Das 29,6 mil pessoas que faleceram em 2022 por conta de câncer de traqueia, brônquios e pulmão, 56,3% (16,7 mil) tinham menor nível de escolaridade, com até 7 anos de estudo. Das vítimas, 9,2% tinham 12 anos ou mais de estudos. Os dados são do DATASUS – SIM, disponíveis no Observatório da Saúde Pública (OSP), da Umane, organização da sociedade civil, independente, isenta e sem fins lucrativos que fomenta iniciativas no âmbito da saúde pública.


Fatores de risco
Um dos fatores de risco para o câncer de traqueia, brônquios e pulmão é o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco. Dados do Vigitel, disponíveis no OSP, da Umane, mostram que, em 2023, 9,3% da população das capitais brasileiras era fumante, sendo a prevalência maior entre os homens (11,8%). Por nível de escolaridade, as pessoas com até 8 anos de estudos compreendem a maior fatia de fumantes, com 12,1%.
OSPQuase todos nós conhecemos pessoas que tiveram algum tipo câncer como o de pulmão, mama, cólo do útero, ou mesmo do intestino. Mas a verdade é que muitas destas pessoas poderiam nem ter desenvolvido estas doenças”, comenta a gerente de investimento social da Umane, Evelyn Santos, ao chamar a atenção para as ações necessárias para reduzir a mortalidade por câncer no país.
Segundo ela, grande parte das Doenças Crônicas Não Transmissíveis, entre as quais se enquadra o câncer, podem ser prevenidas. Por isso, o Dia Mundial do Câncer nos faz refletir, como país, quais esforços estão sendo direcionados para o fortalecimento da saúde pública para que mais pessoas tenham a oportunidade de acessar tratamento oportuno para essa doença.
Por isso, é fundamental assegurar a criação e a aplicação de políticas públicas eficazes na prevenção dos fatores de risco relacionados a essas doenças, considerando, principalmente, ações que garantam equidade no acesso, na utilização e na qualidade dos serviços de saúde ofertados para todos que vivem no Brasil “.
Ainda segundo ela, “é importante que a sociedade esteja informada, cobrando dos órgãos competentes, seja no executivo, legislativo, ou judiciário, ações que possam incentivar a prevenção do câncer na população, como a redução de fatores de risco como tabagismo, alimentação não saudável, atividade física insuficiente e consumo de álcool”.
O Observatório da Saúde Pública (OSP) é uma plataforma desenvolvida pela Umane que reúne dados, análises e pesquisas sobre saúde no Brasil de forma gratuita e de fácil acesso, com o objetivo de contribuir de facilitar o acesso a dados e contribuir para a tomada de decisões de profissionais de saúde, pesquisadores e gestores públicos, expandindo o acesso a informações de saúde confiáveis.
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Com sintomas muitas vezes inespecíficos nos estágios iniciais, a doença é frequentemente descoberta em sua forma mais avançada
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam que mais de 30 mil pessoas serão diagnosticadas com câncer de pulmão no Brasil anualmente entre 2023 e 2025. O quarto tipo mais comum em homens e mulheres não apresenta sintomas específicos ou característicos e, por isso, é muitas vezes assintomático nos estágios iniciais, sendo frequentemente diagnosticado de forma mais avançada.
No estágio inicial, os sinais de alerta podem estar na tosse frequente que não melhora com o tempo e rouquidão enquanto no estágio avançado sintomas compreendem hemoptise (catarro com sangue), dor no peito, falta de ar e perda de peso sem causa aparente.
Detectar o câncer de pulmão precocemente é crucial para aumentar as chances de cura e sobrevivência. O diagnóstico definitivo é feito por biópsia, embora exames como raio-X e tomografia computadorizada sejam utilizados para identificar anomalias.
Durante a pandemia, observamos um aumento no diagnóstico precoce devido ao maior número de tomografias realizadas”, conta o oncologista. A detecção precoce permite tratamentos menos invasivos e mais eficazes, que variam de acordo com o tipo e estágio da doença”, explica o oncologista clínico da Oncomed-MT, Gabriel Zanardo.
Prevenção começa em parar de fumar
O principal fator de risco para o desenvolvimento da doença é o tabagismo, responsável por cerca de 80% das mortes causadas pela doença. “O cigarro é a principal causa de morte evitável no mundo”, afirma Zanardo. Outros fatores de risco incluem a exposição à poluição, minérios e fatores genéticos.
A prevenção é a chave para reduzir a incidência de câncer de pulmão. “Não fumar e, para quem fuma, parar de fumar, são as principais medidas”, enfatiza o médico. Para aqueles que estão expostos ao tabaco há mais tempo, recomenda-se realizar tomografias de baixa dose para a detecção precoce.
Os cigarros eletrônicos, frequentemente apresentados como uma alternativa mais segura ao tabagismo tradicional, também apresentam riscos significativos à saúde. Estudos mostram que esses dispositivos contêm substâncias químicas nocivas que podem causar danos aos pulmões e ao sistema cardiovascular.
Além disso, o uso prolongado de cigarros eletrônicos pode levar à dependência de nicotina, dificultando ainda mais a cessação do uso de produtos derivados do tabaco. Portanto, é essencial estar ciente desses riscos e buscar apoio para abandonar todos os tipos de tabaco e nicotina.
Apesar dos desafios da abstinência, melhorias significativas podem ser observadas rapidamente. A boa notícia é que, após cinco anos, o risco de câncer de pulmão diminui em 50%. O importante é parar de fumar o quanto antes e lembrar que, para uma reabilitação bem-sucedida, os primeiros passos são essenciais na busca pela qualidade de vida.
Imunoterapia é importante avanço, mas não está disponível no SUS
A doença pode ser classificada principalmente em dois grandes grupos: câncer de pulmão de pequenas células e câncer de pulmão de não pequenas células. Esta última categoria se subdivide em adenocarcinoma e carcinoma epidermóide. “Hoje sabemos que dentro desses subtipos existem várias mutações que diferenciam muito o câncer de pulmão, o que direciona o tratamento”, explica o médico.
O tratamento da doença pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias direcionadas para mutações específicas. Segundo o médico, nos últimos anos, houve avanços significativos no tratamento do câncer de pulmão, especialmente com a introdução da imunoterapia.
A imunoterapia começou a ser mais divulgada em 2015. A modalidade consiste em combater o avanço da doença pela ativação do próprio sistema imunológico, promovendo um tratamento com menos toxidade e mais qualidade de vida ao paciente”, explica.
Apesar do aumento de sobrevida com a evolução do tratamento a imunoterapia não é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com Assessorias





