Dados do Cemaden apontam que os desastres associados a eventos climáticos extremos atingiram, no Brasil, mais de 336 mil pessoas diretamente em 2025, enquanto que os prejuízos econômicos chegaram a R$ 3,9 bilhões. Em fevereiro, fortes chuvas na cidade de Juiz de Fora e Ubá (MG) vitimaram, ao menos, 72 pessoas. Apesar dos fatos cada vez mais próximos, muita gente ainda não acredita em crise climática e segue negando os impactos da ação humana sobre o planeta.

OVDia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas (16 de março), instituído pela Lei nº 12.533/2011, visa alertar a população e líderes sobre os impactos das mudanças climáticas, fomentando debates, mobilizações e políticas públicas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e promover a sustentabilidade. O tema mobiliza organizações da sociedade civil. ambientalistas e profissionais de saúde.

O Greenpeace Brasil destaca que pesquisas têm apontado que os brasileiros estão mais atentos sobre os efeitos da crise climática. Contudo, mesmo percebendo mais os efeitos, a população não é informada como deveria sobre os riscos e impactos das mudanças do clima, sobre como se manter segura em situação de emergência e nem os seus direitos garantidos diante de um desastre climático.

Para a ONG internacional, informar a população sobre a crise climática é um dever do Estado. Quando o poder público investe em informar a população sobre as causas, riscos e impactos das mudanças climáticas, cria as condições para uma participação política mais qualificada. Contudo, informar não basta: a conscientização só ganha força quando acompanhada de políticas concretas de proteção e resiliência para os territórios mais vulnerabilizados.

Pessoas mais informadas sobre o que são as mudanças climáticas, os riscos associados e seus principais impactos são mais sensibilizadas a se mobilizarem por políticas públicas que garantam proteção e resiliência para seus territórios. Ao se mobilizarem, essas pessoas influenciam a opinião pública sobre o tema, aumentando a participação em debates políticos, atividades escolares, formação nos bairros, articulação em territórios e engajamento nas redes sociais”, afirma o porta-voz de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus.

Para a organização, a população também precisa ter acesso a mais informações sobre as principais políticas que o poder público tem adotado sobre o tema. “Não é suficiente uma população conscientizada se não há vontade política dos nossos governos para direcionar as demandas da população. A conscientização da sociedade precisa estar alinhada com a vontade política e com ações  de adaptação, mitigação, emergência, destinação financeira para combate à crise climática etc”, pontua Jesus.

Ações do Greenpeace 

Faz parte do trabalho do Greenpeace Brasil ações de conscientização e mobilização das pessoas sobre a crise do clima e justiça climática. Uma dessas ações é o projeto Corre de Quebrada, que incentiva batalhas de rima nas periferias com temas do cotidiano da quebrada e da crise climática. Acesse a página do Corre de Quebrada para mais informações.

O Greenpeace também produz materiais sobre Justiça Climática. É o caso da cartilha Por que Lutar por Justiça Climática, que pode ser utilizada por ativistas, professores e estudantes em sala de aula, quem vai prestar concurso público e todas as pessoas que querem se mobilizar por cidades mais resilientes, seguras, justas e sem desigualdades. A cartilha pode ser baixada aqui.

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Nutricionistas debatem impactos do clima na alimentação

Primeiro encontro da série reúne especialistas para discutir caminhos para sistemas alimentares mais saudáveis e sustentáveis.

O Conselho Federal de Nutrição (CFN) realiza, no dia 18 de março, em seu canal oficial no YouTube, o primeiro webinário da série “Emergência Climática e Sistemas Alimentares Saudáveis: Evidências Científicas e Compromissos Institucionais”, reunindo especialistas para apresentar evidências científicas e discutir os impactos das mudanças climáticas na alimentação, na nutrição e na segurança alimentar.

O webinário contará com a participação de Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), autor-líder dos três últimos relatórios do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) e vencedor do Planet Earth Award da Alliance of World Scientists. Também participa do debate o pesquisador Alexandre Pessoa Dias, da Fundação Oswaldo Cruz, integrante do grupo temático Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva.

O debate sobre sistemas alimentares e mudanças climáticas tem ganhado cada vez mais relevância em agendas nacionais e internacionais. A forma como os alimentos são produzidos, distribuídos e consumidos influencia diretamente o meio ambiente, a saúde da população e a garantia do direito humano à alimentação adequada.

Nesse contexto, especialistas apontam que a transformação dos sistemas alimentares é uma estratégia fundamental para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, proteger os recursos naturais e promover saúde para as atuais e futuras gerações. Ao aproximar ciência, nutrição e sustentabilidade, a série de webinários busca contribuir para a construção de sistemas alimentares mais saudáveis, justos e sustentáveis.

A série de webinários integra um conjunto de iniciativas do CFN voltadas a estimular o diálogo entre ciência, políticas públicas e prática profissional diante dos desafios impostos pela crise climática. Como contribuição a esse debate, o Conselho lançou a Nota Técnica “A mudança do clima na alimentação e nutrição: diálogos entre a atuação e a formação profissional”, documento que reúne evidências científicas sobre os impactos da crise climática na alimentação, na nutrição e na atuação de nutricionistas.

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Campanha alerta para poluição do ar e câncer de pulmão

O Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas convida a sociedade a refletir sobre um ponto essencial: o futuro do planeta e o futuro da nossa saúde são inseparáveis. Respiramos, em média, 10 mil litros de ar por dia. Com ele, também inalamos poluentes e materiais particulados que podem ser cancerígenos e aumentar o risco de doenças respiratórias graves, incluindo o câncer de pulmão.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, sendo mais de 35 mil casos anuais de câncer de pulmão. Diante desse cenário, informação, prevenção e políticas públicas eficazes são fundamentais.

Por meio da campanha “Respire Agosto o Ano Inteiro’, em referência ao Agosto Branco, mês de prevenção ao câncer de pulmão, o Instituto Lado a Lado pela Vida reforça a importância do diagnóstico precoce, da redução de fatores de risco e da conscientização sobre a doença. Saiba mais aqui.

 

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