicações inteligentes, que atacam alvos específicos destas células, promovendo o controle da doença e seus sintomas.
A utilização de quimioterapia clássica está praticamente abolida e, por podermos usar medicações inteligentes, os efeitos colaterais são melhor suportados, tornando este tempo de tratamento mais fácil de ser vivido. Portanto, ao se deparar com alguma dúvida a respeito do termo “leucemia“, antes de tirar conclusões precipitadas e dar espaço para a ansiedade, procure um especialista, o hematologista, para caminhar junto com você.”
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em 2023 o Ibrutinibe em combinação com venetoclax, medicamentos para pacientes adultos com leucemia linfocítica crônica e linfoma linfocítico de pequenas células (LLC/LLPC), em primeira linha. Em julho de 2024, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a incorporação do medicamento no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde.
Em março de 2025, a Anvisa aprovou o pirtobrutinibe para o tratamento de pacientes com as duas doenças recidivantes ou refratários, se tornando a primeira agência regulatória no mundo a aprovar um inibidor de BTK não covalente/reversível para LLC e LLPC.
O pirtobrutinibe, desenvolvido pela Lilly, é um inibidor da tirosina quinase de Bruton (BTK) não covalente (reversível) e altamente seletivo (300 vezes mais seletivo para BTK do que para outras quinases testadas), uma enzima crucial para a proliferação das células B cancerosas.
De acordo com a fabricante, estudos clínicos publicados recentemente trazem resultados promissores no tratamento dessas doenças, que serão submetidos às autoridades regulatórias, visando expandir a bula do pirtobrutinibe para linhas de terapia mais precoces.
Com Assessorias




