Se nas ruas e espaços públicos o perigo é constante, dentro das organizações a realidade exige atenção urgente. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o debate sobre igualdade de gênero ganha força, mas os números revelam uma face alarmante do mercado brasileiro: o assédio sexual e moral segue interrompendo trajetórias e ferindo a dignidade de milhares de mulheres. nas empresas brasileiras.
Para além das homenagens e campanhas institucionais, os números revelam uma realidade persistente e alarmante: o assédio sexual segue marcando a trajetória profissional de milhares de mulheres no país. Novos estudos trazem dados que acendem o alerta para o RH das organizações. Segundo a pesquisa Catho 2025, o assédio enfrentado por mulheres no trabalho atingiu 73% das profissionais este ano. Embora represente um leve recuo frente aos 76% de 2024, o índice de práticas inconvenientes permanece inaceitável, sendo o assédio moral a prática mais recorrente (38,2%).
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O impacto econômico e a cultura do silêncio
A pesquisa Trabalho Sem Assédio 2025, da Think Eva em parceria com o LinkedIn, revela que uma em cada três brasileiras (35%) já foi vítima de assédio sexual no ambiente profissional. As consequências transbordam o emocional e atingem o bolso e o projeto de vida: 16,7% das vítimas pedem demissão após o ocorrido.
A vulnerabilidade é acentuada pela desigualdade de renda: 65% das vítimas recebem até cinco salários mínimos, enquanto apenas 10% possuem remuneração superior a R$ 15 mil. Além disso, a “cultura do silêncio” ainda impera, já que somente 10% das mulheres acionam os canais formais de denúncia.
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Assédio digital: O movimento “LinkedIn não é Tinder”
Nem mesmo as redes profissionais estão imunes. A pesquisadora de diversidade Cris Zanata aponta que 91% das usuárias do LinkedIn já receberam abordagens românticas ou de caráter sexual na plataforma. Esse cenário gerou o movimento “LinkedIn não é Tinder”, denunciando como a impessoalidade e o machismo migraram para o ambiente virtual.
Isso gera uma sensação de culpabilização na mulher e um impacto profundo na saúde mental. Muitas deixam de usar a rede por medo, perdendo visibilidade e chances de crescimento”, explica Zanata, fundadora do Instituto de Alterismo do Brasil (InsAB).
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Ferramentas de combate e legislação
Para enfrentar esse cenário, a Lei 14.457/2022 tornou obrigatória a implementação de canais de denúncia e treinamentos em empresas com CIPA. Além disso, ferramentas gratuitas como a Matriz Trabalho Sem Assédio (parceria Think Eva e SafeSpace) ajudam corporações a diagnosticar seu estágio de conformidade com a lei e a cultura de respeito.
Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil (grupo dono da Catho), a qualificação feminina também é uma barreira: 60% das mulheres sentem que precisam estudar mais que os homens para alcançar cargos de liderança, enfrentando descrédito técnico e machismo.
Radiografia do assédio no Trabalho (2025/2026)
| Indicador | Dado Estatístico |
| Mulheres que sofreram assédio (Geral) | 73% |
| Vítimas de assédio sexual | 35% |
| Pedido de demissão pós-assédio | 16,7% |
| Vítimas com renda de até 5 salários | 65% |
| Denúncias em canais formais | apenas 10% |
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