A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição grave de saúde, caracterizada pela perda gradual da capacidade dos rins de filtrar resíduos e excesso de líquidos do sangue. De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no Brasil é de 6,7% entre adultos, índice que chega a triplicar entre pessoas com 60 anos ou mais.

Uma das alternativas de tratamento para além da hemodiálise é o transplante renal, mas atualmente o total de procedimentos é inferior a 5% do total de pacientes com DRC. Em 2025, foram realizados 6.700 transplantes renais no país – contra 6.316 em 2024 e 6.211 procedimentos em 2023. Do total em 2025, foram 6.208 em homens e 3.732 em mulheres. A maior incidência é na faixa etária de 50 a 64 anos (2.468 procedimentos em homens e 1.220 em mulheres).

Entre os estados, São Paulo concentra o maior número de pacientes na lista por um rim, com 21.556 pessoas registradas no sistema. No Paraná, 2.550 pessoas esperam na fila por um rim. Para a curitibana Priscila Fiedler, de 47 anos, o dia mais esperado chegou pouco depois de seu aniversário. Ela recebeu a ligação do hospital informando que havia um rim compatível e que poderia finalmente realizar o transplante.

Foi um renascimento. Eu acho que o mais importante que mudou é essa visão da vida. É uma visão que valoriza mais pequenos detalhes, pequenos momentos e você passa a ter uma rotina mais saudável”, afirma.

Mais de 44 mil aguardam na fila por um rim

De acordo com dados do do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde, atualmente mais de 48.389 pessoas aguardam por um transplante de órgãos no Brasil, das quais 44.759 necessitam de um rim. O número representa cerca de 92% de toda a lista nacional de espera por órgãos, configurando a maior demanda entre todos os procedimentos desse tipo realizados no país.

Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Rim, em 12 de março, os dados chamam atenção para um dos principais desafios da saúde pública no país. Em comparação com outros transplantes, a diferença é expressiva. Segundo o sistema nacional, 2.461 pacientes aguardam um fígado, enquanto 471 esperam por um coração, 398 por transplante combinado de pâncreas e rim e 259 por pulmão. 

‘Me alimentava mal e bebia pouca água’

Exemplo da esperança que a doação de órgãos pode proporcionar, a fotógrafa profissional levava uma rotina intensa de trabalho e, sem perceber, negligenciava sua saúde.

Eu trabalhava sete dias por semana, me alimentava mal e bebia pouca água. Nessa época, eu tinha uma rotina muito intensa de fotografia de eventos, eu também não tinha nem tempo e nem costume de fazer exames de rotina”, relembra.

Os primeiros sintomas foram cansaço excessivo e dificuldade para subir escadas. A fotógrafa não tinha nenhuma comorbidade ou outras doenças, como diabetes e pressão alta. Quando procurou um médico, recebeu a notícia inesperada: estava com falência renal e precisaria iniciar a hemodiálise imediatamente.

Durante seis meses, Priscila passou por sessões de hemodiálise três vezes por semana, cada uma com duração de três horas e meia. Atualmente, cerca de 170 mil pacientes realizam diálise no país, sendo que 79% dependem exclusivamente do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Era um processo desgastante, mas nunca desisti. Levava minha câmera comigo e continuava trabalhando, porque a vida não pode parar e a gente tem que seguir”, conta.

Para conhecer a história completa da Priscila, clique aqui.

Como se tornar um doador de órgãos?

Para ser um “doador vivo”, é importante a pessoa apresentar boas condições de saúde, passar por avaliações médicas e exames de compatibilidade, ser capaz juridicamente e, principalmente, concordar com a doação. Legalmente, pais, irmãos, filhos, avós, tios e primos podem ser doadores. No caso de doação para uma pessoa que não seja parente, é preciso obter autorização judicial.

Além disso, qualquer pessoa pode realizar uma Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) nos mais de 8 mil cartórios do país. O documento é eletrônico e deve ser preenchido a fim de demonstrar o interesse em ser doador, podendo escolher quais órgãos quer doar. A lista inclui coração, pulmão, pâncreas, intestino, rim, fígado e até tecidos (córnea, pele, ossos, válvulas cardíacas, cartilagem, medula óssea e sangue de cordão umbilical).

Todas podem ser consideradas doadoras em potencial, independentemente da idade ou histórico médico. O que determinará a possibilidade de transplante e quais os órgãos e tecidos que poderão ser doados é uma avaliação do corpo feita por meio de exames clínicos, de imagem e laboratoriais no momento da morte. O mais importante é deixar claro para a família o seu desejo de ser doador. No Brasil, o transplante de órgãos só pode ser realizado após autorização familiar.

Não podem ser doadores de órgãos somente pessoas com diagnóstico de tumores malignos, doença infecciosa grave aguda ou doenças infectocontagiosas – destacando-se o HIV, as hepatites B e C e a doença de Chagas. Também não podem ser doadores os diagnosticados com insuficiência de múltiplos órgãos, situação que acomete coração, pulmões, fígado, rins, impossibilitando a doação desses órgãos.

A doação de órgãos é importante para salvar a vida, mas uma coisa muito importante para a gente parar para pensar também. A doença acaba te trazendo essa falta de esperança e quando a mente adoece, o corpo padece. O ato da doação de órgãos traz de novo a esperança de viver para essas pessoas. Isso salva a gente”, complementa.

Com Assessorias

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