Baixa cobertura vacinal em tempos de Covid-19 preocupa especialistas

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A meta da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e de Multivacinação, que começou em 5 de outubro e vai até o dia 30, é aumentar a cobertura vacinal da BCG para 90% e a dos outros imunizantes para 95% até o fim do ano. Mas na cidade do Rio de Janeiro, a campanha ainda está longe de atingir seus objetivos. Até 14 de outubro foram aplicadas 21.098 doses da vacina contra a poliomielite, o que representa 7% da meta de cobertura vacinal no município.

Neste sábado, 17, acontece o Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e a Multivacinação, com foco em crianças e adolescentes de 0 a 15 anos. A data coincide com o Dia Nacional da Vacinação, criado pelo Ministério da Saúde para chamar a atenção para a importância da vacinação, que tem apresentado níveis drásticos de adesão nos últimos anos.

Assunto em destaque do momento, a vacinação é uma das discussões reacesas pela pandemia de Covid-19 e que neste dia alerta para a importância individual e coletiva da ação. Esperança dos tempos atuais por conta da pandemia, a invenção das vacinas significou uma revolução na saúde pública e até mesmo na história da humanidade ao proteger a população contra uma série de doenças- algumas até então consideradas fatais.

Para a médica e professora da disciplina de Família e Comunidade da Universidade Santo Amaro (Unisa), Fernanda Galvão, as vacinas são necessárias para imunizar a população contra doenças importantes. “Em tempos de pandemia, é mais do que necessário e fundamental que todos estejam com as vacinas em dia para se protegerem de futuras doenças.”, ressalta Fernanda.  

Estima-se que cerca de 3 milhões de vidas sejam salvas anualmente por
conta da imunização, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), garante o acesso gratuito a 19 vacinas, que protegem contra mais de 40 doenças. Graças a essa estratégia de saúde pública, doenças infecciosas como a poliomielite e a varíola foram erradicadas do todo o território nacional.

Além destas, meningite, difteria, tétano, coqueluche, sarampo, caxumba, rubéola, hepatites virais, gripe, pneumonia, tuberculose e febre amarela são outros exemplos de doenças que têm prevenção por meio da vacinação. Em complemento ao PNI, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) oferecem calendários de vacinação que permitem expandir o espectro de proteção através de vacinas disponíveis na rede privada para diversas faixas etárias e indicações.

As vacinas são eficazes e seguras. Através da vacinação, enfermidades
que antes assolavam a população hoje estão controladas, a ponto de as
gerações mais novas não lembrarem o impacto que tinham ou até
mesmo desconhecerem diversas destas doenças. O problema é que isso pode levar a subestimação da importância vacinação e, como consequência, baixas coberturas vacinais e o retorno de algumas doenças.

Um exemplo disso é o sarampo, que chegou a ser erradicado do
país em 2016 mas voltou a circular dois anos após. Em 2020, já são
registrados mais de 7.700 casos da doença. Esses números reforçam
a importância da manutenção de altas coberturas vacinais para que o efeito da vacinação para saúde pública seja máximo”, aponta Emersom Mesquita, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK.

Nenhuma vacina atingiu a meta de 90% em 2019

A baixa cobertura vacinal tem sido uma realidade no Brasil nos últimos anos, não apenas para o sarampo. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2019, nenhuma das vacinas ofertadas no PNI, com exceção da tríplice viral, atingiram a meta de 90% de cobertura. Por exemplo, a vacina pentavalente alcançou apenas 69% da população-alvo; a tríplice bacteriana, 56%; e a BCG, 85%.

Já em 2020, dados preliminares até o nono mês do ano apontam que a baixa cobertura vacinal se mantém, atingindo 57% para vacina pentavalente; 61% para vacina tríplice bacteriana; e 50% para vacina BCG. Este cenário de baixas coberturas, que já era vislumbrado anteriormente e foi agravado pela pandemia, representa um risco para toda a população, pois favorece que doenças previamente controladas no país voltem a circular.18

Vacinação em todas as faixas etárias

É comum associarmos a vacinação a bebês e crianças. Porém, é preciso
lembrar que existe recomendação de vacinação para todas as fases da vida,
como na adolescência, na vida adulta e na terceira idade. Além disso, existem recomendações específicas para alguns grupos como gestantes, indígenas e indivíduos portadores de quadros clínicos especiais.

No Brasil, indivíduos portadores de quadros clínicos especiais estão contemplados peno PNI, através dos centros de referência para imunobiológicos especiais (CRIE). É fundamental mantermos o calendário vacinal atualizado, em cada fase da vida, para garantirmos os máximos benefícios individuais e coletivos da vacinação”, frisa o Dr. Emersom Mesquita.


Além de saber quais vacinas tomar, é fundamental também se atentar para a quantidade de doses de cada uma. Muitas pessoas acreditam, de maneira equivocada, que não precisam mais se vacinar na vida adulta. Emersom Mesquita explica que esse é um tipo de engano comum. “Precisamos lembrar que somente com o esquema vacinal completo, incluindo as doses de reforço atingimos a proteção máxima”, declara o médico.

Proteção individual e coletiva

Mais de um século após a Revolta da Vacina e avanços na medicina, a
vacinação é posta em xeque novamente. Muitas vezes pensada como questão de proteção própria e pessoal, na verdade a vacinação é uma ação coletiva e de cidadania, como direito, mas também um dever previsto inclusive na legislação brasileira.

A imunização de uma comunidade é capaz de impactar em toda a sociedade. No país, entre 1940 e 1998, a expectativa de vida cresceu 30 anos como resultado, principalmente, da redução de óbitos por infecções preveníveis por vacinas.

A vacina protege não somente o indivíduo, mas a população como um todo.
Isto ocorre porque indivíduos vacinados e protegidos impedem que indivíduos não vacinados e não protegidos entrem em contato com o
agente infeccioso e adoeçam. Este efeito, que chamamos de imunidade ou
proteção de rebanho, beneficia, por exemplo, indivíduos que não puderam se vacinar por possuírem algum tipo de contraindicação à vacina”, explica Dr. Emersom.


Volta às aulas

A adoção de medidas de segurança e higiene como o uso de máscara, a
disponibilização de frascos de álcool em gel 70%, e a aferição da temperatura corporal tem sido amplamente debatidas neste momento em que o país se prepara para a volta às aulas.

Além da prevenção de Covid-19, essas medidas adicionais de proteção contribuem também para a prevenção de outras doenças como meningite, sarampo e gripe, por exemplo. Outra ação importante para esse momento de ressocialização e aumento do contato entre crianças e adolescentes
é manter em dia calendário vacinal, seja visitando a rede pública ou privada de vacinação.

“Neste momento em que a comunidade científica realiza um esforço sem
precedentes para o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19, precisamos nos perguntar se estamos em dia com as vacinas que já estão
disponíveis. Por exemplo, sarampo, meningite, gripe e coqueluche, que têm
formas de transmissão semelhantes à Covid-19, são doenças para as quais já existem vacinas seguras e eficazes. Temos que fazer nosso dever de casa, garantindo que nós e nossa família estejamos com o calendário vacinal atualizado. Fazendo assim contribuímos para a saúde da população como todo”, alerta o Dr. Emersom Mesquita.

Para a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, Francieli Fontana, a queda nas coberturas vacinais pode estar relacionada ao medo de eventos adversos, à circulação de notícias falsas em relação à vacinação e, ainda, à sensação de segurança onde as pessoas acreditam não haver doenças. “É preciso conscientizar a população que essas doenças ainda existem, por isso é importante que todos estejam vacinados. É uma forma de proteger nosso país”, afirma.

Ainda segundo a coordenadora do PNI, a queda das coberturas no Brasil começou apenas a partir de 2016. Ela reforçou ainda que o fenômeno preocupa, e lembrou que o sarampo voltou a circular no país em 2019, três anos depois de o Brasil ter recebido o certificado de área livre de circulação da doença. “Isso é uma preocupação importante para o Programa Nacional de Imunizações. Nós podemos voltar a ter doenças que já foram eliminadas, a exemplo da rubéola,  síndrome da rubéola congênita e o tétano neonatal”, alertou.

Francieli lembrou, ainda, que “é muito melhor prevenir uma doença do que tratar” e que o PNI é uma “conquista brasileira”. “É importante que os pais ou responsáveis levem a sério a vacinação. O PNI é reconhecido nacional e internacionalmente. Houve uma redução muito grande nos últimos anos de doenças graves que deixavam sequelas. Deve-se buscar o serviço de saúde para avaliar qual vacina você precisa”, pediu.

Confira, abaixo, as campanhas de vacinação vigentes atualmente no Brasil:

Campanha Nacional de Multivacinação: o público-alvo são crianças e adolescentes menores de 15 anos de idade. A campanha teve início em 5 de outubro e vai até o dia 30 de outubro. O objetivo é a atualização da caderneta para esse público.
 
Poliomielite: o público-alvo são crianças de 1 a menores de 5 anos de idade. A campanha vai até o dia 30 de outubro e previne contra a paralisia infantil. Vale lembrar que o último caso registrado no país foi em 1989 e em 1994 recebemos o certificado de área livre da circulação do poliovírus selvagem.
 
Estratégia de Vacinação contra o Sarampo: o público-alvo é a população de 20 a 49 anos de idade. A campanha é indiscriminada, ou seja, mesmo aqueles que já tomaram a vacina de sarampo podem tomar outra dose. A campanha de sarampo teve início em março e vai até 30 de outubro.

Sarampo: adultos entre 20 e 49 anos têm até o dia 30 para se vacinar

Adultos entre 20 a 49 anos têm até o dia 30 de outubro para se vacinar contra o sarampo nos mais de 40 mil postos de saúde em todo o país. A iniciativa faz parte do Plano de Ação para Interrupção da Circulação do Vírus do Sarampo no Brasil 2020. O Ministério da Saúde enviou 36 milhões de doses para reforçar a mobilização e alcançar o público-alvo de cerca de 90 milhões de pessoas.

Desde o início da ação, em 23 de março deste ano, cerca de 9 milhões de pessoas foram vacinadas. Até setembro deste ano, foram notificados 15.734 casos suspeitos de sarampo em 20 estados e no Distrito Federal. Nesse mesmo período, o Brasil registra sete óbitos pela doença, sendo um deles referente à faixa etária do público da campanha.

Diante da atual situação, o Ministério da Saúde tem desenvolvido ações em conjunto com os estados e municípios com o objetivo de interromper a circulação do vírus do sarampo. O Plano tem objetivo de elencar as atividades fundamentais e necessárias aos três entes federativos, envolvendo vigilância, imunização, laboratório e atenção à saúde, para que se possa alcançar a eliminação do sarampo no país.

A orientação do Ministério da Saúde é vacinar o maior número de pessoas possível contra sarampo. Mesmo diante do cenário de pandemia da Covid-19, a recomendação é que as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde tomem as medidas necessárias para evitar aglomeração nos serviços de vacinação, além de adoção de outras medidas de proteção individual, afim de garantir a segurança da população que irá se dirigir ao serviço de saúde para se vacinar.

Plano de Ação para Interrupção da Circulação do Vírus do Sarampo

A vacinação contra o sarampo é uma estratégia do Ministério da Saúde para interromper a transmissão e eliminar a circulação do vírus no Brasil. As duas primeiras etapas ocorreram em 2019, com a realização de ações nacionais, em outubro, para crianças de seis meses a menores de 5 anos de idade. E, a segunda etapa, foi realizada em novembro para a população de 20 a 29 anos. A terceira etapa, que ocorreu entre 10 de fevereiro a 13 de março deste ano, teve como público-alvo a população de 5 a 19 anos.

Sarampo – O sarampo é uma doença grave e apresenta alto risco de contágio e disseminação. Uma pessoa pode transmitir para até 18 pessoas. A transmissão ocorre pelo ar, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. A vacinação contra o sarampo está contraindicada para crianças menores de seis meses de idade, gestantes e pessoas com sinais e sintomas de sarampo.

Dados – Informações do boletim epidemiológico nº 39 do Ministério da Saúde, apontam que o Pará concentra 65,1% dos casos confirmados de sarampo e a maior incidência dentre as unidades da federação.

Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal estão com um período de 12 semanas ou mais da data de confirmação do último caso. Este cenário está sujeito a alterações, uma vez que ainda existem casos em investigação nesses locais. Por isso a importância da vacinação em todos os estados.

Com Assessorias

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