O município de Ubá, em Minas Gerais, confirmou nesta quarta-feira (11 de março) o primeiro óbito por leptospirose decorrente das inundações que atingiram a região no final de fevereiro. A vítima era uma mulher com idade entre 30 e 35 anos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, além do óbito confirmado, outros 41 casos suspeitos estão sob investigação epidemiológica, aguardando resultados de exames realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed).

O cenário de recuperação na Zona da Mata mineira ainda é crítico: as tempestades recentes deixaram um rastro de 72 mortos na região, sendo 65 em Juiz de Fora e sete em Ubá, além de milhares de desalojados. Agora, o foco das autoridades de saúde volta-se para o “perigo invisível” que surge após o recuo das águas, como antecipamos aqui.

No contexto da crise climática, o aumento de eventos extremos, como as enchentes na Zona da Mata, desaloja roedores de seus habitats naturais (bueiros e tocas), misturando a urina desses animais à água das chuvas e à lama. Esse desequilíbrio ambiental é o fator determinante para o surgimento de surtos zoonóticos em áreas urbanas.

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Atenção aos sintomas e diagnóstico precoce

A leptospirose é frequentemente confundida com uma “virose forte” nos estágios iniciais. De acordo com Alexandre Pimenta, responsável técnico do AmorSaúde, o paciente deve procurar ajuda médica imediata ao apresentar:

  • Febre alta e calafrios;

  • Dor de cabeça persistente;

  • Dor intensa nas panturrilhas (sinal clássico da doença);

  • Náuseas, vômitos e diarreia;

  • Em casos graves: icterícia (pele e olhos amarelados), falta de ar e sangramentos.

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Outras doenças comuns no pós-enchentes

O contato com águas de inundação, que podem conter esgoto e produtos químicos, abre porta para diversas outras enfermidades:

  1. Hepatite A: Transmitida pelo consumo de água ou alimentos contaminados.

  2. Tétano: Risco elevado em ferimentos causados por entulhos e metais enferrujados.

  3. Arboviroses (Dengue, Zica e Chikungunya): O acúmulo de água parada após as cheias favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

  4. Dermatites e Infecções de Pele: Fungos e bactérias penetram em feridas abertas ou pele amolecida pela umidade prolongada.

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Guia de sobrevivência: cuidados ao retornar para casa

Para minimizar os riscos de contaminação ao limpar imóveis atingidos, a recomendação é seguir protocolos rígidos de higiene:

  • Proteção individual: Nunca manipule lama ou água parada sem botas e luvas de borracha.

  • Segurança alimentar: Descarte qualquer alimento que teve contato com a água, mesmo que embalado em plástico ou latas. Se houve falta de energia prolongada, alimentos perecíveis na geladeira também devem ser descartados.

  • Tratamento da água: Mesmo que o abastecimento tenha retornado, a orientação da prefeitura de Ubá é ferver a água ou utilizar duas gotas de hipoclorito de sódio por litro antes do consumo.

  • Limpeza do ambiente: Utilize água sanitária (soluções cloradas) para desinfetar pisos, móveis e talheres. Ventile bem os cômodos para evitar o mofo, que pode causar complicações respiratórias.

Para os moradores de Ubá, a rede AmorSaúde disponibilizou atendimento médico e psicológico gratuito via telemedicina para auxiliar as vítimas da catástrofe. Em caso de emergência, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima ou o Hospital Municipal.

Com informações da Agência Brasil e Amor Saúde

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